domingo, 31 de março de 2019

A enxada e o celular, que desencontro


Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

 O sucesso de qualquer negócio sustentável, inclusive do negócio agrícola - preservação e uso dos recursos da natureza, impostos e lucros na bacia hidrográfica - impulsionado pela interação do computador-internet-dispositivos móveis de banda larga facilita e barateia o planejamento de curto a longo prazo e a gestão [o quê, quem, como, quando, quanto, onde, por que]; diminui as incertezas quanto a visão de futuro e a ideia do negócio dos empreendedores, investidores, empregados e consumidores; principalmente, importa-se com o debate acerca da ética, do governo eficiente, e da sociedade de avaliar e corrigir os benefícios e malefícios da tecnologia, da lei Moore, da globalização, da mudança climática, e da demografia; da troca desigual econômica e ecológica, da vantagem comparativa e ou competitiva, e do custo de oportunidade; de cenários, tendências e opções estratégicas para maximizar o desempenho da cadeia produtiva pela suficiência de ciência, pesquisa agrícola e ATER incrementa a produtividade de todos os fatores [preço competitivo por serviço e unidade produzida]; e de todo modo, a qualidade de bens e serviços protegida por seguro rural [com nº de agricultores, áreas e culturas seguradas em viés de alta e bom prêmio], e as vantagens em ofertá-los rastreados, certificados e fiscalizados ao alcance de todos por longo tempo; pelo êxito das ferramentas de cooperação e associativismo com atuação em redes [associação, sindicato e cooperativa]; enfim, pelo acesso e o uso da internet das coisas pelas pessoas, empresas e governos impele à prosperidade e o bem-estar. 

  Porque agora é possível intervir, pois não há nenhuma razoabilidade no excesso de bens de uns poucos e na carência de bens de muitos, já observava o filósofo Aristóteles. Indagamo-nos: Quem somos? O quê fazemos agora? O quê vamos fazer amanhã?  
  Acrescente-se, a tais questões, o sistema tributário altamente regressivo; o alto grau de informalidade [de ilegalidade] da economia; a baixa coesão na normatização internacional e nacional das relações entre estados, empresas e indivíduos [pela insegurança jurídica]; a alta concentração de poder político e econômico, patrimônio e renda de uns pouquíssimos, enquanto muitíssimos vivem com pouquíssima posse e renda - sobrevivem em estado de pobreza. E aqueles afetados diretamente por uma Reforma Agrária pífia, que, por não levar em consideração o módulo rural [a propriedade familiar] - ler Estatuto da Terra - e a composição familiar como critérios de acesso a terra; o alto número de analfabetos entre os beneficiários da Lei 11.326/2006 [agricultores e extrativistas familiares, povos e comunidades tradicionais]; o elevado nível de descapitalização [pouca posse e nenhuma poupança] desses beneficiários; a visão de curto prazo dos planejadores, tanto estatais como da iniciativa privada; e, sobretudo, o caráter político-ideológico da Lei 11.326/2006, que contamina o entendimento sobre a agricultura familiar como atividade econômica. 
 Decerto que, a baixa conectividade das tecnologias de informação e de comunicação (TIC) ainda que barata, fácil de usar, rápida e onipresente para uso de governos, empresas e pessoas, principalmente; evidenciando que há uma repercussão negativa pelas suas baixas capacidades de planejamento e gestão quando da aplicação da inovação: computador-internet-dispositivos móveis de banda larga; por exemplo, os agricultores e extrativistas familiares, os povos e comunidades tradicionais, e principalmente os jovens rurais, que descapitalizados e de maioria analfabeta, e utilizando seu esforço físico para aplicar uma tecnologia de baixa produtividade pouco eficiente e cara em mão de obra como a enxada, terão dificuldades para oportunizar o artigo 186 da Constituição Federal – a função social da propriedade - e a sucessão familiar; doutro modo, oportunizarão se utilizarem o esforço mental para aplicar uma tecnologia de alta produtividade, elevada eficiência e de baixo custo como a interação: computador-internet-dispositivos móveis de banda larga; e assim terão conhecimento e compreensão para pensarem e agirem sobre seu planejamento e gestão com liberdade de decidir - esse é o ponto de inflexão entre essas tecnologias. 

    Então, problematizar a agricultura, principalmente a agricultura familiar, quando do cultivo agrícola e da recuperação da estrutura e funções ecossistêmicas sobre a produtividade de todos os fatores, a eficiência do planejamento e gestão, e a qualidade dos bens, serviços e o bem-estar, é necessária sob a ótica do trade-off: esforço físico e esforço mental quando do uso da enxada para libertá-lo da espoliação.
             Essa nova era das máquinas torna as pessoas e as organizações livres e vigilantes para que a economia política possa reinar, ao "prover uma receita farta [...] para as pessoas, ou, mais propriamente, capacitá-las [...]; segundo, suprir o estado [...] com receitas suficientes para seus serviços públicos", afirmava Adam Smith; e, assim erradique a distribuição de cargos, a tal ética de compadrio que faz o governador - ://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/03/renan-filho-distribui-cargos-entre-parentes-de-membros-da-justica-promotoria-e-tce.shtml. E nos leva ao Desenvolvimento Sustentável – “um processo em rede dialética compartilhada pelo indivíduo e suas categorias [conflitos e alianças] ao preservarem e ao usarem os recursos naturais e os tributos [planejamento, gestão, ideia de negócio] transforma-os em bens e serviços [proposta de valor]: do autoconsumo ao mercado, da renda ao bem-estar pelo usufruto dos bens primários: individualidade, liberdade, posse e felicidade, intra e intergeracional [justiça social]” (OLIVEIRA, 2010).



[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável [engenheiro agrônomo], professor da Universidade Estadual de Alagoas/UNEAL, membro da Academia Brasileira de Extensão Rural/ABER, diretor do Sindagro, articulista da Tribuna Independente, Maceió/AL –  Blog: sabecomquemestafalando.blogspot.com 





quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

O Bem-estar do extensionista em viés de baixa

Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

Nesses últimos 30 anos, vis-à-vis a ineficiência das representações sindicais continua comprometendo seriamente à proteção, à defesa e à reivindicação dos interesses dos sindicalizados da pesquisa agropecuária e da extensão rural, por exemplo. Esses sindicalizados não conseguem manter suas famílias em condições sociais e econômicas necessárias para usufruir de bem-estar pelos bens primários observados por Oliveira (2010) – autoestima, imaginação, confiança, liderança, virtude, liberdade, cidadania, disposições sociais, renda, posse, felicidade, não asseguram sua reprodução. Da mesma maneira, a ineficiência do Estado continua em ritmo acelerado porque o governo é refratário em cumprir os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: Artigo 3º: “I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; II – garantir o desenvolvimento nacional; III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV– promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. E essas instituições políticas atuam de modo extrativista.

É público e notório que o baixo exercício da cidadania dos sindicalizados do serviço de pesquisa agropecuária e extensão rural – nas entidades federais, estaduais, municipais e distrital – não alavancam suas visões de futuro, missões, objetivos, suas ideias de negócio, suas propostas de valor e seus balanços sociais. Porém, quaisquer avanços para aqueles que fazem o serviço de pesquisa agropecuária e extensão rural passam, sobretudo, pelo exercício da liberdade individual e da cidadania, e pela participação em rede das representações sindicais dos empregados e servidores públicos e da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Assistência Técnica, Extensão Rural e da Pesquisa do Setor Público do Brasil/FASER  e afiliados nas audiências públicas de Conselhos e de Casas Legislativas nacional, estadual, municipal e distrital que tratem da complexidade de assuntos e ações que potencializem e alavanquem, principalmente, o Plano Plurianual/PPA, a Lei de Diretrizes Orçamentárias/LDO e a Lei Orçamentária Anual/LOA; essas audiências, principalmente, as do Congresso Nacional, dialogam, encaminham e definem a maioria dos recursos de custeio e investimentos destinados à defesa e à proteção dos trabalhadores, e ainda há outras políticas públicas convergentes e similares; outra função relevante dessas entidades sindicais é fazerem lobbies junto aos congressistas, deputados estaduais, distritais e vereadores para aprová-las.

Decerto que, entre tantas ferramentas de intervenção em atos e processos, as audiências públicas de tão poucas frequentadas e com baixo grau de envolvimento das representações sindicais dos empregados e servidores públicos, e dos empregadores do serviço de pesquisa agropecuária e extensão rural nessas audiências nem potencializam nem alavancam, por exemplo, o PPA, a LDO e a LOA, e outras políticas de quaisquer naturezas que aportam recursos financeiros para beneficiar os trabalhadores. Uma vez que, são atuações pífias devido ao sistema de valores que opera por inércia e por consciência dos envolvidos, por medo de atravessar o espaço familiar da casa em direção ao espaço individual da rua (DAMATTA, 1997); assim inviabilizam ou aniquilam a ideia do negócio, o balanço social, o planejamento e a gestão estratégica nas entidades sindicais dos pesquisadores e extensionistas estatais, FASER e afiliadas; e ainda dificultam-lhes o acesso aos benefícios resultantes dos encargos e da cooperação social - Não lhes asseguram o bem-estar pelo usufruto dos bens primários (OLIVEIRA, 2010).

A pífia atuação dessas entidades sindicais: dos servidores e empregados públicos, dos patrões e dos beneficiários da Lei 11.326, nos Conselhos e Casas Legislativas tem intensificado a ineficiência do serviço de pesquisa agropecuária e extensão rural brasileiro, que continua repercutindo na minimização da criação de mais empregos diretos; acentuando a baixa produtividade da mão de obra; interrompendo a mobilidade social; corroendo o grau de coesão social no campo e na cidade pela baixa eficiência no uso dos bens naturais, dos bens de capital, do capital humano e do governo – como exemplo: a repercussão negativa no bem-estar dos servidores e dos empregados públicos na Emater/AL, pela demissões em massa, e na Emater/PB e Empaer/MT, pela extinção e criação de novas entidades, ora pela precarização das condições de trabalho e salários, quadro de profissionais insuficiente por demissões e aposentadorias, e sem concurso público é tão aviltante, e ainda corroí as receitas sindicais. Na Emater/AL, demissões intempestivas e à margem da lei, por má gestão, e suas consequências nefastas tanto na estrutura familiar do demitido, na do beneficiário da Lei 11.326, bem como na do contribuinte que paga impostos altos e em cascata - são muitos processos judiciais em andamento com danos irreversíveis aos demitidos e famílias; entretanto, o governador distribui cargos - a tal ética de compadrio, típica de uma instituição política extrativista - ://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/03/renan-filho-distribui-cargos-entre-parentes-de-membros-da-justica-promotoria-e-tce.shtml 

Esse desmonte é tão grande que as entidades sindicais dos empregados e servidores públicos e dos beneficiários da Lei 11.326, não se deram conta do desprezo dos governos estaduais pelas condições de trabalho e salários precários dos servidores e empregados públicos com impacto direto no bem-estar da sociedade, face a uma mídia governamental surreal que insiste que está tudo bem.

Apesar da apatia das representações sindicais, de igual modo, a FASER e afiliados, as representações sindicais dos beneficiários da Lei 11.326, e as entidades patronais, indubitavelmente, devem perseverar nas suas atribuições estatutárias para garantirem que o Desenvolvimento Sustentável se realize como conceitua Oliveira  (2010) – "é um processo em rede dialética compartilhada pelo indivíduo e suas categorias [conflitos e alianças] ao preservarem e ao usarem os recursos naturais e os tributos [planejamento, gestão, ideia de negócio] transforma-os em bens e serviços [proposta de valor]: do autoconsumo ao mercado, da renda ao bem-estar pelo usufruto dos bens primários: individualidade, liberdade, posse e felicidade, intra e intergeracional [justiça social]".

Atualmente há um cenário de incertezas - ameaças e oportunidades. Mas, certamente, a FASER atuando como instituição política inclusiva deve garantir a distribuição do poder e consequentemente impedir qualquer exercício arbitrário nos ambientes institucionais ou não institucionais; e como articuladora frente à essas incertezas, oportunize garantias ao emprego sempre em viés de alta, à proteção, defesa e reivindicação dos interesses dos pesquisadores e extensionistas no Congresso Nacional, Assembleia Legislativa e Câmara Municipal, bem como diante do Governo: federal, estadual, municipal e distrital rumo a um certo grau de coesão social e, sobretudo um bem-estar pelo usufruto dos bens primários observados por Oliveira (2010) -  Avante FASER!!.



[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável [engenheiro agrônomo], professor da Universidade Estadual de Alagoas/UNEAL, membro da Academia Brasileira de Extensão Rural/ABER, diretor do Sindagro, articulista do jornal Tribuna Independente, Maceiò – AL, Blog: sabecomquemestafalando.blogspot.com 




quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

INDIGNE-SE, depois, EXPIE-SE

              Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

Homens e mulheres por viverem em meio a tantas incertezas e inseguranças; torna urgente e necessário diminuir ou erradicar o fosso social, econômico, ecológico e patrimonial entre os que têm muito e os que têm pouco bem-estar. Vale lembrar que pobres com baixo nível de capital humano [desempregados, subempregados e empregados] não criam demandas por bens e serviços. 


E vão continuar deslocando e desacomodando suas famílias para atividades precárias e ilegais como prostituição infanto-juvenil e outras delinquências pela falta de tributos decentes, pois, esses diminuem a quantidade de atividades ilegais, incrementam a receita do governo e desconcentram a riqueza, como exemplo, o uso do imposto progressivo. É fundamental a dispersão da riqueza privada [propriedade privada e comum, produção e consumo de bens e serviços] e da riqueza pública [preservação dos ativos naturais, patrimônio imaterial e uso dos tributos] aos bilhões de desafortunados no mundo.


Pois, a acumulação de riqueza e outras prerrogativas são desfrutadas por pouquíssimos, e, há o desempregado rico que gasta fortuna na compra de bens e serviços de obsolescência precoce ou programada. 

E, há aqueles que vivem do sobretrabalho, do subemprego e do desemprego, são bilhões de desafortunados no mundo. Assim, o enfrentamento dessas situações exige a onipresença da cidadania para maximizar o cumprimento do contrato social posto, esse necessita de ambiente institucional e não institucional em que floresça e disperse as instituições inclusivas, essas, quando políticas "asseguram a ampla distribuição do poder e restringem seu exercício arbitrário.", quando econômicas "geram uma distribuição mais equitativa de recursos, facilitando a persistência de instituições políticas inclusivas", descreve-nas Acemoglu e Robinson [Por que as nações fracassam].

E, segundo Brynjolfsson e McAfee [A Segunda Era das Máquinas], os “ativos intangíveis: propriedade intelectual, capital organizacional, conteúdos gerados pelos usuários e capital humano” precisam ser melhores mensurados nas estatísticas para garantir que, “todo indivíduo nasce com um legítimo direito a uma certa forma de propriedade ou seu equivalente” defendia Thomas Paine, em 1795; e, comunga desse legitimo direito, o bilionário, Mark Zuckerberg, do Facebook: a renda básica poderia ser parte da resposta.

Agora, exercite a liberdade individual e a cidadania, formule, execute e maximize as políticas públicas [inclusive, à família e à cultura]. Avalie-as. Corrija-as, e se for o caso, substitua o governo ineficiente que os impedem de serem livres, iguais e felizes, terem vida digna, para além do Homo economicus, para o Desenvolvimento Sustentável como acentua Oliveira (2010) – um processo em rede dialética compartilhada pelo indivíduo e suas categorias [conflitos e alianças] ao preservarem e ao usarem os recursos naturais e os tributos [planejamento, gestão, ideia de negócio] transforma-os em bens e serviços [proposta de valor]: do autoconsumo ao mercado, da renda ao bem-estar pelo usufruto dos bens primários: individualidade, liberdade, posse e felicidade, intra e intergeracional [justiça social] – uma concertação para a justiça social.







[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável [engenheiro agrônomo], professor da Universidade Estadual de Alagoas/UNEAL, membro da Academia Brasileira de Extensão Rural/ABER, diretor do Sindagro. Blog: sabecomquemestafalando.blogspot.com 



segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Atentai para além do Ano Novo!!

      Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]
Atentai! ...”num mundo já ocupado, se sua família não possui meios de alimentá-lo ou se a sociedade não tem necessidade de seu trabalho, esse homem, repito, não tem o menor direito de reclamar uma porção qualquer de alimento: está em demasia na terra. No grande banquete da natureza, não há lugar para ele. A natureza lhe ordena que se vá e ela mesma não tardará a colocar essa ordem em execução...”, afirmava Thomas Malthus [1789]. Essa ordem, já a praticamos mundialmente, tampouco os pequenos agricultores conseguem sair da revolução neolítica, sem contar com o serviço de pesquisa agropecuária e extensão rural governamental, principalmente - Cresce o número de brasileiros em lares com renda abaixo de R$ 406 mensais por morador" (Folha de São Paulo, 07/12/2018). Em Alagoas: isenção fiscal beneficia empresas e rombo de R$ 770 milhões (Gazeta de Alagoas, 11/01/2019); enquanto, em torno de 2/3 da população sobrevive em meio à fome e desemprego http://alagoasbrasilnoticias.com.br/2018/09/16/alagoas-201-anos-populacao-luta-para-sobreviver-em-meio-a-fome-e-desemprego/
Atentai! Dia a dia, o estado da arte do bem viver está longe da casa, do trabalho, do lazer, das liberdades fundamentais da imensa maioria dos brasileiros e dos alagoanos, entre eles, os beneficiários da lei 11.326, de 26/07/2006. E Alagoas está entre os três piores estados nesse mal-estar - https://diariodopoder.com.br/tag/pobreza-em-alagoas/ 

Atentai! Faz sentido que, homens e mulheres, e principalmente as crianças e os jovens, que, por viverem em meio a tanta penúria social, incertezas e inseguranças, inclusive pela privação de suas capacidades básicas - a hierarquia das necessidades humanas de Maslow (1943) e Diamandis (2012): comida, água, abrigo, energia, educação, tic, saúde e liberdade - torna urgente diminuir ou erradicar o fosso social, econômico, ecológico e patrimonial entre os que têm muito e os que têm pouco bem-estar. De todo modo, exige-se disposição de homens e mulheres para enfrentar essa penúria de qualquer natureza construindo cenários, tendências e soluções para a autorrealização em ambiente institucional público e privado -   https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2018/04/11/concentracao-renda-ibge.htm

Atentai! Enfrentar essas situações exige a onipresença das liberdades fundamentais dos cidadãos para o cumprimento do contrato social posto ou de um novo contrato, ambos necessitam de ambiente institucional [regras, restrições, organizações e pessoas] em que floresçam, dispersem e persistam as instituições econômicas, essas oportunizam uma distribuição mais equitativa de recursos; enquanto as instituições políticas restringem o arbítrio alheio; enfim, essas instituições inclusivas garantem a distribuição dos benefícios e encargos resultantes da cooperação social - o bem-estar.
 Atentai! Buscar soluções no conceito de liberdade de Hayek [1960] é um caminho possível. Ele nos ensina - "O conceito de liberdade sob a égide da lei... reside no argumento de que, quando cumprimos as leis, no sentido das normas gerais abstratas definidas a despeito de sua aplicação a nós, não estamos sujeitos ao arbítrio alheio e, consequentemente, somos livres." 


Atentai! É oportuno em 2019, compreender que “todo indivíduo nasce com um legítimo direito a uma certa forma de propriedade ou seu equivalente”, defendia Thomas Paine  [1795]. 

Atentai! para o anúncio de Oliveira [2010], busquem no desenvolvimento sustentável como um processo em rede dialética compartilhada pelo indivíduo e suas categorias [conflitos e alianças] ao preservarem e ao usarem os recursos naturais e os tributos [planejamento, gestão, ideia de negócio] transforma-os em bens e serviços [proposta de valor]: do autoconsumo ao mercado, da renda ao bem-estar pelo usufruto dos bens primários: individualidade, liberdade, posse e felicidade, intra e intergeracional [justiça social]" - rumo ao estado da arte do bem viver! 




[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável e professor da UNEAL


quarta-feira, 31 de outubro de 2018

A ineficiência do Governo


Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

As viúvas da seca - No Sítio Serra da Lagoa II, no município de Santa do Ipanema, distante 210 quilômetros de Maceió, a maioria dos pequenos produtores rurais, depois de perder tudo na roça, viajou para trabalhar como mão de obra barata na construção civil e no agronegócio de Mato Grosso do Sul, conta a agricultora Gildete dos Anjos, mãe de cinco filhos. Ela não sabe quando o marido vai voltar -http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/noticia.php?c=330137


O governo Collor extingue a Empresa Brasileira de Extensão Rural/EMBRATERcomo consequência aniquilou o sistema brasileiro de Extensão Rural, deixando a deriva as entidades estaduais de assistência técnica e extensão rural, principalmente as do Nordeste e do Norte. Essa extinção desorganizou o serviço de Extensão Rural nos estados, enquanto agente animador, promotor e impulsionador de prosperidade e de bem-estar - Ademais, está dando êxito as políticas de mal-estar ora em curso. de igual modo continua gerando um passivo social altíssimo para os beneficiários da Lei 11.326, 24 de julho de 2006. Essa desorganização administrativa continua causando danos significativos ao planejamento e a gestão, e ao balanço social das entidades estaduais, aumentando a ineficiência de governo - que despautério! 

Nas duas últimas décadas, a partir do governo de Ronaldo Lessa (1999/2006), que ao sancionar a Lei Delegada, entre outras atribuições, extinguiu os serviços de pesquisa agropecuária e extensão rural, ora executados pela EPEAL e EMATER-AL; e criou a Companhia Alagoana de Recursos Humanos e Patrimoniais/CARHP, que passou a gerir o ativo e passivo das empresas incorporadas, entre as quais a EPEAL e EMATER.

Mas os serviços do setor agrário e agrícola estatal que já vinham enfrentando dificuldades de ordem orçamentária, gerencial – custeios e investimentos em recursos humanos e da máquina administrativa – e política, degradam de vez no governo de Ronaldo Lessa. A Lei Delegada coloca os serviços de pesquisa agropecuária e extensão rural sob à execução direta da Secretaria Executiva de Agricultura, Irrigação, Pesca e Abastecimento/Seagri, via superintendência de ATER, pela cessão de técnicos e administrativos remanescentes da EPEAL e EMATER, que foram incorporados pela CARHP. Adiante, o governo do Estado é pressionado pelas representações dos agricultores e pelo Sindicato dos Trabalhadores do Setor Público Agrícola e Ambiental de Alagoas/Sindagro para realizar concurso público, uma vez que, o quadro de profissionais não dá conta das demandas: da decisão de plantar à comercialização de insumos e produtos, da prosperidade ao bem-estar da família. Não houve avanço na condição de vida dos beneficiários da Lei 11.326, e famílias no governo Ronaldo Lessa.

Em 2002, assume o governo estadual, Teotônio Vilela que continuou sem dá nenhuma atenção dos beneficiários da Lei 11.326 e famílias; por fim, optou por um contrato de outorga de bolsistas. E como resultado dessa opção, o serviço piorou e acelerou o ritmo da ineficiência, e aumentou a precarização da vida desses beneficiários e famílias, e daqueles que ofertam seus serviços à unidade produtiva; e ainda por cima, precarizou o exercício profissional e o salário das profissões envolvidas nesse serviço, por exemplo, pela falta de fiscalização do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia/CREA, apesar da denúncia feita pelo Sindagro. Esse atendimento precário é fruto da ineficiência da EMATER e do CREA/AL em cumprirem seus objetivos. De todo modo, a Fetag, a Capial e o Sindagro passam a cobrar do governo do Estado concurso público para o setor agrário e agrícola.


Já no segundo mandato (em 2008), numa reunião promovida pelo governo estadual/Seagri com o Sindagro, Fetag, Capial, Emater/RS, Emater/RN, Emdagro/SE, Asbraer e a Embrapa ficou acertado que uma comissão nomeada pela Seagri apresentaria um relatório propondo qual deveria ser o regime jurídico de uma nova entidade de pesquisa agropecuária e extensão rural que seria criada pelo governo do Estado; e em audiência com o governo do Estado, a comissão apresentou a proposta de uma empresa pública de direito privado como opção. Depois de muito diálogo entre o Sindagro, a Fetag, a Capial e o governo, uma audiência pública convocada pelo deputado estadual Paulão para debater e encaminhar sobre qual seria a melhor opção: uma empresa pública ou uma autarquia. O governo termina por escolher a autarquia. E em primeiro (1º) de dezembro de 2011, o governador Teotônio Vilela Filho sanciona a Lei 7.291, que criou a autarquia: Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, com o nome fantasia de EMATER, para prestar o serviço de pesquisa agropecuária e de extensão rural. 

E mais uma vez a CARHP passou a ceder os empregados públicos da antiga EPEAL e EMATER; e a nova EMATER continuou com o precário contrato de bolsitas para executar os serviços de pesquisa agropecuária e extensão rural. E de novo a Fetag, a Capial e o Sindagro cobram do governo concurso público; pois, a precarização desse serviço de atendimento aos beneficiários da Lei 11.326 e suas famílias continuou ocasionando danos irreparáveis à unidade produtiva e social, pelo baixo nível de escolaridade; pela jornada não remunerada da esposa e dos filhos; pelo pouquíssimo capital investido; pelo baixo valor dos contratos agropecuários financiados pelos bancos do Brasil e do Nordeste; pela baixa produtividade de todos os fatores; pela queda da renda agropecuária. Mesmo assim começou um processo de demissão em massa dos empregados públicos cedido pela CARHP em 2013. Um governo ruim até em propaganda.

Indubitavelmente, o atendimento precarizou-se ainda mais no governo Renan Filho com mais demissões em massa, que iniciou em 2013 e persistiu até novembro de 2016 com mais de 600 demissões, todos empregados públicos cedidos pela CARHP, com exceção de 03 deles que têm estabilidade sindical, embora outros 05 dirigentes com estabilidade foram demitidos. Há um processo judicial sobre demissão de dirigentes com estabilidade sindical na 2ª instância – 19º TRT. Essas demissões desembocaram em processos judiciais em andamento. E há um passivo de dezenas de milhões de reais para a sociedade pagar por má gestão dos dirigentes da CARHP.

Atualmente a EMATER-AL tem 07 gerências regionais, 73 bolsistas que fazem a atividade-fim, e 50 comissionados que fazem a atividade-meio (EMATER-AL, 2018) - Como essa mão de obra é de alta rotatividade e de baixa produtividade, a ineficiência é alta. E esse pequeno quadro de pessoal e o sucateamento da frota, principalmente, a Seagri (servidores em ritmo acelerado de aposentação) e a EMATER-AL (com bolsitas e comissionados) tão ineficientes que os beneficiários da lei 11.326 continuam em penúria.

Ressalte-se o baixo crescimento Produto Interno Bruto/PIB brasileiro em 2014 (0,5), 2015 (-3,8), 2016 (-3,6) e 2017 (0,5), reduziu o volume de recursos das transferências federais e que impactou negativamente a vida daqueles que sobrevivem de políticas públicas. E Alagoas é um estado que depende dessas transferências; ademais, o “Desempenho da economia de Alagoas é o pior do País” -http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/noticia.php?c=328818

Esse baixo PIB gera poucos empregos e rendas baixas com repercussão negativa no bem-estar da população rural de 822.634 mil de habitantes (IBGE, 2010) e dos 110.231 mil estabelecimentos agropecuários de beneficiários da Lei 11.326 (Censo Agropecuário, 2006). E esses beneficiários ainda não se deram conta do desprezo do governo estadual (Renan Filho) pela zona rural e pelo negócio agropecuário familiar face a uma mídia surreal que insiste que está tudo bem -  assista o José Reinaldo: https://www.youtube.com/watch?v=wtdQ3QhG1Ec


Vale acrescentar que políticas públicas como Programa Nacional de Alimentação Escolar/PNAE, o governo estadual não adquiriu um só quilo da produção do agricultor; o programa do leite está sempre com pagamentos atrasados aos agricultores, comprometendo a saúde do rebanho e sua condição social; não emitiu nenhuma receita agronômica para o uso do agrotóxico; a contaminação solos e dos aquíferos, e a irrigação dos cultivos não interessam ao governo, e na EMATER a prática de mitigação de danos à saúde humana inexiste; fez pouquíssimos projetos de custeio e de investimento; apenas, sobram a pouca efetividade do Programa de Aquisição de Alimentos/PAA que adquiriu por R$ 3.353.711,98 produtos de 804 beneficiários da Lei 11.326 até fevereiro de 2018, que distribuiu a 132 entidades beneficentes (EMATER -AL, 2018); a distribuição de pouquíssimos tratores e equipamentos, bem como a distribuição de sementes de feijão, milho e sorgo não garantem aumento de produtividade dos cultivos; não atendem à demanda dos beneficiários da Lei 11.326, é na verdade uma prática cara, clientelista, ineficiente; a emissão de Declaração de Aptidão ao Agricultor/DAP, toma o tempo dos pouquíssimos técnicos. E faz sentido avaliar, corrigir e reprogramar o Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza/Fecoep, pois sua aplicação ainda é  inócua. Há um acelerado processo de desertificação em cerca de 60% dos municípios alagoanos, um descumprimento ao Código Florestal e das Águas, e da avaliação de aptidão de uso dos solos. E na pauta da Seagri e da EMATER/AL não há nenhuma atividade para barrar ou mitigar esse processo de desertificação -  https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/al-tem-cerca-de-60-dos-municipios-com-risco-de-desertificacao-diz-estudo-ambiental.ghtml

Então, nesses últimos 20 anos, a ineficiência da EMATER-AL continua comprometendo seriamente o atendimento aos beneficiários da Lei 11.326, notadamente aos relacionados ao negócio agropecuário: da aceitação, adoção e geração da inovação tecnológica e/ou organizacional; como consequência, estes não conseguem manter suas famílias em suas unidades geográficas e, sem as condições sociais e econômicas necessárias para usufruir de bem-estar pelos bens primários observados por Oliveira (2010) – individualidade, liberdade e posse, não asseguram sua reprodução; e assim, migram para as cidades, onde passam a viver na informalidade, no submundo do crime. E a ineficiência da Seagri e da EMATER-AL continua em ritmo acelerado porque o governo estadual é refratário em cumprir os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: Artigo 3º: “I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; II – garantir o desenvolvimento nacional; III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV– promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.”

Essa ineficiência do governo estadual em suas atribuições constitucionais é confirmada pelo Ranking de Eficiência dos Estados da Folha de São Paulo (2018) -https://www1.folha.uol.com.br/remf/, que numa escala de zero a 1: o estado de Alagoas tem nota geral baixa, mas tem nota boa quanto a gestão fiscal, e vem aumentando à arrecadação de impostos, mas não sua distribuição - a Seagri e a EMATER-AL não são beneficiadas pelo governo estadual, o que alavancou a ineficiência com repercussão muito negativa no atendimento às demandas dos beneficiários da Lei 11.326. Portanto, o baixo número, a baixa presença, e o baixo grau de envolvimento desses beneficiários e suas representações e das representações do serviço de pesquisa agropecuária e extensão rural nas audiências públicas de qualquer natureza dificultam o acesso aos benefícios resultantes dos encargos e da cooperação social, não garantindo-lhes o usufruto dos "bens primários" observados por Oliveira (2010).

Sobretudo porque o lugar rural como espaço público, é um lugar de baixa participacão cidadã e liberdade individual. Não é um lugar de exuberância da (de) vida para os rurícolas, os beneficiários da Lei 11.326; é o lugar da imobilidade social; aliás, é o lugar onde é vigorosa a multidimensionalidade da pobreza econômica, da pobreza social, da pobreza ecológica e da pobreza política – “Alagoas, 201 anos: População luta para sobreviver em meio à fome e o desemprego” - http://alagoasbrasilnoticias.com.br/2018/09/16/alagoas-201-anos-populacao-luta-para-sobreviver-em-meio-a-fome-e-desemprego/

É público e notório que o baixo exercício da cidadania dos beneficiários da Lei 11.326, e dos empregados e servidores públicos do serviço de pesquisa agropecuária e extensão rural – e das entidades federais, estaduais, municipais e distrital - comprometem as políticas públicas que objetivam alavancar as visões de futuro, as missões, os objetivos, as ideias de negócio, as propostas de valor, e os balanços sociais dessas entidades. Aliás, quaisquer avanços para melhoria do bem-estar do beneficiário da Lei 11.326 e daqueles que fazem o serviço de pesquisa agropecuária e extensão rural passam, sobretudo, pelo exercício da liberdade individual e da cidadania, e pela participação em rede das representações desses beneficiários, das organizações patronais e da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Assistência Técnica,  Extensão Rural e da Pesquisa do Setor Público Agrícola do Brasil/FASER (e seus sindicatos e associações) nas audiências públicas de Conselhos e de Casas Legislativas nacionais, estaduais, municipais e distrital que tratem da complexidade de assuntos e ações que potencializem e alavanquem o Plano Plurianual/PPA, a Lei de Diretrizes Orçamentárias/LDO e a Lei Orçamentária Anual/LOA; essas audiências, principalmente, as do Congresso Nacional, dialogam, encaminham e definem a maioria dos recursos de custeio e investimentos destinados ao negócio agropecuário: associativismo, crédito rural, pesquisa agropecuária e extensão rural, reforma agrária, preservação e conservação dos bens naturais, moradia, saneamento básico, segurança alimentar e pública, seguridade social, concurso público e capacitação, outras políticas públicas de bem-estar, e a criação de sistemas: um para dar conta das entidades estatais estaduais; o outro um sistema nacional de ATER das entidades estatais e não estatais: agrária, agrícola e ambiental; outra função relevante dessas entidades é fazerem lobbies junto aos congressistas, deputados estaduais, distritais, e vereadores para aprová-las.

Entre tantas ferramentas de intervenção em atos e processos, decerto que, as audiências públicas em Alagoas, por exemplo, de tão poucas frequentadas e com baixo grau de envolvimento das representações: dos beneficiários da Lei 11.326; dos empregados e servidores públicos, e dos empregadores públicos do serviço de pesquisa agropecuária e extensão rural nas audiências nem potencializam, nem alavancam o PPA, a LDO e a LOA, e outras de qualquer natureza, são atuações pífias devido ao sistema de valores que opera por inércia e por consciência dos envolvidos, o medo de atravessar o espaço familiar da casa em direção ao espaço individual da rua (DAMATTA, 1997); e assim inviabilizam e ou aniquilam a ideia do negócio e o balanço social pela falta de planejamento e gestão estratégica para uso dos bens naturais, dos bens de capital, do capital humano e da eficiência de governo; essa prática não lhes assegura o bem-estar pelo usufruto dos "bens primários" (OLIVEIRA, 2010).

Portanto, essa pífia atuação das entidades nos Conselhos e nas Casas Legislativas tem intensificado a ineficiência do serviço de pesquisa agropecuária e extensão rural de Alagoas, que continua não promovendo nenhuma garantia de minimização do fluxo de migrantes; da opção de sua permanência na unidade geográfica, social e produtiva; da segurança alimentar, e da sociedade em geral; da implementação de inovações tecnológicas e organizacionais; de danos ambientais e de processo de mitigação; da criação de mais empregos diretos e indiretos, no campo e na cidade; de poder ajudá-los a aumentar a produtividade, a renda, a mobilidade social; da melhoria no grau de coesão social no campo e na cidade; e do bem-estar.

Sobretudo que as representações dos beneficiários da Lei 11.326, as representações dos empregados e servidores públicos e as entidades patronais do serviço de pesquisa agropecuária e extensão rural perseverem nas suas atribuições para garantirem que o Desenvolvimento Sustentável se realize como conceitua Oliveira  (2010) – um processo em rede dialética compartilhada pelo indivíduo e suas categorias [conflitos e alianças] ao preservarem e ao usarem os recursos naturais e os tributos [planejamento, gestão, ideia de negócio] transforma-os em bens e serviços [proposta de valor]: do autoconsumo ao mercado, da renda ao bem-estar pelo usufruto dos bens primários: individualidade, liberdade, posse e felicidade, intra e intergeracional [justiça social]".

Com o Tema Extensão Rural e Cidadania, a FASER contando com a presença de 450 associados-extensionistas de todo o Brasil, que ora representando suas entidades estaduais afiliadas levantaram, debateram, potencializaram e  encaminharam soluções para a defesa, proteção e reivindicação de seus interesses e de suas entidades; bem como a criação do sistema nacional de Ater e do seu balanço social. A FASER realizou com êxito o XIII CONFASER, nos dias 26 a 30 de novembro, em Guarapari/ES - Aplausos para o extensionista, neste 06 de dezembro!! AVANTE FASER!!





[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável, engenheiro agrônomo, professor da Universidade Estadual de Alagoas/UNEAL, membro da Academia Brasileira de extensão Rural/ABER, dirigente Sindical do Sindagro, articulista da tribuna Independente de Alagoas, blog: sabecomquem estafalando.blogspot.com

domingo, 30 de setembro de 2018

Em 2018

Marcos Antonio Dantas de Oliveira

É atualíssimo falar com Zaratustra [Nietzsche] e ouvi-lo dizer: "Mas dizei-me, irmãos, se falta objeto à humanidade, não é porque ela mesma não existe?".

De maneira que, ”A pressão da sociedade sobre o indivíduo pode voltar, sob uma nova forma, a ser tão grande quanto nas comunidades bárbaras, e as nações irão se vangloriar, cada vez mais, de suas realizações coletivas em detrimento das individuais”, diz Russel (2002). 

No Brasil: há uma cidadania na casa sob influência da família (amizades e favores), uma cidadania na rua sob influência mundana (direitos e deveres), e uma cidadania religiosa sob influência do outro mundo (penitências e obediências). Esses códigos estão institucionalizados na nossa intensa e densa vida pessoal – e as nuances e evidências transbordam nessa eleição, por exemplo.  
   
E nesse caos, é que se forjam líderes capazes de usarem a autoridade que: “é o controle ou influência sobre o comportamento de outros para a promoção de  metas coletivas, com base em alguma forma verificável de consentimento destes outros em razão de estarem informados da situação” [Bernardes citando Buckley, 2009] rumo à prosperidade e ao bem-estar. Mas, onde estão os líderes?

Sobretudo, “Será que a natureza da atividade de pensar, o hábito de examinar, refletir sobre qualquer acontecimento, poderia condicionar as pessoas a não fazer o mal? Estará entre os atributos da atividade do pensar, em sua natureza intrínseca, a possibilidade de evitar que se faça o mal?", comentou Arendt (2008).

E nos leva a considerar que, “O homem desacomodado não é mais do que um pobre animal, nu e dividido” [Rei Lear/Shakespeare]. E esse vazio é potencializado, porque o voto, ora é um exercício da cidadania, ora é uma mercadoria porque a pessoa reage por medo, e assim, simplifica os problemas mediante a oposição entre Nós e Eles. O quê tem "consequências devastadoras sobre a (in)capacidade de lidar com as múltiplas crises que envenenam nossas vidas: a ruptura da relação entre governantes e governados. A desconfiança nas instituições, em quase todo o mundo, deslegitima a representação política e, portanto, nos deixa órfãos de um abrigo que nos proteja em nomes do interesse comum”, afirma Castells (2018).

É no locus da política [e nas audiências públicas, principalmente as do: PPA, LDO e LOA] que se debate o controle dos recursos naturais, dos tributos e das políticas públicas [distributivas, redistributivas, reguladoras]; das incertezas social, econômica e ecológica; das liberdades fundamentais; dos negócios privados e públicos, individuais e coletivos; dos princípios da Administração pública; do bem-estar para além do viés normativo e ideológico. Todavia, o controle e o uso dos bens naturais e dos tributos, tal como os encargos e os benefícios da cooperação social estão sob a guarda do ‘príncipe’; e essa é uma das razões do Estado, enquanto uma associação de iguais, não ter um Projeto de Desenvolvimento Sustentável. De modo que, “A humanidade, nessa Terra, não pode estar reconciliada com ela própria enquanto o luxo de alguns insultarem a pobreza de quase todos”, afirma Aron (2016); essa reconciliação está na justa medida entre a falta e o excesso das virtudes anunciadas por Aristóteles,

Uma vez que, é pelo exercício do estado de direito que as instituições inclusivas políticas "asseguram a ampla distribuição do poder e restringem seu exercício arbitrário.", e essas, quando econômicas "geram uma distribuição mais equitativa de recursos, facilitando a persistência de instituições políticas inclusivas", descrevem-nas Acemoglu e Robinson (2012).

Ademais, a raiz da crise de legitimidade entre os políticos e os cidadãos está na crise da democracia liberal e seus ganhadores e perdedores, porém, não é uma rejeição a democracia, enquanto, sistema de relações sociais que depende para sua estabilidade das mentes dos cidadãos nos ambientes e arranjos institucionais ou não, e que necessita de governança e de governabilidade eficazes para solucionar os agravos ao bem-estar -  

Dito isso, Arendt (2018) afirma: “o maior mal perpetrado é o mal cometido por Ninguém, isto é, por um ser humano que se recusa a ser pessoa” – Nós e Eles – Porque fazemos o que fazemos? Essa prática está em viés de alta nessa eleição.

Desde sempre, Nós e Eles estão presentes na vida das pessoas. Pois bem, no século XVI, La Boétie, ressaltou que o eleito “considera quase sempre o poder que o povo lhe conferiu como devendo ser transmitido a seus filhos; bem como escreveu Maquiavel: “aquele que promove o poder de um outro perde o seu...”. Essa complacência é um padrão “derivado da subordinação social e política”, diz Zander (2014), que continua aniquilando à cidadania, e os agricultores familiares são vulneráveis demais a esses males e essas crises.

Por isso, Rousseau em 1762, argumentou para que serve o governo – “o ato que institui o governo não é, de forma alguma, um contrato, mas uma lei, que os depositários do Poder Executivo não são os senhores do povo, mas seus funcionários, os quais pode ele designar ou destituir quando lhe agradar, que não se trata para eles de contratar, mas de obedecer e que ao se encarregarem das funções que o Estado lhes impõe nada mais fazem do que cumprir seu dever de cidadão sem ter, de modo algum, o direito de questionar as condições”. 

Desde sempre, Nós e Eles, estão presentes na nossa casa, na nossa rua; nas coisas do outro mundo, é uma complexa relação social afastada do equilíbrio da (e de) vida, que é retroalimentada pelo ausente controle social. Daí é vital o controle social para garantir à prosperidade pelo usufruto dos bens primários propostos por Oliveira (2010): individualidade, liberdade, posse e felicidade para promover o bem-estar.

Decerto que, Nós e Eles, cabem muito bem no comentário de Arendt (2008) - "Será que podemos detectar uma das expressões do mal, qual seja, o mal banal, como fruto do não-exercício do pensar?" De modo que, o exercício do agir entre cidadãos livres e iguais, a ética da cidadania, se dá na rua, daí a significância do VOTO que é individual e secreto. Mas na rua estamos sós! Aí escolhemos agir como pessoas e suas redes de relações domésticas, a ética do compadrio e a ética do outro mundo, onde o VOTO é desigual e relacional – pois em casa estamos
juntos - clique e leia a opinião de Zander:   


O que podemos aprender, desprender e reaprender com essas escolhas rumo ao bem-estar? Como queremos ser uns com os outros? Quem somos? 





sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Da domestição de plantas, animais, inovações ao bem-estar

Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

Da domesticação de plantas, animais e inovações, do regime de sesmarias, da Lei de Terras de 1850, do Estatuto da Terra de 1964, do 1º Plano Nacional de Reforma Agrária de 1985/1989, da Constituição de 1988 até a contemporaneidade, a concentração da propriedade fundiária no Brasil cresceu e consolidou-se com a marca da imutabilidade na história do acesso a terra. Uma das consequências desse processo é o acirramento das desigualdades regionais, sociais e econômicas com a crescente piora na distribuição de riqueza e de renda; e na adoção de inovação, investimento e produtividade, gerando um modelo em que o jogo de soma zero prevalece com impactos negativos para o desenvolvimento do agronegócio e, principalmente da agricultura familiar, do rural e sua complexa sociabilidade e socialização  https://www.oxfam.org.br/10-acoes-urgentes-contra-as-desigualdades-no-brasil

A percepção de uma nova ruralidade se caracteriza pelo desenvolvimento agrário e agrícola e não-agrícola, e deve estar baseada nos princípios ecológicos [interdependência, reciclagem, parceria, cooperação, fluxo cíclico dos processos naturais, flexibilidade, diversidade] exaltados por Capra (2002), quando se analisa o desempenho das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, no tocante ao acesso, uso e controle dos recursos naturais, da estrutura dos tributos, da inclusão da externalidade (custo social e ambiental - o custo de oportunidade) e da inovação potencializam os bens intangíveis: marca, propriedade intelectual, habilidade, software, etc.

Essa nova ruralidade pode ser percebida no tocante a outros aspectos como o progresso da ciência e da inovação nas zonas rurais, às disposições sociais, o financiamento das atividades, à exploração de atividades de bens intangíveis, à geração de renda etc. Essas condições são essenciais para que o planejamento e a gestão estratégica (ferramentas gerenciais e alvos preestabelecidos) e os princípios da Administração Pública: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicização e eficiência neutralizem ameaças geradas pelas trocas desiguais econômicas e ou ecológicas e garantam oportunidades seguras e lucrativas aos negócios e outros interesses dos rurícolas e dos agricultores, principalmente dos beneficiários da Lei 11.326 de 2006, doravante agricultores familiares, em termos segurança alimentar e nutricional, elevação da produtividade, da renda líquida e do bem-estar pelo usufruto dos bens primários: individualidade, liberdade, posse e felicidade (Oliveira, 2010).

Evidente que o novo rural convive com formas tradicionais e estruturas arcaicas seculares, onde não há qualquer distinção entre o público e o privado; e que são responsáveis pelo atraso econômico e social e pela força política da ética de compadrio de carácter patrimonialista, principalmente. Aliás, qualquer política de desenvolvimento e planejamento de ações nas zonas rurais, deve-se não só levar em conta os elementos do atraso que persistem nas zonas rurais, principalmente no Nordeste, bem como levar em conta à redução das desigualdades regionais, sociais e econômicas nos estilos de vida dos rurícolas, dos beneficiários da Lei 11.326, garantindo-lhes que a ideia do negócio assegure o acesso e o uso dos bens primários pela desconcentração da riqueza - https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2018/04/11/concentracao-renda-ibge.htm

Ademais, os agricultores, principalmente esses beneficiários, os jovens rurais e os stakeholders nos espaços públicos e privados vêm discutindo, refletindo, agindo e buscando soluções para os problemas: acesso à inovação, terra, crédito, pesquisa e ater, associativismo, mercado dos produtos in natura ou beneficiados, renda, moradia, segurança pública, saúde e educação de qualidade, por exemplo.

Todavia, para se analisar e discutir o setor agrário e agrícola no Brasil e, especialmente em Alagoas, o Projeto de Lei do Senado nº 258/2010 que institui a Política de Desenvolvimento do Brasil Rural e toda sua complexidade e interações sociais, econômicas e políticas sob o viés transversal da aplicação do Código Florestal e das Águas, da Lei dos Crimes Ambientais na bacia hidrográfica, por exemplo, é o ponto de partida.

Entretanto, não é pretensão esgotar esses temas, pois tornaria o texto de difícil leitura, quando, na verdade, a intenção e fazer apenas um panorama da agricultura no país e em nosso estado. Todavia, uma política agrícola não pode está assentada numa série de aspectos intuitivos. Devem-se considerar os aspectos essenciais, os contextos históricos e ambientais (nos sentidos do espaço, tempo e relações com a natureza e as leis), a dinâmica e estruturação das perspectivas da economia regional, nacional e internacional no curto, médio e longo prazo.

economia, tangível e intangível, é a ferramenta para promover e compartilhar o Desenvolvimento Sustentável, como o define Oliveira (2010) – “um processo em rede dialética compartilhada pelo indivíduo e suas categorias [conflitos e alianças] ao preservarem e usarem os recursos naturais e os tributos [planejamento, gestão, ideia de negócio] transforma-os em bens e serviços [proposta de valor]: do autoconsumo ao mercado, da renda ao bem-estar pelo usufruto dos bens primários - individualidade, liberdade, posse e felicidade, intra e intergeracional [justiça social]”; e decerto nos ajuda a compreender e a alavancar a economia política e o bem-estar com todos.



[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável, Engenheiro agrônomo, professor da UNEAL, membro da Academia Brasileira de Extensão Rural/ABER, diretor do Sindagro.