domingo, 31 de maio de 2026

O indivíduo, um ser livre e de propósito!

Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

No entanto, pode tornar-se um desaparecido. E assim agir como se fosse “um membro de uma comunidade de formigas ou cupins governados por um instinto hereditário e controlados pelas leis de um todo superordenado”, argumenta von Bertalanffy.

Então, quem sou como indivíduo? Como observo e pratico minhas virtudes e vícios, se a maioria dos mais 8 bilhões de habitantes sobrevivem sem praticar sua liberdade espontânea e imprevisível. E questionando-me como espécie? O que é progresso, preferência temporal, individual e coletiva, poder estatal, poder social, norma de conduta justa, ética. Em suma, civilização é o quê?  

Sobretudo, porque sua experiência de vida significa que “a liberdade concedida apenas quando se sabe de antemão que os seus efeitos serão benéficos não é liberdade”, ilustra Hayek – a liberdade espontânea não é uma decisão de especialista, é ética, por isso, o indivíduo a deseja. E faz sentido que o estado de vida e da vida, via, por regras voluntárias entre os indivíduos, apenas enquanto, a lei for “a organização coletiva do direito individual em legítima defesa”, incita Bastiat; pois, “o mais grave perigo que hoje ameaça a civilização é a intervenção do Estado”, ecoa Ortega y Gasset.

O indivíduo, por certo, ao compreender o estado da vida e de vida na bacia hidrográfica cria negócios, inova no planejamento, gestão e oferta bens e serviços funcionais, convenientes, confiáveis e úteis a preços concorrentes aos consumidores. E como observa e compartilha tendências e cenários organiza e melhora as trocas desiguais ecológicas e econômicas sob regras formais e informais em condições favoráveis para alavancar o progresso abrindo mão voluntariamente de algumas delas, em favor de regras que vêm sendo aperfeiçoadas por milênios, em destaque as experiências e diálogos como exercícios da liberdade imprevisível em contínuos processos de aprendizagem, desaprendizagem e reaprendizagem sobre os princípios ecológicos (o estudo da casa) e os fundamentos econômicos (o manejo da casa), assegura-lhe uma vida confortável pela concretude de suas preferências temporais.

O indivíduo, por necessidade e oportunidade, pensa, dialoga, age, planeja, gere e negocia estrategicamente o uso dos fatores de produção e bens de capital, da tecnologia e inovação, do livre mercado de bens e serviços e do lucro, ora em condições espoliadoras, dia a dia, pelos altos impostos cobrados pelo governo e pela constante intervenção do Estado e dos stakeholders. Então decide, via de regra, pelos seus juízos de valor os objetivos realizáveis sobre sua prosperidade e bem viver ao primar pela eficiência, eficácia e ótima qualidade da produção e consumo; e melhora a cooperação, a troca, a ordem espontânea e a realidade ampliada estimula o progresso e suas preferências temporais, individual e coletiva. É o indivíduo que pensa e age como uma força motriz, protege, conserva, usa, inova, produz, especializa, armazena, consume, intercambia e otimiza ideias em abundância e bem-estar em ascendência, garante-lhe, usufruir à riqueza privada e a pública, e torna-o próspero e liberto.

Sem dúvida, exige do indivíduo, um propósito de vida que protegido por norma de conduta justa promove e alavanca o Desenvolvimento Sustentável – “o indivíduo que, baseado no seu juízo de valor, age numa ordem espontânea e, no exercício do estado de Direito, cria uma ideia de negócio – uma organização social em cooperação propositada com outros – escolhe, satisfeito suas preferências temporais, individuais e coletivas. Utilizam o talento, a habilidade e a competência para decidir como preservar e utilizar, com eficiência, os fatores de produção e tributos; transforma-os bens e serviços funcionais, convenientes e confiáveis e, com eficácia, oferece-os no livre mercado, pautado no conceito de valor do consumidor, para bem vivenciar seus valores" (OLIVEIRA).

Ah! O indivíduo (o consumidor) ao compartilhar experiências, leituras e filosofias sobre a liberdade, pensa, age e usa o instinto (liberdade e ação) e a razão (controle e previsão) para prover suas necessidades e autorrealizações: comida, água, abrigo, troca, produção, consumo e aprender a viver, entre outras, e assim escolhe suas preferências temporais, individual e coletiva, ora poupa ou consume, em ambiente privado e público; logo, estimula as instituições inclusivas, econômica e política e, em uma ordem espontânea impulsiona o livre mercado e o Estado de Direito pela eficiente cooperação, troca e interação pacíficas nessa era digital acessível e onipresente; certamente, pela ação advinda da liberdade imprevisível e de seus valores: razão, motivação, propósito, ética – é uma ação proposital.

 

 



[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável, professor da UNEAL, articulador do sabecomquemestafalando.blogspot.com e da Tribuna Independente de Maceió/Alagoas