sábado, 26 de outubro de 2013

Uma afronta ao bem-estar do agricultor familiar, a demissão dos empregados da Carhp.



O olhar do extensionista, Marcos Antonio Dantas de Oliveira, sobre a sessão pública - demissão dos empregados da Carhp [Emater, Epeal, Comag, Ematur, Edrn, Codeal e outras], realizada na Assembleia Legislativa de Alagoas, convocada pelo Deputado Ronaldo Medeiros [PT] -, revela o tratamento irrelevante dado pelo governo do Estado aos agricultores e extrativistas familiares [povos e comunidades tradicionais], no que diz respeito a prestação do serviço de  Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural e de outras políticas públicas, tratamento comum, na grande maioria dos outros estados.

E o olhar desse extensionista sobre o serviço de  Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural e de outras políticas públicas se completa com o oportuno texto do economista Fábio Leão, sobre a função do Estado.

Políticas macroeconômicas e sua adequação a um projeto de desenvolvimento nacional: quais as políticas macroeconômicas o governo brasileiro tem utilizado e quais as que ainda precisariam ser
implantadas?

Fábio Leão, Economista1

Políticas macroeconômicas, em primeira instância, representam a possibilidade de intervenção do Estado na economia como forma de corrigir as falhas do sistema puro de mercado baseado no mecanismo de preços como ajuste geral.

A economia ortodoxa prega o livre mercado como forma de resolução dos problemas de alocação em uma economia capitalista. Com o pressuposto de que toda a oferta cria a sua própria demanda (Lei de Say), se o sistema passasse por desequilíbrios parciais, o mecanismo de preços ajustava o equilíbrio geral da economia, que retornava ao seu curso “natural”.

A partir da percepção de que o sistema de preços apresentava falhas de mercado (externalidades), constatou-se a necessidade de intervenção do Estado na economia para corrigir as falhas e promover a internalização das externalidades. As externalidades podem ser negativas (caso da poluição) ou positivas (o caso do efeito dinâmico no adensamento de uma cadeia produtiva, quando da instalação de uma nova fábrica em um determinado local). Além disso, o Estado passou a ser uma importante alternativa em momentos de crise do sistema capitalista para impulsionar a demanda agregada e criar estímulos positivos ao longo de todo o sistema econômico.

Contrário aos preceitos da Lei de Say, Keynes inverteu o raciocínio vigente propondo que é a demanda que determina a renda na economia, criando o princípio da demanda efetiva2. Segundo Keynes, os principais males do sistema capitalista são dois: o excessivo grau de concentração da renda e a incapacidade do sistema de sustentar o pleno emprego de trabalhadores e da capacidade produtiva3.

Um dos fatores principais no modelo keynesiano é o papel da moeda na economia, além das expectativas dos agentes econômicos. A moeda em Keynes não é neutra e compete com outros ativos a preferência pela liquidez.  Políticas econômicas para economias monetárias, pp. 265. dos agentes. Adicionalmente, os agentes agem procurando antecipar suas expectativas quanto ao futuro.

Assim, caso os agentes tenham a expectativa de que o preço da moeda (taxa de juros) vai se alterar procurarão reter mais ou menos moeda para proteger suas posições de investimentos, bem como para os motivos de transação (compra de bens e serviços) e pagamentos ao longo de um determinado período de tempo.

Keynes não acreditava na capacidade do uso da taxa de juros como ferramenta estabilizadora da renda. Assim, ele defendia o sistema tributário e uma política fiscal ativa para reduzir as fontes de concentração da renda na economia.

Em uma política fiscal ativa, o governo deve ter dois orçamentos: a) um orçamento ordinário, responsável pelos gastos correntes para as funções ordinárias do serviço público e b) um orçamento discricionário ou de capital, responsável pelos investimentos para impulsionar a demanda agregada. O orçamento ordinário deve ser equilibrado, de modo a não impactar negativamente no déficit público. O orçamento de capital deve, por seu turno, ser utilizado para promover o aquecimento do consumo e a redistribuição da riqueza, atuando diretamente na desconcentração da renda na economia. O Estado pode tanto aquecer o consumo pela via das desonerações setoriais como promover investimentos na economia para a formação bruta de capital fixo, criando as bases para os ganhos de produtividade e, no longo curso, o desenvolvimento econômico.

No tocante às políticas monetárias, o Estado tem a seu favor todo um arsenal de controle das taxas de juros na economia, controle da liquidez, controle do crédito. As condições dessas variáveis afetam diretamente o consumo das famílias e a decisão das empresas em investir. Assim, quanto mais baixas forem as taxas de juros na economia, maior será a tendência das pessoas a consumirem e das empresas a investirem, uma vez que a aplicação no mercado financeiro fica menos rentável e, portanto, menos atraente para as pessoas e mais acessível e barato para as empresas.

Para controlar as condições do crédito na economia, o governo utiliza a política monetária. Com esta política, o governo controla a quantidade de dinheiro em circulação na economia, podendo também aumentar ou diminuir a capacidade dos bancos de emprestarem (via controle dos compulsórios), além da utilização do mecanismo de emissão de títulos públicos, modificando as taxas de juros da economia.

Diante de tudo isso, podemos afirmar que as políticas monetária e fiscal são importantes para organizar a economia no curto prazo, controlando a inflação e dinamizando a economia por meio de impulsos da demanda agregada e do consumo. O controle das taxas de juros a patamares próximos dos países desenvolvidos e alguns em desenvolvimento, sinaliza para a economia uma ambiência favorável a investimentos no curto e médio prazos, possibilitando ciclos de crescimento econômico.

As políticas tributárias, por sua vez, induzem o crescimento da demanda agregada no curto prazo, promovendo o consumo e novos investimentos. No entanto, essas políticas não são suficientes para a promoção de um desenvolvimento nacional sustentável no tempo. De acordo com Gentil eAraújo4, (...) as políticas macroeconômicas para a área fiscal e monetária não favorecem o crescimento. Vários instrumentos produzem efeitos adversos e se conjugam para frear os impulsos endógenos: as taxas de juros excessivamente altas ainda que em queda, o patamar elevado do superávit primário, a taxa de câmbio sobrevalorizada e os crescentes déficits em transações correntes a partir de 2008, atuam no sentido de travar a economia (pp. 12-13).

A despeito disso, o governo brasileiro tem abusado da utilização dessas políticas para a promoção do crescimento econômico do país. O controle da inflação via taxa de juros e o incentivo ao consumo através das transferências de renda para a população da base da pirâmide, além das desonerações tributárias em setores estratégicos, tem dado um impulso ao crescimento da economia. Por outro lado, o foco nas commodities no flanco externo (balança comercial) e sua preferência em decorrência da forte demanda mundial, trouxeram sinais dúbios para a economia nacional. Por além dos superávits comerciais, o foco nas commodities trouxe a reboque uma diminuição do peso da indústria na economia brasileira. A participação da indústria no PIB (produto interno bruto) do Brasil caiu de 35,8% em 1984 para 15,3% em 2011 (In: Gentil e Araújo, 2012). As conseqüências disso em termos de produtividade para o país são muito fortes, comprometendo o próprio processo de crescimento no futuro próximo.

O resultado dessa política é que a base produtiva e a distribuição de riquezas no país não se modificou em sua estrutura. Temos, por óbvio, uma maior participação de classes sociais no consumo e uma dinamização do mercado interno. Porém, estes movimentos não foram suficientes para modificar a estrutura produtiva da economia nacional. Continuamos com grande heterogeneidade regional, setorial e ocupacional no país – as bases da manutenção da concentração de renda.

Mais além da macroeconomia de curto prazo. Artigo submetido ao XVII Encontro Nacional de Economia, no Rio de Janeiro, 2012. Diante de um grande crescimento do setor industrial nas economias em desenvolvimento – como a China 43,1% e a Coreia, 30,4% (dados da ONU para 2011) – parece que o Brasil escolheu a ‘commoditização’ de sua economia como foco do modelo de desenvolvimento. O crescimento dos setores ligados aos recursos naturais e à indústria extrativa, o desenvolvimento da construção civil e os investimentos do setor público, não tem sido suficiente para transformar por dentro a estrutura da economia brasileira.

Outras políticas são, portanto, necessárias para a promoção de um modelo de desenvolvimento nacional de longo prazo. O modelo de desenvolvimento da economia brasileira padece de baixa produtividade da mão de obra e parcos investimentos em educação e em ciência, tecnologia e inovação.

Novamente, se compararmos os indicadores de investimentos no sistema de C,T&I (ciência, tecnologia e inovação) do Brasil com os de países como China e Coreia, percebemos o quanto estamos longe de um processo duradouro de desenvolvimento econômico. Comparativamente à China, o Brasil tem 15 vezes menos pessoal em atividade em P&D (2008); seis vezes menos gastos em P&D como proporção do PIB (2009) e quatro vezes menos PhDs (2009). O resultado disso pode ser medido pelo número de patentes (China: 6.879; Brasil: 464; 2009) e pelo PIB dos dois países (China: US$ 9.135,3 bi e Brasil: 1.958,8 bi – ppp, 2009).

De forma esquemática, podemos apontar os principais caminhos de políticas para a construção de um modelo de crescimento nacional continuado e sustentável para o Brasil:
1. Política de fortes investimentos na educação, como forma de incremento da produtividade da mão de obra para ganhos sustentáveis nos salários dos trabalhadores.
2. Reestruturação da política industrial, com a remoção dos entraves para o crescimento no que diz respeito a carga tributária, redução dos juros e melhoria da ambiência para a realização dos negócios (estabilidade institucional, regras claras e redução da burocracia).
3. Política de crédito ativa, que beneficie os investimentos produtivos através do fortalecimento do sistema de fomento nacional e dos bancos públicos.
4. Aumento da magnitude dos gastos públicos e redução dos trâmites para a ampliação da velocidade de utilização dos recursos.
5. Forte política de incentivo à pesquisa, tecnologia e inovação, por meio da indução das empresas no processo de melhorias de produtividade.

A recuperação do lado da oferta da economia com a calibragem dos gastos públicos direcionados à produção e à redução das disparidades regionais, com aumento dos investimentos na formação bruta de capital fixo, descortina um caminho para o desenvolvimento econômico sustentável no tempo.

BIBLIOGRAFIA
CARVALHO, F.J. Cardim de (1999). Políticas Econômicas para Economias Monetárias”, in G.T.
Lima, J. Sicsú, J. Sicsú e L.F.R. de Paula, Macroeconomia Moderna: Keynes e economia
contemporânea. Rio de Janeiro: Campus, Cap. 12, pp. 258-283.
GENTIL, D.L. e ARAÚJO, V.L. de (2012). “Mais Além da Macroeconomia de Curto Prazo”. Anais
do XVII Encontro de Economia Política da SEP (Sociedade de Economia Política). Rio de Janeiro:
Instituto de Economia da UFRJ.
HERMANN, J. (2002). “A Macroeconomia da Dívida Pública: notas sobre o debate atual e a
experiência brasileira recente (1999-2002)”. Cadernos Adenauer, Ano III, nº 04. Rio de Janeiro:
Fundação Konrad Adenauer, Novembro, pp. 41-70.


1 Economista. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente e atualmente Diretor de Desenvolvimento
e Projetos da Agência de Fomento de Alagoas S.A. (Desenvolve).
2 DE = f(PMgC; EMgK; r). 
3 CARVALHO, F.C.,
4 GENTIL, D. L; ARAÚJO, V. L. de.


sábado, 12 de outubro de 2013

Como tem gente 'grande' malvada

Marcos Antonio Dantas de Oliveira


Atente para a ação dessa gente:

O fundo partidário em 2012 distribuiu 350 milhões aos 29 partidos. Só o deputado federal TIRIRICA do Partido Republicano/PR, com seus 1,3 milhão de votos colocou no cofre do PR, 4,2 milhões de reais este ano[1].

Na escola: De 100 bilhões de reais destinados ao ensino público, 40 bilhões podem ter sumido em ralos diversos[2].

A construtora “Delta é acusada no desvio de 300 milhões de reais de obras públicas[3].

E o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome identificou 2.168 beneficiários que continuaram recebendo o dinheiro do programa [Bolsa Família] apesar de terem sido eleitos para prefeituras e câmaras municipais Bolsa Família[4].

A má gestão dos recursos públicos chega a 440 bilhões de reais por ano, segundo a revista Veja, 2013. A sonegação chega a cerca de R$ 415 bilhões todos os anos[5].

A arrecadação dos impostos já ultrapassa a um trilhão de reais, este ano.

E a corrupção notoriamente noticiada pela mídia e pelos indivíduos é tão grande na esfera pública e privada, que com certeza ultrapassa centenas de bilhões de reais.

Então, por que tanta apatia dos indivíduos, da sociedade, dos fiscais, dos órgãos responsáveis pela fiscalização dos recursos públicos?

Tem mais: para os filhos das classes A e B, a fase da mesada das crianças começa aos cinco anos[6]. Bem como é importante reforçar para a criança que há ocasiões importantes para ganhar presentes.

Já a mesada das crianças pobres vem do seu trabalho nas esquinas, carvoarias, lixões, e nas atividades agrícolas, vem também da prostituição e do trágico de drogas.

Na classe pobre, “a falta de dinheiro afeta o raciocínio. Pobres tomam decisões ruins e a situação piora ainda mais”. “Estar pobre torna as pessoas menos capazes de fazer as coisas direito e afeta a habilidade de pensar”, segundo pesquisadores da Universidade de Princeton e Harvard[7] - Leia entrevista de Eldar Shafir, www.folha.com/no1341992

E para essa gente 'grande' malvada o discurso do 'berço esplendido' sobre as políticas públicas, em geral é suficiente. Não está interessada em garantir a inviolabilidade do artigo 7 da Constituição Federal - moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social

O “Brasil tem 3,6 milhões de crianças e jovens fora da escola[8]”. “Cerca de 3,5 milhões de menores continuam sujeitos ao trabalho infantil. Mais de um terço estão no Nordeste – Maceió/AL tem 62 mil menores submetidos a trabalho sem remuneração[9]”.

E tem mais: crianças continuam morrendo porque não lavam as mãos, neste Brasil, enquanto o desperdício de água tratada para cada 100 litros é em Macapá 72, Recife perde 71, Maceió, 65, por exemplo. E segundo o Instituto Trata Brasil, a média de perdas financeiras com a água para os 100 municípios analisados foi de 40,08% - pior que a média do país [38%][10].

O desperdício [má aplicação e gestão, sonegação, corrupção] do dinheiro do contribuinte, do dinheiro suado, da mais-valia, é uma afronta aos indivíduos das classes: C, D e E, principalmente as crianças.

As crianças precisam ser salvas todos os dias da fúria dos capitalistas, dos professores, dos religiosos, dos tios, dos irmãos, dos pais, entre tantos outros aproveitadores da vitalidade das crianças.

Então, todos os dias é dia da criança[11], em especial da criança rurícola entre tantas outras abandonadas por aqueles que deviam protegê-la. Pois, segundo Rawls [2002] “cada pessoa possui uma inviolabilidade fundada na justiça que nem mesmo o bem-estar da sociedade como um todo pode ignorar. Por essa razão, a justiça nega que a perda da liberdade de alguns se justifique por um bem maior partilhado por outros”.

E discutir e promover o desenvolvimento sustentável [justiça social] significa aprender a conhecer, a fazer, a ser, a viver junto [gozar das liberdades fundamentais e exercer a cidadania igual] para acessar e usufruir dos bens primários [autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, direitos, liberdades e oportunidades, renda, riqueza propostos por Rawls (2002)], e a criança em primeiro lugar.


Em tempo: Valha-me DEUS - Salve o ENGENHEIRO AGRÔNOMO e a CRIANÇA?!. [12 de outubro].





[1] Gazeta de Alagoas/11 de outubro de 2013
[2] Revista Época/05 de agosto de 2013
[3] Gazeta de Alagoas/02 de outubro de 2013
[4] Gazeta de Alagoas/12 de outubro de 2013
[5] Correio Braziliense/06 de junho de 2013
[6]Gazeta de Alagoas/12 de outubro de 2013
[7] Folha de S. Paulo/15 de setembro de 2013
[8] www.ecodebate.com.br/2013/03/07/brasil-tem-36-milhoes-de-crianças-e-jovens-fora-de-escola/    


[10] Gazeta de Alagoas/04 de outubro de 2013

[11] Conhecer e praticar o Estatuto da Criança e do Adolescente

domingo, 18 de agosto de 2013

JOSÉ, um estado da [e de] vida

Marcos Antonio Dantas de Oliveira

Fui ao delírio ao assisti na tarde de sábado, na tv Senado, a melancólica, a extasiante, a libertária poesia – JOSÉ – de Carlos Drummond de Andrade; sensível, refleti sobre os brasis de Capistrano de Abreu; e com os pés no chão enxerguei o Brasil real dos políticos-príncipes: Com regalias e privilégios para esses poucos desse Brasil – por exemplo, custo mensal de um deputado federal de R$ 138.000,00[1]  Vivem na luxúria, felizes por serem bancados pela sociedade.

Ouvi o Brasil, a sociedade, surreal que banca esses príncipes – Agricultor,“participante do Programa Alagoas Mais Leite e do Balde Cheio, e cuja propriedade virou referência em gestão e melhoria das condições de produção com aumento de renda. Antes de ser atendido pelos programas, ele adquiria com a venda do leite apenas R$ 80 por mês. Atualmente, a renda dele chega a R$ 1.800 por mês só com a venda do leite”[2] – E dessa renda familiar baixa, sobra trabalho penoso, diouturno; e por esse trabalho recebeu o prêmio estadual e nacional de empreendedorismo, concedido pelo Sebrae/AL, na categoria agronegócio.

E com a voz sem ruídos, indago, e agora, José? 

          A festa acabou,
          a luz apagou,
          o povo sumiu,
          a noite esfriou,
          e agora, José?
          e agora, você?
          você que é sem nome,
          que zomba dos outros,
          você que faz versos,
          que ama, protesta?
          e agora, José?

          Está sem mulher,
          está sem discurso,
          está sem carinho,
          já não pode beber,
          já não pode fumar,
          cuspir já não pode,
          a noite esfriou,
          o dia não veio,
          o bonde não veio,
          o riso não veio
          não veio a utopia
          e tudo acabou
          e tudo fugiu
          e tudo mofou,
          e agora, José?

          E agora, José? 

          Sua doce palavra,
          seu instante de febre,
          sua gula e jejum,
          sua biblioteca,
          sua lavra de ouro,
          seu terno de vidro,
          sua incoerência,
          seu ódio - e agora?

          Com a chave na mão
          quer abrir a porta,
          não existe porta;
          quer morrer no mar,
          mas o mar secou;
          quer ir para Minas,
          Minas não há mais. 

          José, e agora?

          Se você gritasse,
          se você gemesse,
          se você tocasse
          a valsa vienense,
          se você dormisse,
          se você cansasse,
          se você morresse... 

          Mas você não morre,
          você é duro, José!

          Sozinho no escuro
          qual bicho-do-mato,
          sem teogonia,
          sem parede nua
          para se encostar,
          sem cavalo preto
          que fuja a galope,
          você marcha, José!
          José, para onde? 

         Celebre Carlos Drummond - JOSÉ http://www.youtube.com/watch?v=CaexXJ6UFnw





[1] ISTOÉ, 24 de julho de 2013
[2] Agência Alagoas 16 Agosto de 2013


domingo, 4 de agosto de 2013

Ecô! Ecô! Que PAÍS é esse?

Marco                  Marcos Antonio Dantas de Oliveira [1] 


O brasileiro precisa ter no bolso 8.000 dólares por ano para atingir nota 7, em uma escala de felicidade, desenhada Universidade de Michigan [2]; e o americano precisa de 32.000 dólares por ano para ter o mesmo nível de felicidade. Então, a felicidade varia em função do acesso e usufruto dos bens primários - autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos, segundo Rawls (2002). E continua Rawls, “os bens primários são presentemente definidos pela necessidade das pessoas em razão de sua condição de cidadãos livres e iguais e de membros normais e plenos da sociedade durante toda a vida”.
E nesse país longe da felicidade está a classe média que tem renda entre 291 a 1.019 reais por pessoa, segundo a Secretaria da Presidência da República. Donde, conclui-se que muitos brasileiros da classe média estão em insegurança alimentar; ridícula, mas verdadeira sua condição social e econômica. Entre eles, os agricultores e extrativistas familiares, e segundo Alves e Rocha (2010), “mais da metade das propriedades rurais, por exemplo, com níveis de renda entre zero e meio salário mínimo [53,4% do total] encontram-se, segundo os autores, inviabilizados produtivamente, pois [...] a residência serve basicamente como moradia, sendo a atividade agrícola insignificante”. E na Amazônia, a coleta de copaíba faz parte do dia-a-dia de quarenta cooperados. Em 2012, a venda do óleo gerou uma receita de R$ 1.200 para cada um [3].
Os minifúndios [agrícola ou extrativista] operam precariamente como unidades para autoconsumo, de reserva de mão de obra, ainda que analfabeta, desqualificada e barata, e de moradia; e, há poucas alternativas de sobrevivência em outras atividades para esses minifundiários, principalmente, para as mulheres e os jovens rurais, no Norte e no Nordeste. Alagoas tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano/IDH – http://g1.globo.com/brasil/noticia/2013/07/veja-aqui-o-idhm-do-seu-municipio.html. E que o alagoano de 10 anos ou mais de idade teve rendimento médio em 2011, de R$ 461 [5]; portanto, ele é pobre, e ainda fica claro o trabalho de crianças e adolescentes.
Enfim, a maioria dos brasileiros vivem intensamente “Vidas Secas” de Graciliano Ramos. Conheça mais Alagoas acessando –  http://informacao.seplande.al.gov.br/
E no lugar rural, muitas famílias ainda com posse precária da terra e sem documentos pessoais, sofrem ainda mais com o baixo crescimento do negócio agrícola [incluído seu patrimônio imaterial]; a renda precária gerada, instável e baixa; o baixo grau de escolaridade; a insegurança alimentar e nutricional, além da jurídica aliada ao baixo crescimento do PIB [menos de 3% para este ano]; aos serviços públicos ineficazes; e a má gestão dos recursos privados e públicos aprofunda a vida penosa da maioria dos agricultores e dos extrativistas familiares [ou melhor, dos beneficiários da lei 11.326], e torna difícil a permanência na atividade e no imóvel e a sucessão familiar – “Quilombolas expõem miséria brasileira: 75% vivem em situação de extrema pobreza” [6].
E mais, a esperança de vida ao nascer do brasileiro que aumentou de 70,4 em 2000 para 74,1 em 2011[7], pode significar para os que ganham abaixo do salário mínimo de 2.750,83 reais [em julho de 2013, segundo o DIEESE], principalmente, os agricultores e extrativistas familiares, os povos e comunidades tradicionais que suas vidas por trafegar na contramão da vida digna, do bem-estar, dos bens primários vão continuar em penúria social, econômica e patrimonial.
E sabe por que: Em 2012, o governo arrecadou R$ 1,5 trilhão em impostos, e gastou 440 bilhões em má gestão; a corrupção drenou 69 bilhões de reais do cofre público [8]; e está perdendo o controle da inflação [e para as pessoas com renda abaixo de 02 salários a perda de poder aquisitivo é implacável].  
Achou pouco! Cerca de R$ 415 bilhões são sonegados todos os anos no Brasil [9].
Em Alagoas, a escola pública [IBED baixo] é uma máquina de fazer pobres.  Pois, uma das ferramentas que permite tirá-los da pobreza, o tirocínio escolar, é um fiasco http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2013/08/alagoas-tem-os-maiores-indices-de-evasao-escolar-segundo-unicef.html. E tem mais, “com 51 mortes por diarreia, secretário diz que Alagoas voltou ao século XIX.  Do total de óbitos por conta da doença, 29 foram idosos e 19 crianças”.
Não obstante o governo, brasileiro e alagoano, tem cumprido mal seu papel de arrecadador, distribuidor de impostos e zelador dos princípios da Administração pública [legalidade, impessoalidade, moralidade, publicização e eficiência], tem sido um perverso e negligente gerente das contas e políticas públicas.
Imposto, essa riqueza pública de todos continua indo para o bolso de uma minoria privilegiada e para a maioria inacessibilidade aos bens primários. Esse despautério é uma afronta à dignidade de todos, principalmente, dos agricultores e extrativistas familiares, dos povos e comunidades tradicionais, das crianças e dos adolescentes; pois, “a taxa de pobreza entre as crianças até 4 anos é hoje de 28,3%, já incluído a Bolsa Família da mãe, o salário do pai, a aposentadoria dos avós” [10]. Alagoas é o primeiro lugar em mortalidade infantil[11]http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/08/al-registra-maior-taxa-de-mortalidade-infantil-do-pais-e-sc-menor-diz-ibge.html

A insegurança alimentar dos rurícolas é de 56,4%, para aqueles que têm renda entre um ¼ a ½ salário mínimo. “Os brasileiros devem dar atenção ao hábito de lavar as mãos, para evitar a transmissão de doenças como hepatite A, conjuntivites, rotavírus, e parasitoses”, alerta infectologista[4]. No Ceará, água um bem comum escasso e de baixa qualidade – http://globotv.globo.com/rede-globo/globo-rural/v/moradores-do-ceara-reclamam-da-qualidade-da-agua-em-campos-sales-e-salitre/2723250/A que serve uma cisterna de 20 litros diários por pessoa?
Então, a insegurança alimentar e nutricional, além da jurídica, a falta de água tratada para lavar as mãos, e a pouca leitura para interpretar um texto, principalmente das crianças, serão novas formas de genocídio?
Saia dessa tirania da conformidade. Aliás, perde poder quem o entrega a um terceiro, portanto, exerça sua cidadania igual! Exerça suas liberdades fundamentais! Saia à rua! Dialogue e discuta sobre o controle dos recursos naturais [uso e não uso] e dos impostos, sobre padrões e formas de sociabilidade, sobre Desenvolvimento sustentável. Faça alianças com seus pares para acessar e usufruir dos bens primários. Celebre a dignidade!
Ecô! Ecô!

Em tempo: A presidente Dilma Rousseff sancionou o Estatuto da Juventude nesta segunda-feira (05). O texto do estatuto mantém a meia-entrada para estudante e jovens de baixa renda até o total de 40% dos ingressos disponíveis para o evento. Parabéns aos jovens, e em especial aos membros do Comitê Permanente de Juventude Rural.

Link: Estatuto da Juventude http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12852.htm 




[1] Engenheiro Agrônomo, mestre em Desenvolvimento Sustentável, membro da Academia Brasileira de Extensão Rural/ABER, vice-presidente da Sociedade dos Engenheiros Agrônomos de Alagoas/SEAGRA, professor da Universidade Estadual de Alagoas/UNEAL, e extensionista da EMATER/AL
[2] Revista Veja, 08 de maio de 2013
[3] G1.globo.com/natureza/noticia/2013/ribeirinhos-transformam-riquezas-da-amazonia-de-maneira-sustentavel.html
[4] Tribuna Independente, 18/julho/2010
[5] Alagoas em números, 2012
[7] Revista Veja, 23/janeiro/ 2013
[8] Revista Veja, 03/ julho/ 2013
[9] Correio Brasiliense - economia, 06/junho/2013
[10]  Gazeta de Alagoas, 22/julho/2010
[11] Gazeta de Alagoas, 03/agosto/2013





sábado, 20 de julho de 2013

Assista as entrevistas dadas ao Gilmar Brunetto e Enock Cavalcanti do SINTERP/MT:
Marcos Dantas, extensionista da EMATER/AL

E do Deputado Alexandre Toledo/AL e outros Deputados sobre o lugar da FASER no Conselho da Administração da ANATER.
2ª entrevista

domingo, 7 de julho de 2013

Uma Mulher, um Homem, UM VOTO

                  Marcos Antonio Dantas de Oliveira       

É o dono-cooperado, ativista e praticante do estatuto da cooperativa, o agente transformador e garantidor de justiça social. Aliás, é também vital a vigilância do dono-cooperado sobre o controle dos recursos e serviços naturais e dos tributos para o êxito da prática cooperativista - Salve a prática cooperativista.

Como assegurar o usufruto dos bens primários, com a ridícula renda mensal familiar [família numerosa] de R$ 300, caso dos cooperados da Cooprel? [1]. “Alagoas tem a maior taxa de miséria do País” – um insulto aos alagoanos.

Acrescente-se a isso as dificuldades de acesso e uso dos recursos naturais, às oportunidades econômicas, às liberdades de expressão, de consciência, de pensamento, de direito à propriedade [inclusive acesso a terra, principalmente aos jovens], aos serviços sociais, ao serviço de pesquisa agrícola e ATER – para aqueles com renda de até dois salários mínimos [e na Classe E - segundo a FECOMÉRCIO]; entre eles estão os nordestinos, os alagoanos, os povos e as comunidades tradicionais, agricultores familiares, trabalhadores de aluguel [crianças, adolescentes, mulheres, jovens, velhos], os mais atingidos em seu estado de direito, pelo alto número de analfabetos, por exemplo. Essas categorias estão com vida caótica pela pouca riqueza privada e pelo pouco acesso e uso da riqueza pública, a maioria vive em insegurança jurídica.

Aliás, essas dificuldades têm origem nos processos de exploração, expropriação, apropriação e acumulação da riqueza privada, da riqueza pública e de outras prerrogativas pelos ‘donos dos meios de produção e da natureza’; que ora, consideram os recursos naturais, renováveis e não renováveis, como eventos substituíveis e, usam a grande reserva da mão de obra disponível como estratégia para assegurar-lhes grandes lucros.

Sem sofisma. Os contratos sociais devem ser inclusivos por usar critérios de oportunidades: social e econômica e, por critérios de diferenças, pois, a brutal distribuição desigual dos bens primários [segundo Rawls (2002) são bens primários: autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos] só é tolerável se essa desigualdade contribuir para melhorar a condição de vida dessas categorias. O Estado e a iniciativa privada devem colocar em suas agendas, ações públicas que promovam e garantam vida digna aos menos favorecidos - justiça social.

Então, o associativismo e a cooperativa também são ferramentas para enfrentar essa penúria. E a Carta Magna assegura no artigo 5º [XVII: é plena a liberdade de associação..., e XVIII: a criação de associações [...] de cooperativas independem de autorização...]. Assim, os direitos e deveres individuais e coletivos dessas categorias e suas famílias são autênticos para mitigar e ou combater as desigualdades regionais e sociais e a degradação da natureza. É usando a Carta que podem e devem protagonizar maneiras eficazes para enfrentar sua penúria social e patrimonial; resguardando a natureza e seu patrimônio imaterial.

É imprescindível ao cooperado, citadino, rurícola, índio, agricultor e extrativista familiares a cidadania igual, a dialética, a liberdade individual, a prática cooperativista como estratégias para viabilizar melhorias das condições de suas vidas indignas passa pelo exercício da democracia direta [é aquela praticada pelos donos-cooperados nas assembleias, como instância máxima de deliberações].

E solidários reconheçam-se no outro ao compartilhar as relações culturais; e encantem-se com a ajuda mútua, com a cooperativa, com o associativismo e com a democracia direta para empoderar-se [pensar, dialogar e agir] nos princípios rochdaleanos.

Por isso é necessária uma práxis que seja capaz de refundar os espaços públicos e democráticos de suas estruturas sociais e de poder, que reflitam e criem condições para planejar, executar, avaliar, controlar e corrigir os atuais processos que drenam os recursos patrimoniais, econômicos, sociais e ecológicos de todos, para uma minoria privilegiada; e sim, assegure a todos sem condicionalidades, os bens primários; e, sobretudo, transformem, mantenham e valorizem os rituais e os ritos [prosaicos e poéticos] de seus estilos de vida.

E a máxima rochdaleana: um homem, uma mulher, um voto, como princípio democrático [democrático aquele que se constrange em exercer o poder sobre seus iguais], continua atual e pode fazer a diferença em todas as eleições, porque, "aquele que promove o poder de um outro perde o seu" (Maquiavel).






[1]  Tribuna Independente [de Alagoas] – Tribuna Cooperativa , 06/jul/2012

domingo, 16 de junho de 2013

Verás que um filho teu não foge à luta

Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

Desde do ano de 1.500, que os moradores desta Pátria amada trocam com prejuízos significativos para sua família, principalmente os índios, os povos e comunidades tradicionais, os camponeses, os agricultores e extrativistas familiares, sua riqueza [bens e trabalho] por quinquilharia; atualmente trocam a riqueza construída por todos, por exemplo, os tributos por serviços ineficazes, entre tantos, os de saúde, segurança pública, transporte público, educação e o de pesquisa agrícola e assistência técnica e extensão rural/ATER.
No caso dos povos e comunidades tradicionais, índios, camponeses, agricultores e extrativistas familiares, além dos ineficazes serviços públicos, a renda precária e instável da grande maioria [renda até um salário mínimo] deixa-os de fora do banquete oferecido pela natureza [ora por quem usa os recursos naturais de modo insustentável] e do banquete dos bens fabricados [com obsolescência programada] e comercializados no mercado internacional e no local [dólar pelo paridade de poder compra prejudica aqueles que têm moeda desvalorizada]; e por quem usa a distribuição dos tributos a seu favor [“Cerca de 415 bilhões são sonegados todos os anos no Brasil”] [2].
Por outro lado, face o imposto regressivo [este penaliza muito mais os que ganham até 2 salários mínimos] essas categorias são que mais pagam tributos. Por isso, suas rendas e as políticas públicas em execução não lhes proporcionam bem-estar, dignidade; enfim o acesso e usufruto dos bens primários – autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos [segundo Rawls, 2002].
E agora em junho, a presidente Dilma Rousseff enviou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei que cria a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural/Anater, que tem como objetivo: Artigo 1º: Promover a execução de políticas de desenvolvimento, especialmente as que contribuam para a elevação da produção, da produtividade e da qualidade dos produtos e serviços rurais e para a melhoria das condições de renda e de desenvolvimento sustentável no meio rural. Segundo o último Censo Agropecuário dos 5.175.489 estabelecimentos só 22% tiveram ATER, e não é atendimento regular – mais de 4 milhões de estabelecimentos não receberam ATER.
Ademais, o envio desse Projeto de Lei para o Congresso Nacional é um ‘avanço’ considerável após o desmantelamento do serviço de ATER pelo governo Collor. Contudo, esse serviço ainda se apresenta como a prova inconteste da troca da riqueza por quinquilharia.
Entretanto, esse Projeto de Lei não garante que o serviço de ATER seja eficaz. Primeiro, porque não tem controle social; observe o art. 4º: O Conselho de Administração será composto pelo Presidente da Anater, pelo Presidente da Embrapa, por cinco representantes do Poder Executivo, e por quatro representantes de entidades privadas, titulares e suplentes, escolhidos na forma estabelecida em regulamento, com mandato de dois anos, permitida a recondução.
Aliás, o controle social e  a transparência da gestão são necessários. Incondicionalmente, as organizações dos povos e comunidades tradicionais, dos agricultores e extrativistas familiares, as prestadoras de serviços, as associações sem fins lucrativos, cooperativas e sindicatos [incluída a FASER[3]] do setor rural/agrícola devem estar presentes com voz e voto neste Conselho. Portanto, é no Conselho da Administração que se dar o debate e a deliberação de como deve atua, para quem, onde, quando e quanto custa promover a finalidade da Anater. Atente para a resolução nº 48 do CONDRAF – No mínimo 50% (cinqüenta por cento) das vagas sejam ocupadas por representantes de organizações ou entidades da sociedade civil.
Segundo, diminuir as hierarquizações, no caso o tamanho da diretoria executiva, ficando apenas com dois diretores-executivos, inciso I, art. 2º [São órgãos de direção da Anater].

Terceiro, retirar pelo ineficiente acúmulo de função, o parágrafo único do art. 7º: O Diretor-Executivo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa que detiver atribuição para atuar na área de transferência de tecnologia integrará a Diretoria Executiva da Anater, com atribuição análoga, vedada a acumulação de remuneração.

E entre outras indagações: A Anater estará vinculada a qual ministério?
Vamos ao Congresso Nacional! Pois, de tais indagações dependem as novas relações [um big data] para aprender a conhecer, do aprender a fazer, do aprender a ser, e do aprender a viver junto dos povos e comunidades tradicionais, dos agricultores e extrativistas familiares; dos profissionais das ciências agrárias e outras categorias nas prestadoras de serviços, nas associações sem fins lucrativos, nas cooperativas e sindicatos de patrões e empregados, e na sociedade em geral para decidir como cidadãos iguais e livres o acesso e usufruto da riqueza pública e privada gerada nesse Brasil, e um não a sua permanência no consumo de quinquilharia, pois, para alguns dos filhos deste solo és mãe gentil. E uma Anater eficaz reduz às desigualdades sociais e regionais.




[1] Engenheiro Agrônomo, mestre em Desenvolvimento Sustentável, membro da Academia Brasileira de Extensão Rural/ABER,  professor da Universidade Estadual de Alagoas/UNEAL, extensionista da EMATER/AL.
Blog: sabecomquemestafalando.blogspot.com   
[2] Correio Brasiliense – Economia, 06 de junho de 2013.
[3]  Federação Nacional dos Trabalhadores da Assistência Técnica e do Setor Público Agrícola do Brasil