sábado, 25 de maio de 2013

Excelentíssima Senhora DILMA ROUSSEFF, presidente Do Brasil

Álvaro Afonso Simon[1]
 Marcos Antonio Dantas de Oliveira[2]
Está em debate o controle dos recursos naturais [variabilidade genética, mineração, terra, água...], dos impostos [arrecadação, distribuição] e das políticas públicas [distributivas, redistributivas e reguladoras] para planejar, executar, avaliar e corrigir ações contextuais e estruturais: da paisagem ao negócio agrícola e não agrícola, da montante à jusante da produção agrícola, do consumo ao bem-estar. Todos nós sabemos que para gozar de vida digna e felicidade, é vital o acesso e usufruto dos bens primários [autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos, vitais (Rawls (2002)], sob a ótica do Desenvolvimento Sustentável [Durável].
Aliás, é tradição. A agricultura é provedora de alimentos, fornecedora de mão de obra e transferidora de renda aos outros setores da economia. Contudo, “mais da metade das propriedades rurais, por exemplo, com níveis de renda entre zero e meio salário mínimo [53,4% do total] encontram-se, segundo os autores, inviabilizados produtivamente, pois [...] a residência serve basicamente como moradia, sendo a atividade agrícola insignificante” (ALVES; ROCHA, 2010).
Nesse sentido, continua diminuindo o consumo básico de bens e serviços em sua mesa, em sua moradia, principalmente para os 3.318.077 agricultores minifundiários com área média de 14 ha [INCRA, 2010];  de maioria analfabeta [e de analfabetos ecológicos, segundo Capra, 2002] que têm dificuldade para preservar os recursos naturais, a paisagem e com pouco conhecimento sobre espécies locais, inclusive sobre a erosão genética que também tem inviabilizado a agricultura familiar; incluindo outros agravantes: as exigências de mercado [oferta e procura], pela opção de cultivo comercial; da baixa capacidade [disciplina] para gerir os ativos e passivos, agregar valor e promover mercadologicamente produtos e serviços da unidade produtiva; além da ineficiente burocracia estatal.
O Banco Mundial "apontou que as mulheres têm mais probabilidades de ter um trabalho não remunerado do que os homens, além de maior chance de trabalhar em terrenos menores e em cultivos menos lucrativos e de dirigir empresas menores e setores com menos remuneração" [3]. 

Uma leitura reflexiva sobre a juventude rural – Estudos do MDA, 2009, confirmam que os maiores índices de migração – em êxodo – no meio rural ocorrem entre mulheres de 15 a 19 anos e homens de 20 a 24 anos. Esse fato compromete a sucessão familiar no negócio agrícola e não agrícola [Lei 11.326]. O estudo mostra que neste mesmo ano 21,7% dos jovens rurais de 15 a 17 anos e 15,6% dos jovens urbanos, não frequentavam escola [4].
No Brasil rural, 78,4% dos domicílios com renda per capita até ¼ do salário mínimo estão em insegurança alimentar (IBGE). Um caos: falta-lhes até uma dieta para sobrexistir, e longe do uso do Codex Alimentarius. Além disso, uma pessoa com renda até 02 salários mínimos paga 54% impostos sobre sua renda (IPEA). Em resumo, o pouco poder de barganha, reforça o argumento de Buainain et al. (2006): “a renda gerada pela maioria dos estabelecimentos familiares nordestinos é inferior à linha de pobreza, o que coloca a agricultura familiar como um importante bolsão da pobreza rural”.
Ademais, “o número de miseráveis reconhecidos em cadastro pelo governo subiria de zero para ao menos 22,3 milhões caso a renda usada oficialmente para definir a indigência fosse corrigida pela inflação. Corrigidos, os R$ 70 de junho de 2011 equivalem a R$ 77,56 hoje. No Cadastro Único, 22,3 milhões de pessoas, mesmo somando seus ganhos pessoais e as transferências do Estado (como o Bolsa Família), têm menos do que esse valor à disposição a cada mês”, calculou o governo após pedido da Folha por meio da Lei de Acesso à Informação. http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/05/1281132-indicador-defasado-esconde-22-milhoes-de-miseraveis-do-pais.shtml
Bem como a arrecadação e a distribuição do gasto estatal altera a distribuição de renda. “Quanto mais o gasto público beneficiar prioritariamente os pobres, e quanto mais os impostos incidirem sobre os ricos, menor será o grau de desigualdade de renda”, afirmam Medeiros et al. (IPEA, 2006). E assim, haverá garantia do usufruto dos bens primários por essas categorias.
Entretanto, a conferência Nacional de ATER, foi marcada pela continuidade da ineficiência dos serviços de ATER estatal e não estatal, e foi reforçada quando da aprovação pela plenária da criação do Sistema Nacional de ATER sob a coordenação do MDA. Uma opção melhor seria a criação de uma Empresa Pública de Direito Privado vinculada ao MDA, assim como foi a opção aprovada na plenária da 1ª CEATER do Estado de Alagoas [5] e da FASER [6].
Contudo,  já está para ser anunciada por Vossa Excelência no lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2013/2014, a Agência Nacional de ATER – ANATER. Essa entidade é o resultado de um longo debate entre as forças que atuam no campo. O fortalecimento da ATER para a Agricultura Familiar, dependerá do regime jurídico escolhido, suas características e formas de gestão. Esse ponto, em especial,  consta como uma das prioridades da pauta do 19º Grito da Terra que se realizou nos dias 21 e 22 de maio em Brasília e da deliberação do Conselho Deliberativo da FASER e, se estabelece como um marco histórico do desenvolvimento rural brasileiro.
A proposta da criação da ANATER surgiu da necessidade de se organizar os serviços de ATER no país que já conta com um orçamento de 850 milhões no MDA, para 2013. Com a criação da entidade nacional de ATER será possível reunir os orçamentos destinados a ATER, que estão alocados em outros ministérios. Um cálculo rápido desses recursos soma em torno de 4 bilhões de reais, quantidade suficiente para universalizar os serviços de ATER para os 4,2 milhões de Agricultores Familiares do Brasil.
Não se sabe ainda como será essa entidade, mas as últimas informações dão conta de uma composição entre as propostas do MDA e do MAPA. Ressalta-se que a proposta do MDA foi aprovada no Conselho Nacional de Desenvolvimento Sustentável [CONDRAF] e contemplam as propostas da CONTAG, ASBRAER e da FASER. Sua aprovação considerou a necessidade de mudanças na Lei Geral de ATER para atender, também, os agricultores de médio porte. Aqueles que passam um pouco dos quatro módulos, e por conta disso não recebem a atenção da ATER oficial. A ATER, que na Lei é “exclusivamente para a Agricultura familiar” passa a ser “prioritariamente”.
As informações mais recentes nos dizem que a ANATER será uma Agência com autonomia para fazer a gestão dos recursos de ATER dispersos nos diversos ministérios. Será administrada por um Conselho Gestor cujo formato e composição ainda não estão definidos. O presidente da CONTAG, Alberto Broch, alertou para a importância da participação das representações dos trabalhadores rurais e da ATER oficial neste conselho. Sugeriu para o Conselho Deliberativo da FASER, que devemos acompanhar e influenciar na sua composição. Uma análise atualizada nos diz que ele está certo. Agora é tempo de as representações da Agricultura Familiar, povos e comunidades tradicionais confirmarem sua voz e voto na entidade que vai decidir que ATER será feita, como e para quem – estamos falando de controle social, portanto, o conselho deve ter a grande maioria dos membros da sociedade civil.
Em tempo: presidente Dilma, a Senhora sancionou em  30 de abril de 2012,  a Lei 12.618, que criou a Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público/FUNPRESP; e em 15 de dezembro de 2011, a Lei 12.550, que criou a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares/EBSERH, duas empresas públicas para atender com eficiência, a primeira sociedade em geral, e a segunda aos servidores públicos federais. 
Segundo, o Ministério da Educação, a escolha do Regime Jurídico de Direito Privado para EBSERH foi porque “sua gestão exige um nível de agilidade, flexibilidade e dinamismo muitas vezes incompatíveis com as limitações impostas pelo Regime Jurídico de Direito Público próprio da administração direta e das AUTARQUIAS, especialmente no que se refere à contratação e à gestão da força de trabalho, o que tem acarretado distorções ao longo dos anos e vulnerabilidade jurídica”. Por isso, as empresas públicas: EMBRAPA, CORREIOS, PETROBRÁS, EPAGRI/SC, EMATER/DF, EMATER/MG, entre tantas, são exitosas e reconhecidas pelos agricultores e extrativistas, povos e comunidades tradicionais, academia e sociedade pelos serviços prestados.
Ademais, seu Zé e mais 4,3 milhões brasileiros, de donas Rosas, seus Onofres e filhos mesmo cultivando solos frágeis e degradáveis são responsáveis por mais de 70% dos alimentos produzidos no país, muitos desses em insegurança alimentar e jurídica; sobrevivem de improvisos, principalmente para estudar, morar, trabalhar, produzir e comercializar seus produtos e serviços. 

E para mudar de posição social, o exercício da dialética, do desinteresse mútuo, da cidadania igual e da liberdade individual de brasileiros como donas Zecas e Josefas, seus Chicos e Beneditos que juntamente com a disposição de suas representações em cumprir seus estatutos: CONTAG, FETRAF,  dos movimentos sociais: de mulheres, de homens, de jovens rurais, do MST, de quilombolas, de faxinalenses, de quebradeiras de coco, de fundo de pasto, de indígenas e outros que atuam nesta área de exigirem do governo federal serviços essenciais de qualidade e de eficácia comprovada: de Educação [inclusive no campo], saúde, segurança pública, inclusive o serviço de ATER pública como grandes contribuintes, dentre eles, os agricultores e extrativistas familiares, os povos e comunidades tradicionais.
Um serviço ineficaz de ATER também aumenta a desigualdade regional e social. E, a AUTARQUIA, a nosso ver, não é a ferramenta mais adequada para fazer a gestão do Sistema Brasileiro de ATER pela ótica da Teoria da Nova Gestão Pública. Portanto, entendemos que os agricultores e extrativistas familiares, os povos e comunidades tradicionais, principalmente os jovens rurais, e os profissionais das ciências agrárias, sociais, entre outros, devem aproveitar  lançamento do Plano Safra e indagar para a presidente DILMA ROUSSEFF: por que não podem ter um serviço de ATER de qualidade e eficaz, através de uma Empresa Pública de Direito Privado [vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário/MDA], e assim garantir que os objetivos da PNATER e do PRONATER sejam cumpridos?
Que Deus lhe ilumine.
Álvaro e Marcos






[1] Engenheiro Agrônomo, Doutor Interdisciplinar em Ciências Humanas, Coordenador Regional Sul da FASER
[2] Engenheiro Agrônomo, mestre em Desenvolvimento Sustentável, membro da Academia Brasileira de Extensão Rural/ABER, extensionista da EMATER/AL e professor da Universidade Estadual de Alagoas/UNEAL

[3]   tribunahoje.com, 21/set/2011
[4]   Censo Demográfico  2010
[5]  Conferência Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural
[6]  Federação Nacional dos Trabalhadores da Assistência Técnica e do Setor Público Agrícola do Brasil

domingo, 12 de maio de 2013

É habitualmente MENOS livre


Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

Por isso, é oportuno entendermos a degradação social vivida por seu Mané, dona Maria, sua família e tantos outros agricultores e extrativistas familiares, povos e comunidades tradicionais. E eles refletirem sobre como saírem dessa degradação; e entenderem sua relevância como produtores e consumidores de alimentos, fibras, [bio]energia, postos de trabalhos, rendas e tributos; enfim, e como cidadãos iguais e livres protagonizarem seu acesso e usufruto aos bens primários, objetivando seu bem-estar e da sociedade. 

Ressalte-se essa penúria: em Alagoas, mais da metade da população vive em pobreza [ganha até 1/2 salário mínimo], nessa condição, o agricultor-contribuinte, seu Chico. Está posta sua condição econômica. E, a sua condição social também é indesejável, pois os serviços sociais de saúde, segurança pública e educação [alto número de analfabetos] de tão frágeis acentuam a ineficácia dos governos municipal, estadual e federal em atendê-lo, em suas necessidades e demandas; seu lar precário reflete o abandono ao setor habitacional rural [déficit de 40 mil lares em Alagoas] pelos governos, sem financiamento nas mesmas condições do citadino [Exceção o Programa Nacional de Habitação Rural]; gera empregos informais e precários, e rendas baixas e instáveis, ainda usa a mão obra infanto-juvenil. O setor agrícola é o que mais usa essa mão de obra – uma afronta ao Estatuto da Criança e do Adolescente/ECA; e pelo baixo valor de suas aposentadorias e de suas bolsas-família, a família rurícola [avós, pais, filhos e netos] também recorre ao crédito da usura, oficial ou não para sobreviver. E termina por transferir continuadamente por anos o suor do trabalho da família à conta-corrente dos setores: industrial, comercial, financeiro e estatal.

Aliás, seu João e família, em sua propriedade degradam a paisagem, os biomas [água, terra e ar], e a degradação crescente desses potenciais é o resultado também da intensificação e mau manejo de práticas agrícolas – com perda de fertilidade, aumento de erosões e salinizações dos solos; pela contaminação dos solos e mananciais hídricos por adubos, agrotóxicos, lixos; e pela perda da biodiversidade, inclusive a genética –, e pela intensificação do consumo de produtos e serviços aplaca a fome do estômago de muitos e de uns poucos pela luxúria. O desrespeito às normas ambientais ajuda-os participar do mercado produtor e consumidor como à sobrevivência de muitos, inclusive em aterros sanitários. Ora um despautério, à ineficácia do Estado: da fiscalização do IBAMA e IMA às políticas de inclusão social e digital; da sonegação e da renúncia fiscal à ineficácia da pesquisa, da ATER, do crédito e da capacitação de agricultores, familiares e técnicos.
     
Contudo, o governo Estadual tem programa bem intencionado: Alagoas, Desenvolvimento com Bem-Estar Social, e seu Eixo Indústria e Agronegócio, anuncia as diretrizes: desenvolvimento integrado do agronegócio; garantia da assistência técnica e extensão rural e urbana com qualidade; promoção da agricultura familiar sustentável – por exemplo: Para isso o rio deve deixar de ser propaganda [Canal do Sertão, será preciso mais quantos anos para que a produtividade de todos os fatores promova renda líquida positiva para os agricultores e extrativistas familiares, dos povos e comunidades tradicionais, principalmente, dos 42 municípios] –; e, apoio ao processo de reforma agrária, mas o interesse em promovê-lo é pífio.

Nem o programa, nem o discurso encantou alguém, o que frustra dona Tercília e família, ávidos para melhorarem suas posições na distribuição da renda – 43% dos trabalhadores não têm renda, segundo o IPEA (Gazeta de Alagoas, 2010) – apesar da riqueza confirmada pelo avanço do PIB  – "Alagoas: PIB 2012 supera média nacional - Valor supera em cinco vezes e índices apontam crescimento maior que três estados do Nordeste" (Tribuna Independente, 13/abr/2013). Mas, Alagoas continua com os piores indicadores sociais e econômicos do País.   




[1] Engenheiro Agrônomo, mestre em Desenvolvimento Sustentável, membro da Academia Brasileira de Extensão Rural, extensionista da EMATER/AL e professor da Universidade Estadual de Alagoas/UNEAL.
  Blog: sabecomquemestafalando.blogspot.com

domingo, 21 de abril de 2013

Não é um faz de conta!..

 Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

Que as forças vivas da sociedade ao buscarem nos saberes autóctones e científicos, a identificação de princípios éticos estão motivadas a assumir compromissos mútuos, libertando-as da servidão e da vontade de explorar os fatores de produção, e do egoísmo.

Para tanto, as pessoas, as organizações e a sociedade assumem responsabilidade e elegem políticas públicas típicas de uma democracia, entre elas, a Educação, a Reforma Agrária, Código Tributário... que, de forma desinteressada, assegure o pensar, o desenvolvimento e o exercício das capacidades básicas, que é ter senso do que é justo e aquela de optar, de transformar e de possibilitar a execução de uma concepção de vida solidária à utópica ­­– dos princípios ecológicos, proposto por Capra (2002) [interdependência, parceria, cooperação, diversidade, flexibilidade, reciclagem, fluxo cíclico da natureza] aos bens primários [segundo Rawls (2002): autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos] – para qualquer sociedade, inclusive àquelas fora do alcance do modo de vida moderno. É possível, pois as condições materiais e imateriais existem.

A construção de novas realidades ecológicas, ambientais e sociais é necessária para liquidar a hierarquização e autoritarismo das relações sociais. Essa liquidação permitirá a abertura de diálogos de saberes, e o fluxo do conhecimento acontecerá com e para todos, com relevância para os estilos de vida rurais – em realce, o dos agricultores e extrativistas familiares, povos e comunidades tradicionais. Assim, o saber ambiental se constitui através da “desconstrução dos paradigmas dominantes do conhecimento e da produção e articulação de saberes: científicos e autóctones”, para Enrique Leff (2002).

Ainda é pouco relevante para terceiros, os espaços de vida das categorias rurais: do princípio da igualdade de oportunidades sociais, ecológicas, patrimoniais ­­às econômicas – “Alagoas apresenta queda na geração de emprego formal” [2].

Porém, a construção de novas realidades é uma das portas de entrada à percepção e compreensão de como funciona seu precário mercado, formal e informal; sua baixa participação na vida pública e política [sua liberdade individual e cidadania igual]; sua luta diária pela sobrevivência; sua ineficaz rede de proteção social [inclusive pelo serviço de pesquisa agrícola e extensão rural estatal e não estatal]; seu manejo inadequado ao solo e a água, aos insumos e as plantas, aos animais domesticados e a vida silvestre; seu temor às catástrofes naturais e aos mitos; sua complexa relação com os citadinos, é pressionando os estados e a sociedade para superar as barreiras impostas à vida rural; outra é exercitar a cidadania igual e a liberdade individual.

Ademais, princípios e metas estabelecidas são vitais para mitigar os danos ecológicos,  ambientais e culturais, as diferenças sociais e econômicas para garantir o acesso e usufruto dos recursos naturais e dos tributos [“Inflação da baixa renda avança em março”, diz FGV [3]; e assim evitar o colapso dos ecossistemas e das relações familiares e sociais. E ainda reconhecer que os quilombolas e índios devem estar protegidos desses impactos ­­– “Bancada ruralista pressiona para tirar poderes da Funai na demarcação de terras” [4] – PEC 215/2000 

Aliás, é dever da sociedade e do estado comprometerem-se em avigorar as liberdades fundamentais sincrônica e diacronicamente, inclusive às crianças e adolescentes do perigo de nascerem e habitarem lugares cujos ecossistemas podem não prover suas necessidades e aspirações ­­–  “Mapa da Violência 2013: 67,1% das vítimas por arma de fogo são jovens” [5].

O Congresso Nacional aprovou leis, medidas provisórias, normas nesse sentido. Implementá-las e fiscalizá-las daqueles que resistem os ventos da mudança é preciso. E a sociedade, os ambientes escolares, os veículos de comunicação, o sistema jurídico em especial devem estar a postos para pôr fora de perigo o cumprimento dessa legislação: Lei dos Crimes Ambientais, Estatuto da Cidade, Estatuto da Criança e do Adolescente,  entre tantas, com repercussões positivas para preservação e uso dos recursos naturais renováveis e não renováveis, para diversificação da economia [ganhos de produtividade e lucro], para o estado [arrecadação e distribuição dos tributos], e para a vida social [bem-estar com dignidade], inclusive dos rurícolas.  

O campo é o lugar para além da sustentabilidade da lógica familiar [terra, trabalho e família], é muito mais do que o arranjo citadino para promover o Código Tributário e a metodologia do IBGE, por exemplo. Esse arranjo é perverso com os rurícolas, com os agricultores e extrativistas familiares, com os povos e comunidades tradicionais; pois, o campo é a fonte de recursos naturais com finalidades: para alimentação, vestuário, moradia, energia, paisagem estética, indústria e mineração, inclusive aos citadinos; é o lugar onde a essência do estado da vida e de vida [desequilíbrio, temor, territorialidade, cooperação, autorrespeito, desinteresse, liberdade, afeto...], é mais vivido, é mais sentido pelos rurícolas - das relações dialéticas consigo e terceiros, e de suas relações com as espécies e o inanimado.

 ... O campo não é apenas um quadro de vida.



[1] Engenheiro Agrônomo, mestre em Desenvolvimento Sustentável, membro da Academia Brasileira de Extensão Rural/ABER, professor da Universidade Estadual de Alagoas/UNEAL

[2] www.eztraalagoas.com.br/2013/04/18/alagoas-apresenta-
[3] G1.globo.com/economia/noticia
[4] www.ecodebate.com.br/2012/04/15/bancada-ruralista-oressiona-para-tirar-poderes
[5] www.ecodebate.com.br/2012/04/15/mapa-da-violência-

domingo, 7 de abril de 2013

Quer ser GOVERNADOR?

Marcos Antonio Dantas de Oliveira

"Alagoas descumpre a LRF desde 2009" [1].

"Comissionados tomam conta do funcionalismo"[2].

"Esquistossomose ameaça 80% da população alagoana" [3].

Presos são algemados em motos – Policiais cobram soluções" [4].

Em Murici, dentro ou próximo da Área de Proteção Ambiental/APA, existe em média 15 pedreiras, todas sem o licenciamento ambiental, autorização do Exército e muito menos do Departamento Nacional de produção Mineral/DNPM [5].

“Contrato do Detran com empresa vira caso de polícia” [6]

“Fiscais denunciam ‘vista grossa’ da Sefaz com usinas – Empresas do setor sucroalcooleiro não são fiscalizadas desde 2008; prédios do Fisco em Alagoas funcionam sob risco constante de desabamento” [7]

Desabrigados da cheia de 2010 ocupam casas em Santana do Mundaú – “o governo nos prometeu que as casas seriam entregues em fevereiro de 2011 e não cumpriu. Depois mudou o prazo para fevereiro de 2012. Já estamos em 2013 e nenhuma casa foi entregue”, diz Clevivaldo Lúcio de Lima [8]. "MP aponta fraude no Programa da Reconstrução em Alagoas. Promotores citam irregularidades em cadastros e má distribuição dos imóveis; Nonô diz que não há prazo para entrega das 18 mil casas". http://gazetaweb.globo.com/noticia.php?c=337918&e=6

Canal do Sertão. “Depois de 20 anos de espera, a água chegou. É água para beber, pra plantar, pra tomar banho e pra deixar um sorriso estampado no rosto da nossa gente”, diz propaganda do governo federal e estadual [9]. Canal do Sertão: “agricultores usam água de forma improvisada”. “Plantamos milho na semana passada, mas a semente estava muito velha e não brotou. Então agora estamos cortando de novo a terra, para plantar feijão e milho para o São João” [10]. Depois da irrigação improvisada, da perda  das sementes, e do novo plantio por onde anda o serviço de Extensão Rural estatal e não estatal? Ah, os carros-pipa continuam abastecendo precariamente as famílias.

“Governo do Estado atrasa repasse de ração para alimentar animais”. “Prefeitos cobram doação de farelo para o Sertão” [11]. Em discurso o prefeito Jorge Dantas “cobrar as iniciativas do Governo do Estado para concretização das ações paliativas ocasionadas pelo efeito da seca” [12]. Convém lembrar que os agricultores com propriedades nos limites do semiárido também já registram escasso suporte forrageiro e água [baixíssima qualidade nutricional e potabilidade], baixíssima produtividade de leite e carne, mortes de animais, contas para pagar a credores, inclusive aos bancos; estão descapitalizados.

Em Alagoas, “mais de três mil pequenos produtores estão ameaçados de não receber pelo leite já entregue nos últimos dois meses”. Porque o  “Ministério do Desenvolvimento Social ainda não publicou o convênio que autoriza um novo preço para o programa local o no Nordeste” [13].

O preço pago ao agricultor pelo Programa de Distribuição de Leite do governo federal de R$ 1 pelo litro de leite é muito abaixo do custo de produção. Ressalta-se a apatia dos agricultores familiares a esse Programa que já vem com um preço defasado desde 2010, e assim confirma sua penúria social; por outro lado, são as estruturas, a montante e a jusante da produção agropecuária, que ganham muito dinheiro nesse negócio. Nesse sentido, o agricultor familiar é um grande transferidor de renda à conta-corrente dos setores econômicos dominantes: o industrial, o comercial, o financeiro e o estatal.

Na Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE: “64,5% dos alagoanos não têm acesso aos serviços básicos, 71,2% moram em casas sem esgotamento sanitário ou fossa séptica e num universo de 380 mil jovens, cerca de 110 mil não trabalham, nem frequentam a escola. Além disso, mais da metade da população vive abaixo da linha da pobreza”[14].

Fundo de combate à pobreza é ‘caixa-preta’ em Alagoas – nos últimos sete anos foram arrecadados R$ 252.829.471,90. “Recursos são investidos em projetos sociais, mas não sabe o resultado alcançado”  [15].

“Se Alagoas, fosse uma empresa e o alagoano, seu acionista, cada cidadão que vive neste Estado teria uma dívida de mais de R$ 2,7 milhões” [16].

Alagoas, um estado rico que continua com os piores indicadores sociais do Brasil [mais da metade da população é pobre]. Portanto, é preciso uma ação política nos espaços públicos dos rurícolas, agricultores e extrativistas familiares, povos e comunidades tradicionais, principalmente dos jovens rurais, e dos citadinos [enquanto cidadãos iguais e livres] para avançarem no acesso e usufruto dos bens primários – e segundo Rawls (2002) são eles: autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos.






 [1] Gazeta de Alagoas/08/jan/2013
[2] Tribuna Independente/24/mar/2013
[3] Tribuna Independente/06/jan/2013
[4] Gazeta de Alagoas/08/jan/2013
[5] O DIa Alagoas/17 a 23/mar/2013
[6] Gazeta de Alagoas/03/mar/2013
[7] Gazeta de Alagoas/31/mar/2013
[8] Gazeta de Alagoas/04/abr/2013
[9] Tribuna independente – publicidade/24/mar/2013
[10] Gazeta de Alagoas/31/mar/2013
[11] Gazeta de Alagoas/19/mar/2013
[12] Tribuna independente/21/mar/2013
[13] Gazeta de Alagoas - rural/05/abr/2013
[14] Gazeta de Alagoas – mercado Alagoas/31/mar/2013
[15] Gazeta de Alagoas/31/mar/2013
[16] Gazeta de Alagoas – mercado Alagoas/31/mar/2013















domingo, 24 de março de 2013

BEM-TE-VI

Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

Promessa é dívida:

“Os agricultores do município de Canapi, no Sertão de Alagoas, ainda não receberam o farelo de milho e de soja para alimentação animal, promessa feita pelo governo do estado numa reunião ocorrida logo após o carnaval” [2].

Ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, “diz que transposição do Rio São Francisco termina em 2015” [3].

“Dilma Rousseff disse que a meta de seu governo é levar água do canal até a cidade de Arapiraca” [4]. No entanto, depois de 20 anos, dos 250 km previstos, 65 km do canal do Sertão foram inaugurados pela presidente Dilma e comitiva, em 12 de março, ao custo de cerca de R$ 15,3 milhões o km [com R$ 15,3 milhões compra-se cerca de 510 carros populares, ou faz-se 510 casas pelo Programa Nacional de Habitação Rural do governo federal. O déficit habitacional na zona rural de Alagoas é de 39.917 moradias (Ministério das Cidades, 2005)]. E Dilma prometeu mais 1,1 bilhão para 3ª e 4ª etapas com mais 45 km [5]. Aliás, os moradores do Sertão e do Agreste não devem deixar essa promessa vira anedota.

Enquanto isso, no Semiárido, em Palmeira dos Índios, AL: “ao lado da Barragem do Bálsamo, um buraco feito para desviar água denuncia que alguns fazendeiros decidiram não esperar por uma solução do poder público” [6].

Mas só uma certeza anima o sertanejo penitente, ele continuará rezando para que São José não o abandone de vez.

Será que São José está no começo de mandato, pois as chuvas não chegaram?

No Brasil, principalmente no Nordeste, famílias inteiras, principalmente os jovens, continuam migrando, ainda em êxodo rural, em resposta a sua situação de penosidade social e política; e agora, nas cidades ocupam lugares e ‘ganha pão’ insalubres e perigosos, ora como catadores de lixo e ou na prostituição e no tráfico de drogas, principalmente as crianças e adolescentes, e ora como cortadores de cana de açúcar – em Alagoas do ex-canavieiro Antônio Sabino: “Deus me livre voltar a cortar cana” [7], soluções para suas vidas indignas.

Assim famílias inteiras, em Alagoas, no Nordeste e no Brasil, continuam sua luta [uma ação política] pela posse da terra, da água, da segurança alimentar, da dignidade.

Ademais, para a melhoria das condições de vida desses rurícolas em seus municípios e regiões de origem é vital sua participação, um diálogo livre entre cidadãos iguais; “o diálogo, como encontro dos homens para a ‘pronúncia do mundo’, é a condição fundamental para a sua real humanização”, afirma Paulo Freire [Pedagogia do oprimido]. E ao contrário do que pensa os indivíduos, a esperança longe de ajudá-los a viver melhor, faz-lhes perder o essencial de suas vidas, no presente, a dignidade.

Doravante, o diálogo para a pronúncia do acesso e usufruto dos bens primários deve ser a prática dos rurícolas – dos agricultores e extrativistas familiares [quilombolas, caboclos, índios...], no que diz respeito às ações do Estado para diminuir a degradação ecológica, o êxodo rural e agrícola e a pressão demográfica nas cidades; e para garantir a ocupação do território com acesso a terra e a água, a segurança alimentar, o emprego e a renda decentes e legais, a escolaridade – “Alagoas gasta mais em diárias do que para erradicar analfabetismo” – “Em 2010, o montante chegou a R$ 16 milhões, valor é 11 vezes superior à quantia gasta no programa de Educação de Jovens e Adultos”  [8].

Aliás, o rurícola além de fornecedor de alimentos, fibras, energia e de mão-de-obra e transferidor de renda para a indústria, o comércio, o banco, e o Estado pode atrair visitantes tanto pela paisagem estética dos biótopos e biótipos como pelo seu vital e exuberante patrimônio imaterial. Para acontecer, é preciso que esses moradores garantam acesso às políticas públicas de financiamento de lavouras e criações, de pequenos comércios, de moradias e seguros, de rendas não produtivas e outras políticas ligadas aos serviços de educação, saúde, segurança pública, pesquisa agropecuária e extensão rural, ecoturismo, por exemplo; e assim dispor para consumo familiar, produtos e serviços saudáveis como para oferecê-los aos consumidores citadinos, como resultante da ação coletiva de cidadãos que dialogam sobre interesses privados e negócios públicos.

Essas políticas são fundamentais para sobrevivência dos rurícolas, para preservação, conservação e uso da biosfera e biomas como para os padrões de consumo de sociedades motivadas a atuarem no presente pelos princípios ecológicos, exaltados por Capra: diversidade, autonomia, interdependência, cooperação, flexibilidade; e garantam que os bens primários, proposto por Rawls: liberdade, riqueza, renda, autorrespeito, inteligência... sejam exercitados por todas as mulheres e homens em qualquer lugar, sincrônica e diacronicamente, permitindo-lhes melhorar suas posições sociais ao participar ativa, interativa e coletivamente do debate na esfera pública.

Melhorias no campo dependem de um esforço enorme de seus moradores-contribuintes-agricultores para dialetizar os debates, os embates, as escaramuças, ora postas, para entender como os mecanismos do desenvolvimento sustentável – durável [investimento, incorporação de mão de obra e ganhos de produtividade, controle dos recursos naturais e dos tributos, justiça social] e sua complexa rede de dimensões: ecológica, social, econômica e política podem no presente alterar sua crítica penosidade multidimensional.

E como rurícolas, homens e mulheres, cidadãos iguais e livres, ajam e reajam às proposituras hierarquizadas autoritariamente por agentes econômicos e do Estado que interferem sistematicamente para piorar suas vidas – com inacessibilidade aos bens primários.

Em tempo: Bem-te-vi é uma ave da família dos tiranídeos de nome científico Pitangus sulphuratus. Considerado um dos pássaros mais populares do Brasil, é um dos primeiros a vocalizarem ao amanhecer. Por isso, rurícolas, agricultores e extrativistas familiares [povos e comunidades tradicionais] amanheçam vocalizando sobre seu acesso e usufruto aos bens primários.  E indaguem-se,  sou sujeito da história?



[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável, membro da Academia Brasileira de Extensão Rural/ABER, extensionista da EMATER/AL, professor da Universidade Estadual de Alagoas/UNEAL  e membro do Comitê Permanente de Juventude Rural do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável/CONDRAF
[2] Gazeta de Alagoas/19/mar/2013
[3] www.senado.leg.br/jornal/14/mar/2013
[4] Tribuna do Sertão/18/mar/2013
[5] Tribuna do Sertão/18/mar/2013
[6] Gazeta de Alagoas/03/mar/2013
[7] Gazeta de Alagoas, 27/fev/2011
[8] Extraalagoas.com.br.noticia, 24/jan/2011

domingo, 10 de março de 2013

QUERO meu bônus felicidade

Marcos Antonio Dantas de Oliveira

O Brasil está perdendo cerca de "14 bilhões de dólares anuais com o venda do NIÓBIO [o Brasil tem 98% das jazidas"] [1].
No Brasil, "a corrupção drena anualmente dos cofres públicos a gigantesca quantia de 85 bilhões de reais" [2]. A "corrupção em Alagoas desvia R$ 738 milhões em sete anos" [3].
Duas riquezas públicas entre tantas importantes [Nióbio e Imposto] para promover o bem-estar, o bônus felicidade, estão nas mãos de poucos brasileiros e alagoanos.
“Brasileiro teria de ganhar R$ 300 mil por ano para ser feliz”; “80% acreditam que dinheiro traz felicidade” [4].
Estão felizes em Alagoas, juízes e procuradores que ganharam um bônus milionário – “bônus natalino custou mais de 20 milhões aos cofres do Tribunal de Justiça do Estado” [5]. Esses vivem uma rotina secular garantidora de bem-estar com dinheiro do contribuinte.
E estão infelizes os extrativistas familiares da Amazônia que com a coleta de murumuru "garantem um ganho extra por ano de cerca de R$ 3.200" [6]; os agricultores familiares brasileiros, que em maioria produzem para o autoconsumo – “Somente as classes de área igual ou superior a 200 hectares oferecem remuneração superior ao salário mínimo” (ALVES et al., 2006); e os catadores de lixo de Pilar, em Alagoas, que fazem por semana R$ 60 [7].
Brasileiros, extrativistas, agricultores e catadores de lixo – esses contribuintes – vivem uma rotina secular de miséria [Regressividade da tributação faz com que os mais pobres paguem mais impostos], pois continuaram invisíveis ao artigo 6º da Constituição Federal – São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desemparados. Registre-se também o presente mas, em geral, ineficaz serviço de pesquisa agrícola e ATER [estatal e não estatal] e o baixo volume total e per capita do crédito rural destinado a essas categorias.
Um despautério: A secular vida difícil dos agricultores e extrativistas familiares [dos povos e comunidades tradicionais] e do rebanho nordestino, está potencializada nesta seca, a 72ª seca; contudo as ações do estado brasileiro continuam emergenciais e ineficientes, em Alagoas:
Barragem [do Bálsamo em Palmeira dos Índios] está abandonada em Alagoas há anos; "projeto de irrigação no interior esbarra na morosidade excessiva do Estado" [8].
"O Estado demora sete meses para construir cisternas" [9] – o governo tem depositado em sua conta, R$ 25 milhões desde julho de 2012, dos R$ 43,3 milhões do convênio com o MDS.
A Desenvolve anunciou em Santana do Ipanema, a linha de crédito, "Desenvolve Sertão, para atender todos os produtores rurais e pequenos empresários da região – disponibiliza R$ 15 mil por contrato com juros de 0,75 ao mês" [10]; este alto percentual caracteriza juros da usura, pois, a inflação de 2012 foi de 5,84% ao ano. E outro agravante: essas categorias estão falidas.
“Por conta do desastre que a seca está causando na região canavieira de Alagoas, vamos lutar por uma nova subvenção”, de R$ 5 por tonelada para R$ 10. “Precisamos também que o governo do estado de alagoas promova ações em defesa do fornecedor da cana na mesma proporção que o de Pernambuco”, cobra presidente da Asplana, Lourenço Lopes [11].
Governador Teotônio Vilela "chama Bolsa Família de esmola" [12] – o programa atende a 16 milhões de famílias e injeta na economia do estado 400 milhões, quase três vezes mais a economia gerada pelas usinas de cana de açúcar, 150 milhões de reais.
“Usineiros são beneficiados com isenção de impostos – Estado deixará de arrecadar cerca de R$ 60 milhões por ano só de ICMS do álcool” [13].
Secretaria Estadual da Fazenda [SEFAZ] "garante que há aumento na arrecadação" [14]. O Estado brasileiro arrecadou em 2012, cerca de R$ 1,5 trilhão em impostos. Tanto dinheiro!
É de sua conta saber como cidadão igual e livre, por que tanta miséria, principalmente, no lugar rural?
E uma notícia surreal: governo federal anuncia que em abril não existirá mais miserável [renda acima de R$ 70,00 per capita] no país – E para todo aquele que ganhou em fevereiro abaixo de R$ 2.743,69 [abaixo desse valor, segundo o Dieese não atende ao artigo 7º da Constituição], o bônus felicidade seja real.




[1] http://www.jornalpopulacional.com.br/index.php/component/k2/item/1700-ni%C3%B3bio-o-metal-que-s%C3%B3-o-brasil-fornece-ao-mundo
[2]   Revista Veja, 26/out/2012
[3]   Gazeta de Alagoas,11/jul/2012
[4] Tribuna Independente/23/12/2012
[5] www.extralagoas.com.br/28/02/2013
[6] G1.globo.com/natureza/noticia//2013/02/coleta-de-murumuru
[7] Tribuna Independente/24/02/2013
[8] Gazeta de Alagoas/03/03/2013
[9] Gazeta de Alagoas/28/02/2013
[10] Tribuna Independente/28/02/2013
[11] Gazeta de Alagoas – Gazeta Rural/21/12/2012
[12] Gazeta de Alagoas/03/03/2013
[13] www.extralagoas.com.br/08/1/2012
[14] Gazeta de Alagoas/05/03/2013