sábado, 31 de janeiro de 2026

Ser protagonista é preciso

 Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

Logo, “todo indivíduo nasce com um legítimo direito a uma certa forma de propriedade ou seu equivalente” (Thomas Paine).

A fortiori, os agricultores familiares [e seus diversos tipos], que usam a enxada, o arado a tração animal, ou alguma tecnologia de pouco ou médio conteúdo, raras práticas conservacionistas, e muita mão de obra, inclusive a infanto-juvenil, analfabeta, desqualificada, basicamente produzindo para o autoconsumo; quer dizer, sem um excedente por hectare, não há um mercado consumidor frequente; inclusive, vendem pouco e em quantidade pequena, por agricultor, quer sejam produtos naturais e ou beneficiados; à vista disso, são poucos os agricultores que conseguem vendê-los aos programas de governo. Os agricultores não são formadores de preços.

É uma agricultura com baixa produtividade de todos os fatores, resultante do "caráter estrutural da ‘brecha camponesa’ no sistema escravista, com sua lógica subjacente" (Cardoso). É um agricultor minifundiário que continua sem acesso à terra, titulação, segurança jurídica e pública, pesquisa agrícola e extensão rural, crédito rural, inovação, educação, cooperativa, lucro, felicidade e outros dispositivos: social e econômico. Esse agricultor tem baixo poder aquisitivo, não tem capital disponível para repor os bens de capital consumidos. Além disso, por não acumular, nem poupar capital, pratica uma agricultura por necessidade, está de cócoras no escuro.

O enfrentamento dessas situações exige a onipresença da liberdade de expressão entre outras para o cumprimento do contrato social posto ou por um novo contrato, ambos necessitam de ambiente institucional e não institucional em que floresçam e dispersem as instituições inclusivas, essas, quando políticas "asseguram a ampla distribuição do poder e restringem seu exercício arbitrário.", quando econômicas "geram uma distribuição mais equitativa de recursos, facilitando a persistência de instituições políticas inclusivas" (Acemoglu e Robinson), em contraponto a instituição política extrativista que arbitrariamente age para prestigiar algumas poucas pessoas em detrimento dos geradores de riquezas e dos pagadores de impostos – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/05/deputados-tentaram-aumentar-numero-de-servidores-beneficiados-com-remuneracao-acima-do-teto-mas-falta-de-acordo-impediu-manobra.ghtml

E a dialética como ferramenta de liberdade e aliança inculque entre as pessoas um ambiente propício para a maximização de oportunidades: patrimonial, social, econômica e ecológica aos agricultores familiares, rurícolas e aos citadinos; e àqueles que os sucederem; assegure-os uma condição de vida para além da liberdade de produzir, consumir e entreter-se, de pagar menos impostos, do trabalho às liberdades de escolhas múltiplas rumo ao progresso e ao bem viver.

Não obstante, o progresso econômico tem na riqueza pública e na privada; no planejamento [e gestão] estratégico; e na imaginação, criatividade, inovação, produtividade de todos os fatores e no mercado livre às condições para assegurar a eficiência dos sistemas de produção e a eficácia no consumo de bens e serviços de qualidade, em um mercado concorrente, a possibilidade de reinvestir uma parte os lucros; e no exercício das liberdades fundamentais seu bem-estar.

Por conseguinte, os agricultores, homens e mulheres, dignificam suas labutas diárias ao empreenderem usando a inovação disruptiva – que gera novos mercados de empregos, serviços e produtos a preços concorrentes e, que impacta positivamente os ativos intangíveis: propriedade intelectual, capital organizacional, conteúdos gerados pelos usuários e capital humano; além de inovarem seus sistemas produtivos, de distribuição e de consumo, incrementam a produtividade de todos os fatores e ofertam bens e serviços de qualidade; e, politicamente, ao se proporem, acompanharem e avaliarem o PPA, a LDO e a LOA, federal, estadual, distrital e municipal, principalmente no seu município, garante-lhes possibilidades de vivenciarem sua prosperidade, bem viver e seus valores, em sua vida corrente, em uma ordem espontânea com normas de conduta justa e governo limitado.

 



[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável, professor da UNEAL, articulista da Tribuna Independente de Maceió, Alagoas e do blog, sabecomquemestafalando.blogspot.com