segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O 'dono-cooperado’ longe da prosperidade

Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

O 'dono-cooperado’ deve observar no seu negócio, quais forças causam ameaças e quais as solucionam, e assim viabilizar o planejamento, a gestão, a tomada de decisão, para alavancar sua liberdade individual – e argui Charles Howarth, pioneiro de Rochdale: preferia renunciar a todas as suas vantagens, si, para consegui-las, se tivesse de attendar contra o princípio da liberdade”. Um outro detalhe: Rochdale “elegia semestralmente um presidente, um tesoureiro e um secretário”.

Por aqui, via de regra, os ‘donos-cooperados’, não praticam esses dois relevantes e oportunos princípios, consequentemente, a prosperidade e o bem viver não se realizam; e com efeito, mantêm-os em uma vida precária juntamente com suas famílias. 

Sem dúvida, uma ameaça danosa, é o menosprezo do ‘dono-cooperado’ por sua cooperativa, pois a inviabiliza por não compartilhar a estrutura organizacional –recursos, processos e valores – na sua formação educativa; no baixo número de cooperados, alta inadimplência e fracasso do edital de convocação com baixo número de presentes; na baixa credibilidade institucional face a onipresente relação de compadrio; na ausência de planejamento, gestão estratégica e de um plano de comunicação interna integrada ao marketing; enfim, é presidida por um dirigente-chefe, aquele que troca favores.

Anular o menosprezo dos ‘dono-cooperado’ por sua cooperativa é vital. Essa, tem estrutura sistêmica e normas estabelecidas e divulgadas, por isso, o ‘dono-cooperado’ é capaz de solucionar essa problemática: 1) usar os princípios ecológicos (o estudo da casa) e econômicos, (o manejo da casa) para garantir que o ‘dono-cooperado’ use as ferramentas gerenciais no planejamento, gestão e tomada de decisões na execução dos objetivos e metas convergentes; 2) ofertar bens e serviços de qualidade, funcionais, convenientes e confiáveis a preços correntes pelo conceito de valor para o consumidor; 3) alavancar a ética, o ativismo, a prática cooperativa para o sucesso da ideia de negócio – visão de futuro, missão, valores; e 4) escolher dirigente-líder que compartilhe funções com o ‘dono-cooperado’ é salutar para operarem um plano de negócio exitoso. 

Tal êxito está na atuação do dirigente-líder – aquele que usa a autoridade, para o “controle ou influência sobre o comportamento de outros para a promoção de  metas coletivas, com base em alguma forma verificável de consentimento destes outros em razão de estarem informados dessa situação” (Bernardes).

Nesse sentido, possibilita alavancar o Desenvolvimento Sustentável – quer se dar quando “o indivíduo que, baseado no seu juízo de valor, age numa ordem espontânea e, no exercício do estado de Direito, cria uma ideia de negócio – uma organização social em cooperação propositada com outros – escolhe, satisfeito suas preferências temporais, individuais e coletivas. Utilizam o talento, a habilidade e a competência para decidir como preservar e utilizar, com eficiência, os fatores de produção e tributos; transforma-os bens e serviços funcionais, convenientes e confiáveis e, com eficácia, oferece-os no livre mercado, pautado no conceito de valor do consumidor, para bem vivenciar seus valores" 

Logo, os 'donos-cooperados’ são os construtores da ideia de negócio vis-à-vis à preservação e o uso dos fatores de produção por gestão baseada nos princípios cooperativistas e gerenciais nos ambientes públicos e privados, criem e partilhem ciclos virtuosos que gerem oportunidades para seu negócio pela ágil interação: computador-internet-dispositivos móveis de banda larga; pelo aumento poupança e nível de investimento; pela eficiência, resguardem a segurança jurídica, os recursos naturais e inovem nos bens de capital; capacite-os para que sua visão de futuro, missão e valores impulsionem seu negócio, à prosperidade e o bem viver dos ‘donos-cooperados’, stakeholders e outros, podem alegrá-los.

 

 



[1]  Mestre em Desenvolvimento Sustentável e professor da UNEAL, 

sexta-feira, 31 de julho de 2026

A liberdade individual e o estado de Direito

        Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

É um fato. E a solução, diz Hayek: "o indivíduo tem liberdade de decisão e é solicitado a sacrificar voluntariamente as vantagens pessoais à observância de uma regra moral”. Pois, nalgum momento, pensa e age sempre na afirmação de seu eu, é o princípio vital para existência de sua prática na justa medida. Logo, alavanca o Estado de Direito, o Desenvolvimento Sustentável e seus propósitos de vida, para o êxito da ideia de negócio quanto a preservação e uso dos recursos naturais, bens de capital e consumo de bens e serviços para seu bem viver e de outrem.

Pensar, agir e resolver, sobretudo, são sentimentos naturais e imperiosos para os rurícolas: homens e mulheres, crianças, jovens e adultos, independentes de sua pouquíssima riqueza e renda privadas, mesmo que usem os fatores de produção para manter suas lógicas familiares, suas relações de compadrio e suas preferências temporais; nesses casos, pela carência de alimentação, vestuário, moradia, educação, políticas públicas e renda degradam biótopos, biótipos, biomas. 

E por um Estado coercitivo que atua ausente de suas funções básicas: proteger à individualidade, liberdade e propriedade, apesar de arrecadar muito imposto, R$ 2,43 trilhões, o distribui mal e presta serviço de má qualidade e caro: de educação, saúde, segurança pública e jurídica. E os juros altos abre caminho à recessão - https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2026/08/05/selic-a-14-frustra-industria-anima-comercio-e-acende-alerta-de-recessao.ghtm

É a contínua ação estatal posta, por anos a fio, que gera desigualdade econômica, social e outras. E só é rompida pela ação dos indivíduos éticos e suas instituições inclusivas, política e econômica, sob uma ordem espontânea, normas de conduta justa, governança eficiente (privada e estatal) e governo limitado.

Tampouco, a Lei nº 11.326/2006 – ao estabelecer as diretrizes da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais não consegue minorar o seu caráter político-ideológico, uma espoliação legal, que contamina o entendimento sobre a heterogênea agricultura familiar como atividade econômica geradora de empregos, rendas, prosperidade e bem viver; por isso, continua sem atender às necessidades básicas da grande maioria desses beneficiários

Dito isso, esses beneficiários têm alto número de analfabetos; é elevado nível de descapitalização e endividamento bancário; é comum, a insegurança jurídica, a gestão precária, o custo de produção que não remunera a mão de obra familiar; o uso de tecnologia de baixa produtividade, o não uso da interação computador-internet-dispositivos de banda larga, a incapacidade de repor os bens de capital, a sazonalidade de um mercado de poucos serviços e bens, e a ineficiência do serviço de ATER; um serviço sem visão de futuro; e seus planejadores, estatal e da iniciativa privada, ainda anulam suas preferências temporais, individual e coletiva, e dessas pessoas; que sem motivações, não solucionam suas necessidades básicas, nem alavancam seus propósitos de vida. Um caso de insucesso é a EMATER/AL, e um caso de sucesso é a EPAGRI/SC – leia seu balanço social: https://www.epagri.sc.gov.br/balancosocial/2024/

Ora, a atuação ineficiente das empresas de ATER, via de regra, a privada sem capital suficiente para atender os clientes e a pública esquecida pelo governo estadual estão em penúria, não oportunizaram o empreendedorismo para a maioria dos 3,9 milhões de agricultores familiares (em Alagoas, 82 mil) continuam com renda de até 0,5 salário mínimo; então não há êxito do empreendedor, nem do contratado, que empobreceram, porque não conseguiram acumular a renda do capital, e muito mal acumulou a renda do trabalho, isto é, acumular riqueza e usá-la. Essas pessoas, segundo o Conceito Estatístico do Décimo, estão entre os 50% da base da distribuição de renda na pirâmide social pela “deficiência de impulsos e preferências pessoais”, ecoa Mill.

E o indivíduo liberto, pensa, age e resolve os assuntos: privado e estatal, sob o estado de Direito.



[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável e professor da UNEAL

terça-feira, 30 de junho de 2026

É-nos oportuno a prática da ética

Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

E de maneira constante, a obediência ao não obrigatório. Logo, ”num mundo já ocupado, se sua família não possui meios de alimentá-lo ou se a sociedade não tem necessidade de seu trabalho, esse homem, repito, não tem o menor direito de reclamar uma porção qualquer de alimento: está em demasia na terra. No grande banquete da natureza, não há lugar para ele. A natureza lhe ordena que se vá e ela mesma não tardará a colocar essa ordem em execução...“, tal como observou Thomas Malthus, em 1798. Bem como alardeou Paul Ehrich, em 1968: "Precisamos diminuir a população do mundo, ou vamos chegar ao colapso da população global. Não é possível ter sustentabilidade com aumento da população". Mas “o mais grave perigo que hoje ameaça a civilização é a intervenção do Estado”, ecoa Ortega y Gasset  https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/07/datafolha-65-dos-brasileiros-dizem-que-depender-menos-do-governo-melhora-a-vida.shtml

Por certo, essas previsões alarmantes foram superadas, a primeira pela alta magnitude e relevância da revolução industrial com o uso de inovações que provocaram transformações, que impulsionaram à produtividade de todos os fatores, as relações de trabalho com avanços nos direitos trabalhistas e políticos e os meios de transporte, comunicações e escolaridade; e alavancaram a expectativa de vida.

Logo, as previsões catastróficas de Thomas Malthus, no século XVIII, e de Paul Ehrich, no século XX, foram frustradas pelas soluções: uso de inovações na produção agrícola, industrialização, transporte e comércio que aumentaram à produtividade de todos os fatores, a reposição de bens de capital e o lucro pela preservação e uso dos recursos, processos e valores; e no livre mercado pelo consumo de bens e serviços funcionais, convenientes e confiáveis, gerou prosperidade e bem-estar,

Como bem disse o construtor da revolução verde e prêmio Nobel da Paz, o Agrônomo Ernest Norman Borlaug –– essas soluções diminuíram a ameaça catastrófica da fome mundial. Agora, o problema é de distribuição – https://www.youtube.com/watch?v=1GRpP8iJMC0

No Brasil de 1975, a produção de grãos era de 40 milhões de toneladas de grãos, era um importador de alimentos; Para 2025/26, a safra de grãos está estimada em 358,6 milhões de toneladas.

Os geradores de riqueza como pagadores de impostos e consumidores de bens e serviços, principalmente, agricultores familiares (e representações) analfabetos e descapitalizados, ora pelo apático exercício do Estado de Direito e do político nos espaços públicos e privados precarizam seu modo de vida: social, econômico e ecológico. E nesse mundo globalizado, mesmo com a onipresente e acessível interação computador-internet-dispositivo móvel de banda larga, via de regra, os indivíduos têm dificuldades de acesso às TICs, segurança jurídica e pública e serviços de saúde, educação e outros; tampouco têm acesso aos bens de capital, resultando em produtividade e renda baixas, que não os permite prosperarem e usufruírem de bem viver.

E em êxodo, os jovens interrompem, em geral, a sucessão familiar – O Brasil perde o bônus demográfico. Agora, os idosos continuam em viés de alta na atividade agrícola. Em caos, o serviço estatal de extensão rural, pesquisa agrícola e abastecimento é ineficiente e caro, pelo baixo número de agricultores atendidos; e a pouca fiscalização do CREA repercute na atividade agropecuária e nas contratações de engenheiros e outros.

E afirma Bastiat: “se cada homem tem o direito de defender – até mesmo pela força – sua pessoa, sua liberdade e sua propriedade, então os demais homens têm o direito de se concertarem, de se entenderem e de organizarem uma força comum para proteger constantemente esse direito”.

"Segue-se que nenhuma das instituições numerosas e demasiadamente admiradas que, nas repúblicas antigas, obstruíam a liberdade individual seja admissível nos tempos modernos" (Henri-Benjamin Constant). E que o indivíduo pratique a ética, invariavelmente, para protagonizar e organizar a lei, a instituição inclusiva (política e econômica), o governo limitado, a eficiente governança (corporativa e pública) para sua prosperidade e o bem viver.

 

 



[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável e professor da UNEAL

domingo, 31 de maio de 2026

O indivíduo, um ser livre e de propósito!

Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

No entanto, pode tornar-se um desaparecido. E assim agir como se fosse “um membro de uma comunidade de formigas ou cupins governados por um instinto hereditário e controlados pelas leis de um todo superordenado”, argumenta von Bertalanffy.

Então, quem sou como indivíduo? Como observo e pratico minhas virtudes e vícios, se a maioria dos mais 8 bilhões de habitantes sobrevivem sem praticar sua liberdade espontânea e imprevisível. E questionando-me como espécie? O que é progresso, preferência temporal, individual e coletiva, poder estatal, poder social, norma de conduta justa, ética. Em suma, civilização é o quê?  

Sobretudo, porque sua experiência de vida significa que “a liberdade concedida apenas quando se sabe de antemão que os seus efeitos serão benéficos não é liberdade”, ilustra Hayek – a liberdade espontânea não é uma decisão de especialista, é ética, por isso, o indivíduo a deseja. E faz sentido que o estado de vida e da vida, via, por regras voluntárias entre os indivíduos, apenas enquanto, a lei for “a organização coletiva do direito individual em legítima defesa”, incita Bastiat; pois, “o mais grave perigo que hoje ameaça a civilização é a intervenção do Estado”, ecoa Ortega y Gasset.

O indivíduo, por certo, ao compreender o estado da vida e de vida na bacia hidrográfica cria negócios, inova no planejamento, gestão e oferta bens e serviços funcionais, convenientes, confiáveis e úteis a preços concorrentes aos consumidores. E como observa e compartilha tendências e cenários organiza e melhora as trocas desiguais ecológicas e econômicas sob regras formais e informais em condições favoráveis para alavancar o progresso abrindo mão voluntariamente de algumas delas, em favor de regras que vêm sendo aperfeiçoadas por milênios, em destaque as experiências e diálogos como exercícios da liberdade imprevisível em contínuos processos de aprendizagem, desaprendizagem e reaprendizagem sobre os princípios ecológicos (o estudo da casa) e os fundamentos econômicos (o manejo da casa), assegura-lhe uma vida confortável pela concretude de suas preferências temporais.

O indivíduo, por necessidade e oportunidade, pensa, dialoga, age, planeja, gere e negocia estrategicamente o uso dos fatores de produção e bens de capital, da tecnologia e inovação, do livre mercado de bens e serviços e do lucro, ora em condições espoliadoras, dia a dia, pelos altos impostos cobrados pelo governo e pela constante intervenção do Estado e dos stakeholders. Então decide, via de regra, pelos seus juízos de valor, os objetivos realizáveis sobre sua prosperidade e bem viver ao primar pela eficiência, eficácia e ótima qualidade da produção e consumo; e melhora a cooperação, a troca, a ordem espontânea e a realidade ampliada, estimula o progresso e suas preferências temporais, individual e coletiva. É o indivíduo que pensa e age como uma força motriz, protege, conserva, usa, inova, produz, especializa, armazena, consume, intercambia e otimiza ideias em abundância e bem-estar em ascendência, garante-lhe, usufruir à riqueza privada e a pública, e torna-o próspero e liberto.

Sem dúvida, exige do indivíduo, um propósito de vida que protegido por norma de conduta justa promove e alavanca o Desenvolvimento Sustentável – “o indivíduo que, baseado no seu juízo de valor, age numa ordem espontânea e, no exercício do estado de Direito, cria uma ideia de negócio – uma organização social em cooperação propositada com outros – escolhe, satisfeito suas preferências temporais, individuais e coletivas. Utilizam o talento, a habilidade e a competência para decidir como preservar e utilizar, com eficiência, os fatores de produção e tributos; transforma-os bens e serviços funcionais, convenientes e confiáveis e, com eficácia, oferece-os no livre mercado, pautado no conceito de valor do consumidor, para bem vivenciar seus valores" (OLIVEIRA).

Ah! O indivíduo (o consumidor) ao compartilhar experiências, leituras e filosofias sobre a liberdade, pensa, age e usa o instinto (liberdade e ação) e a razão (controle e previsão) para prover suas necessidades e autorrealizações: comida, água, abrigo, troca, produção, consumo e aprender a viver, entre outras, e assim escolhe suas preferências temporais, individual e coletiva, ora poupa ou consume, em ambiente privado e público; logo, estimula as instituições inclusivas, econômica e política e, em uma ordem espontânea impulsiona o livre mercado e o Estado de Direito pela eficiente cooperação, troca e interação pacíficas nessa era digital acessível e onipresente; certamente, pela ação advinda da liberdade imprevisível e de seus valores: razão, motivação, propósito, ética – é uma ação proposital.

 

 



[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável, professor da UNEAL, articulador do sabecomquemestafalando.blogspot.com e da Tribuna Independente de Maceió/Alagoas


  

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Se está ruim, pode piorar

 Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

Há dezenas de milhões de brasileiros espoliados, destaco os beneficiários da Lei 11.326/2006, e adianto que todos sobrevivem numa contínua violação do estado de Direito. Esse mal-estar é agravado pelo Estado patrimonialista – pelos interesses privados dos agentes públicos e interesses públicos dos agentes privados – pela insegurança jurídica e alto imposto regressivo; a malversação do dinheiro público pelos governantes e suas bem-sucedidas políticas públicas clientelistas, é contra o bem viver do indivíduo advindo de normas de conduta justa e governo limitado. O Estado condena dezenas de milhões deles, vivem em privação diária, espoliados legal e ilegalmente; enquanto, os privilegiados usufruem de ambas.

Suas ausências como pagadores de impostos no debate público, via de regra, nas audiências públicas do PPA, LDO e LOA, federal, estadual, distrital e municipal; aponta para uma necessária e oportuna ação proposital do agricultor em resolver suas necessidades, como prosperar e bem vivenciar à vida.

É comum: pela renda (em geral, abaixo de um salário mínimo), o elevado nível de descapitalização e endividamento bancário; e de maioria analfabeta, esses beneficiários (e estamos perdendo uma vantagem competitiva, o bônus demográfico) não usam com frequência a interação: computador-internet-dispositivos móveis de banda larga de qualidade. Sucede que o uso de tecnologia de baixa produtividade, o ineficiente planejamento e gestão; sua visão sem prazo, bem como a de curto prazo dos planejadores, estatais e privados; sobretudo, pelo caráter político-ideológico da Lei 11.326, uma espoliação legal, que contamina os juízos de valor e o entendimento sobre agricultura familiar como atividade econômica geradora de emprego, renda, prosperidade e bem viver. 

E aqueles afetados por uma Reforma Agrária pífia, por não considerar o módulo rural e a composição familiar como critérios de acesso à terra; e pela baixa qualidade do serviço de pesquisa agrícola e extensão rural, estatal e privado, expõem suas precárias atuações, principalmente no Norte e Nordeste.

Ora, os agricultores, ou quaisquer outros indivíduos, que estão entre dezenas de milhões de pessoas que ganham até 3 salários mínimos, têm uma vida precária. E essas pessoas pagam 53,79% (IBPT) de impostos sobre sua renda; que, via de regra, pagam muitos impostos e recebem serviços ruins de segurança jurídica e pública, educação, saúde, pesquisa agrícola e extensão rural, por exemplos. De todo modo, não há ações desses beneficiários e de suas representações em prol da contínua melhoria, eficiência e eficácia na qualidade dos tais serviços. O Brasil, entre os piores na devolução dos impostos.

Por ora, esses agricultores familiares buscam a cooperação e troca pacíficas; empregam a pouca tecnologia que dispõem para preservarem, usarem e remediarem os fatores de produção; tampouco otimizam os bens de capital, logo, a produção e o consumo são baixos; e pagam muitos tributos; assim não realizam suas preferências temporais, individual e coletiva; pois, sua riqueza  privada é pouca e a pública é quase indisponível; longe do estado de Direito não usufruírem de direitos inalienáveis – individualidade, liberdade, propriedade – e longe de bem vivenciar seus valores.

Essas causas repercutem negativamente na capacidade organizacional dos agricultores e empreendedores, que cientes das necessidades de melhorarem seus conhecimentos, habilidades, competências, talentos e atitudes, para decidirem sobre recursos, processos e valores, que baseadas na excelência da ideia de negócio gerenciem com eficiência os fatores de produção e com eficácia ofertem bens e serviços funcionais, convenientes, confiáveis a preços correntes satisfazem os consumidores. 

Então, problematizar o agricultor familiar, quando do cultivo agrícola e da resiliência dos ecossistemas sobre a produtividade de todos os fatores e a eficiência da conectividade sobre o planejamento e gestão da ideia de negócio, para produzir, mercadejar, prosperar para o bem viver a si e a terceiros, é necessário e oportuno. Pois bem, é o indivíduo, o solucionador do seu desconforto sob a ótica dos conflitos de visões de mundo e de interesses, numa ordem espontânea baseada na ética, propósitos e valores. 

 

 

 



[1               [1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável e professor da UNEAL




 

terça-feira, 31 de março de 2026

Em vez de chefe ou ditador, o líder

Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

O homem e suas instituições políticas extrativistas usam o controle social com base na troca ou no poder e sem restrição ao exercício arbitrário, e as instituições econômicas extrativistas com muita riqueza e renda privadas se apropriam da máquina estatal para exercem uma vigorosa ditadura para o conforto de suas vidas, quer oriundos da natureza, quer produzidos artificialmente; usam seus julgamentos de valor, que baseados em suas posições privilegiadas e suas relações de compadrio engendram seus desejos e demandas, como direito secular; uma cultura senhorial, ora chefe[2], ora condutor (ditador)[3] que usa o consumo como ferramenta para enfraquecer ou aniquilar outrem. Por conseguinte, “o maior mal perpetrado é o mal cometido por Ninguém, isto é, por um ser humano que se recusa a ser pessoa”, observa Arendt.

Sucede, que tal fato alavanca o êxodo dos jovens rurais e enfraquece a sucessão familiar, tanto na atividade agropecuária como outras; inclusive de modo grave, perde-se o bônus demográfico ainda em alta. Essa precária situação compromete o sucesso do empreendedor e do contratado, que empobrecem, os primeiros, porque não acumulam a renda do capital e o segundo, porque mal acumulam a renda do trabalho – longe do estado de satisfações. Essas pessoas, segundo o Conceito Estatístico do Décimo, estão entre os 50% da base da distribuição de renda na pirâmide social. 

O empreendedorismo continua praticamente ausente para a grande maioria dos 3,9 milhões de agricultores familiares com renda de até 0,5 salário mínimo e de outros milhões de indivíduos em atividades não agrícolas, que não conseguem acumular, nem poupar, só repor alguns bens de capital. Eles geram pouca riqueza, embora realizem um trabalho duro e desconfortável; não criam valor para a sociedade. Para Piketty riqueza – é “o valor total, a preços de mercado, de tudo que os residentes e o governo de um país possuem num determinado momento e que possa ser comprado e vendido em algum mercado”, e ilustra Bastiat – riqueza, "consiste em serviços reais, em satisfações reais, em coisas úteis" - quem cria valor é o consumidor. 

Logo, para que um recurso possa ser considerado um bem econômico – “Em primeiro lugar, a imensa maioria das coisas, na forma como se encontram em seu estado natural, não nos permite satisfazer nossas necessidades. Por mais que toda a matéria já exista e esteja disponível na natureza, ela não nos foi dada de uma forma que nos permita satisfazermos nossas necessidades. A matéria tem de ser trabalhada e transformada por meio do trabalho e de investimentos” – “Em segundo lugar, a incapacidade dos objetos em seu estado natural em satisfazer diretamente nossas necessidades advém do fato de que nem sequer conhecemos todas as suas combinações e usos possíveis. A tecnologia, que é a arte de combinar e ordenar a matéria para que ela gere o resultado desejado, também não nos vem dada; antes, ela deve ser descoberta por meio da investigação e da experimentação, duas atividades que, por sua vez, requerem o uso de outros bens econômicos”, argui Carl Menger. 

Isso posto, os empreendedores e investidores, ”stakeholders” e consumidores pensam, agem e solucionam como líderes[4] os conflitos de visão de mundo e de interesses, com base em seus juízos de valor, regram-se por norma de conduta justa, Estado de Direito e governo limitado; logo decidem sobre: visão de futuro, ideia do negócio e proposta de valor e governança eficiente; assim promovem suas preferências temporais, individual e coletiva, ora poupa, ora consume, salvaguardadas pela multiplicação e uso de bens e serviços, convenientes, funcionais e confiáveis prosperam para o bem viver em instituições políticas e econômicas inclusivas.



[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável e prpfessor da UNEAL

 

[2] O chefe coordena suas metas e normas baseado na troca, para o "controle ou influência tendo por base recursos materiais e recompensas na forma de remuneração pelo recebimento de algum tipo de contribuição" (BERNARDES).

[3] O condutor impõe metas e normas ao grupo, usa o poder como "controle ou influência sobre as ações dos outros no intuito de atingir as próprias metas, sem o consentimento destes outros, contra a vontade deles ou sem o seu conhecimento ou compreensão" (BERNARDES).

[4] Líder – aquele que usa a autoridade, que é o “controle ou influência sobre o comportamento de outros para a promoção de metas coletivas, com base em alguma forma verificável de consentimento destes outros em razão de estarem informados dessa situação” (BERNARDES).