quinta-feira, 30 de abril de 2026

Se está ruim, pode piorar

 Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

Há dezenas de milhões de brasileiros espoliados, destaco os beneficiários da Lei 11.326/2006, e adianto que todos sobrevivem numa contínua violação do estado de Direito. Esse mal-estar é agravado pelo Estado patrimonialista – pelos interesses privados dos agentes públicos e interesses públicos dos agentes privados – pela insegurança jurídica e alto imposto regressivo; a malversação do dinheiro público pelos governantes e suas bem-sucedidas políticas públicas clientelistas, é contra o bem viver do indivíduo advindo de normas de conduta justa e governo limitado. O Estado condena dezenas de milhões deles, vivem em privação diária, espoliados legal e ilegalmente; enquanto, os privilegiados usufruem de ambas.

Suas ausências como pagadores de impostos no debate público, via de regra, nas audiências públicas do PPA, LDO e LOA, federal, estadual, distrital e municipal; aponta para uma necessária e oportuna ação proposital do agricultor em resolver suas necessidades, como prosperar e bem vivenciar à vida.

É comum: pela renda (em geral, abaixo de um salário mínimo), o elevado nível de descapitalização e endividamento bancário; e de maioria analfabeta, esses beneficiários e os jovens rurais não usam com frequência a interação: computador-internet-dispositivos móveis de banda larga de qualidade. Sucede que o uso de tecnologia de baixa produtividade, o ineficiente planejamento e gestão; sua visão sem prazo, bem como a de curto prazo dos planejadores, estatais e privados; sobretudo, pelo caráter político-ideológico da Lei 11.326, uma espoliação legal, que contamina os juízos de valor e o entendimento sobre agricultura familiar como atividade econômica geradora de emprego, renda, prosperidade e bem viver. 

E aqueles afetados por uma Reforma Agrária pífia, por não considerar o módulo rural e a composição familiar como critérios de acesso à terra; e pela baixa qualidade do serviço de pesquisa agrícola e extensão rural, estatal e privado, expõem suas precárias atuações, principalmente no Norte e Nordeste.

Ora, os agricultores, ou quaisquer outros indivíduos, que estão entre dezenas de milhões de pessoas que ganham até 3 salários mínimos, têm uma vida precária. E, ainda, estão entre os responsáveis por 53,79% (IBPT) dos impostos arrecadados pelo governo, que, via de regra, pagam muito e recebem serviços ruins de segurança jurídica e pública, educação, saúde, pesquisa agrícola e extensão rural, por exemplos. De todo modo, não há ações desses beneficiários e de suas representações em prol da contínua melhoria, eficiência e eficácia na qualidade dos tais serviços. O Brasil, entre os piores na devolução dos impostos.

Por ora, esses agricultores familiares buscam a cooperação e troca pacíficas; empregam a pouca tecnologia que dispõem para preservarem, usarem e remediarem os fatores de produção; tampouco otimizam os bens de capital, logo, a produção e o consumo são baixos; e pagam muitos tributos; assim não realizam suas preferências temporais, individual e coletiva; pois, sua riqueza  privada é pouca e a pública é quase indisponível; longe do estado de Direito não usufruírem de direitos inalienáveis – individualidade, liberdade, propriedade – e longe de bem vivenciar seus valores.

Essas causas repercutem negativamente na capacidade organizacional dos agricultores e empreendedores, que cientes das necessidades de melhorarem seus conhecimentos, habilidades, competências, talentos e atitudes, para decidem sobre recursos, processos e valores, que baseadas na excelência da ideia de negócio gerenciem com eficiência os fatores de produção e com eficácia a oferta dos bens e serviços funcionais, convenientes, confiáveis a preços correntes satisfazem os consumidores. 

Então, problematizar o agricultor familiar, quando do cultivo agrícola e da resiliência dos ecossistemas sobre a produtividade de todos os fatores e a eficiência da conectividade sobre o planejamento e gestão da ideia de negócio, para produzir, mercadejar, prosperar para o bem viver a si e a terceiros, é necessário e oportuno. Pois bem, é o indivíduo, o solucionador do seu desconforto sob a ótica dos conflitos de visões de mundo e de interesses, numa ordem espontânea baseada na ética, propósitos e valores. 

 

 

 



[1               [1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável e professor da UNEAL