domingo, 24 de julho de 2016

Tá tudo DOMINADO?

Marcos Antonio Dantas de Oliveira


O filósofo Aristóteles (384 - 322 a.C) já denunciava a desigualdade argumentando que não há nenhuma razoabilidade no excesso de bens de uns poucos e na carência de bens de muitos; e o associativismo pode ser uma das ferramentas para mitigar, superar ou romper essa desigualdade? – clique neste link sobre desigualdade: https://www.facebook.com/CanalDaDireita/videos/429849677159569/ 


De maneira que, “quem somos?, é inseparável de onde estamos?, de onde viemos?, e para onde vamos”, nos ensina Morin (2000).


Então, em que medida a cooperativa [o ativismo] será capaz de motivar seus membros a discutirem e criarem mecanismos de garantia não só da gestão empresarial, assegurando trabalho e renda, mas, sobretudo, às condições de usufruto do bem-estar dos “donos-cooperados” em termos econômicos, sociais, ambientais e culturais, assegurando a diversidade de modos de vida em sintonia com o desenvolvimento  sustentável – durável – e seus critérios: social, cultural, ecológico, ambiental, territorial, econômico, política nacional e política internacional (SACHS, 2000); com a alfabetização ecológica e seus princípios: interdependência, reciclagem, parceria, cooperação, fluxo cíclico dos processos naturais, flexibilidade, diversidade (CAPRA, 2002), com usufruto dos bens primários propostos por Rawls (2002): autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, direitos, liberdades e oportunidades, renda, riqueza?

                     

E o cooperativismo agrícola [ativismo e a cooperativa] é um dos caminhos possíveis na construção de uma sociedade mais eqüitativa, mais solidária, mais respeitadora da natureza, ajudando, assim, na transformação de áreas rurais com problemas fortes na distribuição dos ativos fundiários, da renda, do acesso aos bens públicos. O cooperativismo tem se constituído em um fenômeno social e econômico que, pela amplitude e por sua manutenção no tempo, pode ser considerado um movimento de caráter massivo que gerou marcas importantes na sociedade.


Partimos do pressuposto de que, na busca pela minimização das dificuldades do seu dia a dia, o agricultor deve buscar no ativismo e na cooperativa importantes estratégias como forma de garantir a gestão eficiente do seu sistema social e de produção pelo acesso e usufruto aos recursos naturais e impostos; à inovação; à comercialização de produtos; à proteção do meio ambiente; ao serviço de pesquisa agropecuária e extensão rural; à segurança jurídica; ao conhecimento;  e às melhorias sociais para assegurar à reprodução e prosperidade do seu modo de vida. Enfim, que articulações as cooperativas agrícolas fizeram – e continuam fazendo – com outros agentes econômicos e sociais, no sentido de buscar compor cenários, nos quais os agricultores atinjam seus objetivos, enquanto “donos-cooperados”.


Enfim, o cooperativismo continua a emular discussões e comentários sobre a importância da educação cooperativista para reformar o ambiente econômico, social, ambiental e cultural; ainda mais, hoje, com essa onda globalizante que devasta os estilos de vida mais prosaicos em nome do consumismo supérfluo, que menospreza os lugares em nome do espaço, do localismo, do globalismo.


No estado de Alagoas, o número de organizações cooperativas ainda é pequeno quando se leva em conta que existe 123 mil estabelecimentos agropecuários, principalmente daquelas que atuam no ramo agropecuário, de crédito e de trabalho; e que ocupam espaços privados e públicos objetivando cumprir seus estatutos – ideário e prática cooperativista. É importante notar e anotar que no Brasil como em Alagoas o baixo grau do ativismo, da prática e da gestão social dos “donos-cooperados” e dos dirigentes dessas cooperativas, do solidarismo repercutem negativamente nos debates e nas alianças [atos, processos e soluções].

                                                                                   

É comum os “donos-cooperados” atuarem de modo apático ao ideário e à prática cooperativista. Por exemplo: é na Assembleia [enquanto instância máxima, que se exercita democracia direta] que se planeja e decide a prática cooperativista, se fiscaliza o cumprimento do estatuto. Chamo atenção para o edital da Cooperatica dos Produtores de Mel de Abelha e Derivados Ltda/COOPMEL publicado pela Tribuna Independente, 19 de janeiro de 2016. Em particular para a chamada em 3ª convocação – com no mínimo 10 (dez) cooperados em condições de votar a seguinte ordem do dia: 1) Reforma estatutária. Ademais, votar esse tema com um número tão baixo, de 10 “donos-cooperados” revela a precariedade da prática cooperativista. Destarte, é crucial uma Assembleia tão esvaziada, ela mostra quão difícil é implementar o Estatuto Social; e reflete principalmente a má atuação dos dirigentes para implementá-lo. Nesse sentido, não tem nem elevado, nem melhorado o ideário e a prática cooperativista alagoana e brasileira.


Outro agravante: a cooperativa é quase sempre sendo ineficaz e malvista em cumprir seu Estatuto social pela baixa participação cognitiva, instrumental, política e social da maioria dos “donos-cooperados” – o menosprezo pelo exercício da democracia direta evidencia-a como uma instituição extrativista tanto política [porque não distribui poder] como econômica [porque não distribui riqueza] como comentam Acemoglu e Robinson, 2012, sobre instituições extrativistas no livro: Por que as nações fracassam. 

  

Mais outro: a prática da reeleição, em geral, efetivou a apropriação do Estatuto Social pelo príncipe. Todavia, em 1844, Lancashire, Inglaterra, os Probos Pioneiros de Rochdale, os tecelões da indústria da flanela, elegiam semestralmente um presidente, um tesoureiro, um secretário; essa prática rochdaliana fê-la, um caso de sucesso saudado até hoje.

 

Nesse sentido, devem continuar a luta para que o ativismo e o projeto social, permanente e continuado, garantam que os princípios cooperativistas adesão livre e voluntária, controle democrático pelos sócios e educação, participação econômica dos sócios, independência e autonomia das cooperativas, cooperação entre cooperativas e preocupação com a comunidade; interpenetrados pelos princípios ecológicos em Capra (2002), pelos critérios de sustentabilidade em Sachs (2000) e pelo usufruto dos bens primários propostos por Rawls (2002) alavanquem o bem-estar com todos associados, livres e iguais.


Assim é preciso avaliar: a intervenção do Estado [e dos governos] e da cooperativa [e dos dirigentes-cooperados], ainda com sua mão de força promovendo a hierarquização de seus interesses “com práticas clientelistas e paternalistas que as da oligarquia política e fundiária” (SABOURIN, 2006). Aliás, “aquele que promove o poder de um outro perde o seu ...”, nos ensina Machiavelli (1998). Indubitavelmente, essa intervenção caracteriza o modo brasileiro de fomentar o ativismo e a cooperativa. Então, “a primeira tarefa dos intelectuais deveria ser a de impedir que o monopólio da força torne-se também o monopólio da verdade” (BOBBIO, 1997).



Pois, para Arendt (2003), “a liberdade situa-se exclusivamente na esfera política”. E Paulo Freire (1996) afirma: o “essencial nas relações [...], entre autoridade e liberdades, [...] é a reinvenção do ser humano no aprendizado de sua autonomia”; é reflexão e ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo. Sem ela, é impossível a superação da contradição opressor-oprimido” (1987) e, sobretudo, das predadoras instituições econômicas e políticas extrativistas. De modo que, é imperioso que as crianças, os jovens e as mulheres, principalmente os rurícolas, participem ativamente dos processos de governança, de governabilidade e de tomada de decisões em instituições econômicas e políticas inclusivas para alavancar seu bem-estar pelo usufruto dos bens primários propostos por Rawls (2002): autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, direitos, liberdades e oportunidades, renda, riqueza.


Artigo publicado na Tribuna Independente, Maceió/AL.

domingo, 3 de julho de 2016

NUS e DESACOMODADOS: quem somos?

 Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]
                                                                      
      
             Em meados do século XVIII, o processo de industrialização dava seus passos iniciais e, com ele, a sistematização de trabalho. Nesse sentido, a fábrica, esse elemento novo, provocou deslumbramento na sociedade e as mulheres agora podiam empregar-se, como também as crianças atendiam a esse chamamento, um gesto que modificou a relação entre mulher e homem. O tempo mostrou que essa invenção, a fábrica, foi percebida pelas famílias como um estorvo, pois, com aquele horário, dezesseis horas, não sobravam mais tempo para as conversas sobre o cotidiano, as brincadeiras lúdicas e as crianças ressentiam essa falta. O nascente capitalismo tomou para si as rédeas desse processo sempre em franca e crescente prosperidade da indústria da flanela de Rochdale, da Inglaterra de 1843, os tecelões – adultos e crianças, homens e mulheres –, continuavam a trabalhar com horário extenuante e mal remunerado, tornou-se o senhor das vidas dos operários e de suas famílias. A situação precária sócio-econômica em que viviam os tecelões fez com que estes reagissem.  A ocasião era oportuna para solicitar aumento em seus salários; “hão de ver quem somos nós!” (HOLYOAKE). E, em comissão, lá foram eles, ao encontro dos industriais. Não! Foi a resposta que obtiveram, e alguns deles preferiram fechar as portas de suas fábricas.

 Frustrado o intento. Em um desses dias sombrios de novembro de 1843, os operários resolveram discutir quais soluções seriam possíveis, para o enfrentamento dessa situação de penúria em que se encontravam, e elencaram várias possibilidades: pedir proteção da lei dos indigentes? Deviam migrar? No entanto foram os ideais dos socialistas utópicos, Robert Owen e Doutor Willam king, que nortearam a decisão de criarem um armazém cooperativo de consumo.  E, na noite de 24 de outubro de 1844, a Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale, localizada na Travessa do Sapo, abre suas portas para atendimento aos operários e suas famílias, baseada em princípios [regras] bem estabelecidos: “1 - Governo democrático da sociedade, cada sócio tendo direito a um só voto, independentemente do capital que tivesse investido; 2 - A sociedade estava aberta a qualquer pessoa que quisesse se associar, desde que integrasse uma cota do capital; [...] ; 7- Desenvolvimento da educação cooperativa dos sócios – uma das herança de Owen; 8 - A sociedade seria neutra, política e religiosamente (PINHO). Esses princípios balizam até hoje qualquer estatuto de uma cooperativa onde quer que ela se localize, no hemisfério norte ou sul, nas sociedades ricas ou pobres, em países credores ou devedores.
                                                                                                                   
 E Mladenatz (2003) resume bem a importância dessa organização, afirmando que “a generalização dessas associações permite realizar uma ordem econômica e social capaz de fundar-se não sobre a luta, mas sobre o entendimento, não sobre o espírito da competição, mas sobre a solidariedade, não sobre a dominação da empresa lucrativa, mas sobre a colaboração com o trabalhador”. A idéia de auto-ajuda contida na proposta cooperativista está em constante movimento e, por isso, realiza-se nas mais diversas e numerosas categorias: sociedades, sofrimentos, soluções e desejos. Desde então, tanto outros sonhadores-precursores-estudiosos – Owen, King, Bellers, Fourier, Blanc, Gide, padre Arizmendiarrieta, Boettcher, Benecke, Filene, Pinho, Singer, Mladenatz e outros que continuam a iluminar o mundo com seus ideais e realizações, para transformar o ambiente social. Essa idéia tem ressonância na região fumageira de Arapiraca, Alagoas, Brasil e começa com o entusiasmo de Lourenço de Almeida. Em 1963, funda-se a primeira cooperativa agrícola na região, conhecida por CAPIAL/Cooperativa Agro-pecuária e Industrial de Arapiraca Limitada. Obteve sucesso entre os anos de 1978-1983, hoje vive sua fase de estagnação, mas continua a ser uma referência sobre a execução ou não do seu estatuto social.

Assim sendo, é importante compreender o mundo em que vivemos e também como nos posicionamos no mundo. Dentro dessa ótica, indaga-se: como o associativista pensa e age nas sociedades e nos agrupamentos humanos os mais diversos possíveis para atingir posições confortáveis, garantidoras de relevância social, redistribuição econômica e prudência ecológica em um mundo tão hierarquizado e autoritário? Muitos estudiosos, entre eles Ignacy Sachs e Fritjof Capra, comentam sobre um sistema de produção e consumo respeitador do meio ambiente, onde a sustentabilidade definida como eficácia econômica, social e ambiental atenda às necessidades e desejos da geração atual e das gerações futuras.
                                               
          Esse sistema atende pelo nome de desenvolvimento  sustentável, que é um processo dialético, de desinteresse mútuo, de cidadania igual e de liberdades reais, que compartilhado pelas diversas categorias [conflito] ao preservarem, conservarem e utilizarem os recursos naturais e os tributos, transforma-os em bens e serviços: do autoconsumo ao mercado, do PIB às rendas [gestão] destinados ao bem-estar social e ecológico de todos no presente e no futuro [justiça social] (OLIVEIRA, 2010); elegendo critérios que possam mitigar os danos ambientais, ei-los: social, cultural, ecológico, ambiental, territorial, econômico, política nacional e política internacional (SACHS, 2000), sobretudo baseado na alfabetização ecológica e seus princípios: interdependência, reciclagem, parceria, cooperação, fluxo cíclico dos processos naturais, flexibilidade, diversidade (CAPRA, 2002), promovam o bem-estar com todos pelo acesso e pelo usufruto dos bens primários propostos por Rawls (2002) e van Parijs (1997): autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, direitos, liberdades e oportunidades, renda, riqueza.

          De modo que, não há nenhuma razoabilidade no excesso de bens de uns poucos e na carência de bens de muitos, já observava o filósofo Aristóteles (384 - 322 a.C) –  leia mais sobre essa desigualdade crescente: na Carta  Encíclica Papal: RERUM NOVARUM -http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum.html no http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/08/71-mil-brasileiros-concentram-22-de-toda-riqueza-veja-dados-da-receita.html
                                                          
           Destarte, o ativismo e a prática cooperativista são algumas das ferramentas capazes de fazer o enfrentamento e tirar proveito dessa onda globalizante, que tem sido perversa o suficiente, para aniquilar desde os estilos de vida mais prosaicos dos povos autóctones e tradicionais, como também daqueles que sobrevivem das migalhas do processos científico-tecnológico tanto pela tirania do capital e do mercado; pela apatia da maioria dos “donos-cooperados” e da sociedade em cumprir suas normas, pela ineficiência do Estado em assegurá-lo como uma associação de iguais como pela crise de percepção a tudo que nos rodeia e nos amedronta tem inviabilizado nosso bem-estar pelo usufruto dos bens primários: autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, direitos, liberdades e oportunidades, renda, da riqueza.
 .
                  





[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável, membro da Academia Brasileira de Extensão Rural/ABER, professor da UNEAL, extensionista da EMATER-AL/Carhp, diretor do SINDAGRO, articulista da Tribuna Independente, Maceío/AL.                                                                   Blog:   sabecomquemestafalando.blogspot.com


segunda-feira, 23 de maio de 2016

ABANDONADO: nem livre, nem igual

Marcos Antonio Dantas de Oliveira

É no locus da política que se debate o controle dos recursos naturais, dos tributos  e das políticas públicas [distributivas, redistributivas, reguladoras]; as incertezas social e econômica; as liberdades fundamentais; os negócios privados e os públicos, individuais e coletivos; os princípios da Administração pública; o bem-estar pelo usufruto dos bens primários propostos por John Rawls [Uma Teoria de Justiça]: autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos como cidadãos iguais e livres. 

É o planejamento [o pensar e o agir], o instrumento [de ações, orçamentos, fiscalizações] que visa não só o conforto material, mas, o bem-estar, no presente e no futuro, para além das ideologias. Portanto, é estratégico promover o Desenvolvimento Sustentável fundamentado na problematização dos conflitos, da gestão, da governança, da governabilidade e da justiça social. E esse debate tímido não consegue sair dos gabinetes, nas cidades pequenas e zonas rurais nem abstração é. Por isso, o Estado continua sem um projeto de desenvolvimento para minimizar, superar ou erradicar a privação das capacidades básicas de muitos indivíduos em contraponto ao excesso de bens primários propostos por Rawls de uns poucos brasileiros, de 1% da população mundial, longe da argumentação sobre carência e excesso do filósofo Aristóteles.

Não obstante, o agricultor familiar, o beneficiário da Lei 11.326/2006, principalmente, o jovem rural necessitam participar de escolhas e decisões, que diz respeito a sua posição na distribuição e usufruto dos bens primários propostos por Rawls; esse exercício de liberdades fundamentais assegurará, por exemplo, seu acesso e uso ao financiamento, à inovação, à seguridade social cumprindo os critérios e graus de exigência para que a atividade produtiva cumpra sua função social [Art.186 da Constituição Federal]; porquanto sustentar sua lógica familiar [terra, trabalho e família] é conquistar posições sociais confortáveis ao exercitar os princípios da Administração pública. E entre outras disposições sociais, assegurar um serviço eficiente de pesquisa e Ater é básico e relevante no Brasil.

No entanto, o serviço ineficiente da EMATER/AL ocorre, principalmente, pela opção governamental e pela apatia dos agricultores familiares e da sociedade, esses fatos só fazem aumentar as incertezas quanto à reprodução de seus negócios e à pobreza em suas vidas – resta-lhes a penitência como conforto terreno. O governo de Alagoas insiste em aniquilar qualquer debate em torno da agricultura familiar, como exemplo, a distribuição sementes de grãos para o cultivo, de 2012 para cá. O IBGE confirma a elevada perda de produção de grãos pela seca persistente; e há também uma perda para a sociedade, algo em torno de 50 milhões de reais na aquisição de sementes nesse período, mas o governo continua comprando-as para doá-las aos que fazem a agricultura familiar. 

E  o mais grave, o que colheu é de baixa qualidade; e sem safra de qualidade gerou uma crescente dívida social, pois, o agricultor familiar quando da utilização do seu trabalho familiar sem remuneração e do trabalho infantil só fazem crescer sua miséria, empobrece-o ainda mais. De modo que, o desperdício do dinheiro público [FECOEP] e da mais-valia do agricultor não é surreal; é uma brutal transferência de renda para a indústria, o comércio, o banco e o Estado, que inviabiliza até os empregos ilegais em maioria na atividade agrícola.

O Estado utiliza de novo os recursos do FECOEP, algo em torno de R$ 12 milhões para adquirir sementes de grãos. E o governador distribui 20 mil kg de sementes para 1.500 famílias; vale acrescentar que 94 mil famílias receberam sementes no estado. É surreal que cada agricultor receba 13 kg de sementes de grãos, e o governador sinalize que esses agricultores ajudaram a elevar a produção comercial do estado para 100 mil toneladas de milho – “Com a ajuda dessas sementes distribuídas, nesta sexta-feira, vamos produzir 100 mil toneladas de milho em Alagoas. Precisamos ir além e dar as condições ao agricultor e ao agronegócio”, completou Renan Filho em Piranhas, dia 16, próximo passado.

E mais: o Estado não comprou até agora nada do agricultor familiar pelo PNAE [Lei dos 30%] – programa da merenda escolar – “Os técnicos do PNAE e do FNDE que participam do encontro disseram que o estado está descumprindo a legislação por falta de vontade política, por falta de interesse”, comenta João dos Santos, presidente da Unicafes/AL [Gazeta de Alagoas/Rural,13/05/2016]; que, inclusive já tinha pedido apoio do Ministério Público Federal/MPF para cobrar do governo o cumprimento da Lei dos 30% em reunião com representantes do setor: Cooperagro, Fetag, CPLA, Cooperativa Pindorama, entre outros, em 25/01/2016.

Outro agravante relevante: as condições edafoclimáticas não são propícias ao cultivo, face a severidade do El Nino – com chuvas abaixo da média nos meses de maio e junho [http://msne.funceme.br/ e http://www.climatempo.com.br/brasil]. Mais outro: o desmonte do setor agrícola estatal, também, pelas aposentadorias; bem como, há mais 30 anos sem fazer concurso público. Apesar desses agravantes, parece que o Estado de Alagoas não tem técnicos capazes de interpretar os informes e dados climáticos e recomendar boas práticas aos agricultores para essa e outras situações. Que Estado é esse?

O Estado brasileiro também precariza o trabalho do profissional das ciências agrárias, humanas entre outras, um verdadeiro atentado à dignidade da pessoa; esse fato acontece em Alagoas, pois, o governo do Estado continua demitindo gente especializada da Carhp à disposição da Emater, profissionais aptos para o atendimento aos agricultores familiares. Outro agravante: deslocou da Carhp esses recursos salariais para a contratação de professores da Universidade Estadual de Alagoas/Uneal. Contudo, para atender os agricultores familiares preferiu usar o termo de outorga e contratar 97 bolsitas para atuarem pela Emater alegando fortalecimento desse serviço; aliás, esses bolsitas são impedidos de atuarem como profissionais – não podem assinar projetos, Declaração de Aptidão do Produtor/DAP, receituário agronômico e veterinário entre outros serviços por não estarem em conformidade com a ética de seus Conselhos: CREA e CRMV, e perante o manual do servidor não podem dirigir veículos. 

Governador contratar bolsitas é uma atitude desrespeitosa com os profissionais, com os agricultores familiares, com a sociedade, pois precariza e encarece o serviço de pesquisa agrícola e extensão rural. Por que não usou esses recursos para contratar profissionais [fazer concurso público] para a Emater?
                                                                                                                  
É uma retórica frágil, pois as condições reinantes nos órgãos estatais são de penúria, por exemplo: face à carência de recursos financeiros a frota de veículos da EMATER está em estado de mal à regular de conservação, há tempo sem manutenção, e com uma ridícula cota de combustível para realizar o serviço de pesquisa e Ater, inclusive levantar seu patrimônio; alguns veículos com documentação atrasada e alguns outros cedidos para terceiros privados, descumprindo os convênios existentes; com escritórios fechados e alguns em mau estado de conservação e com parcerias precárias com algumas prefeituras completam o diagnóstico de penúria dessa instituição.

Não obstante, contextualizando esse diagnóstico observa-se, o predomínio de uma retórica surreal brasileira sem nenhum alcance para alavancar o bem-estar da maioria dos agricultores familiares das classes D e E; pois, até o índice de Mal-estar [a soma das taxas de inflação e de desemprego] da população da classe C é hoje 40% maior do que o da média brasileira [Exame, 25/05/16] -  http://oglobo.globo.com/economia/escalada-do-desemprego-da-inflacao-castiga-os-brasileiros-revela-indice-19225538; e confirmá-la-ia, por exemplo, na fala do governador de Alagoas: "dar condições ao produtor para produzir, escoar e vender, gerando renda" para os agricultores familiares; e continua equivocado nessa outra afirmativa: “desde o início do governo falei que não admitia que nosso Estado não tivesse assistência técnica”[Gazeta de Alagoas/Rural, 11/03/2016]. Governador, bolsita não faz, nem fará a Emater realiza sua finalidade:  atuar como um serviço de educação não formal, de caráter continuado, no meio rural, que promove processos de gestão, produção, beneficiamento e comercialização das atividades e dos serviços agropecuários e não agropecuários, inclusive das atividades agroextrativistas, florestais e artesanais.

Governador, o estado continua oferecendo um serviço de pesquisa e de extensão rural ineficiente e caro, aos agricultores familiares e à sociedade, e sem nenhum alcance para alavancar o bem-estar dos agricultores familiares - quão surreal é o governo!

Entrementes, os governos gastam uma fortuna sem nenhuma razoabilidade em mídias inusitadas e surreais, um acinte ao bem-estar – um despautério. Ademais, Alagoas ao completar 200 anos de emancipação política, em 2017, continuará com má distribuição de bens, serviços e benefícios para a grande maioria da população e dos agricultores familiares, dos beneficiários da Lei 11.326/2006, principalmente, das crianças e dos adolescentes? Ou serão cidadãos iguais e livres? Qual será a boa nova?

              

                                                  
              
                                                  

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Viver BEM é para POUQUÍSSIMOS

Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

Pois, o curso da história tem mostrado que os interesses privados, as ideologias, as éticas e o poder têm sobreposto às liberdades fundamentais, principalmente, a liberdade individual; essas devem forjar os valores, os princípios, as leis e as normas da convivência humana -   https://www.ecodebate.com.br/2016/04/18/assassinatosno-campo-explodem-em-2015/  

Dessa forma, é importante relatarmos os esforços em favor de um desenvolvimento fracassado, que acontece por não considerar os fatores: ecológico, demográfico, filosófico, cultural e afetivo; e toda a cadeia de relações existentes no centro de toda cultura; no caso, o estilo de vida rural e suas estreitas relações com a terra, com a natureza e com o citadino.

Ademais, esse modo de vida é subdimensionado e subavaliado na maioria dos projetos de desenvolvimento. E os beneficiários da Lei 11.326/2006 e outros rurícolas sentem a lógica de suas reproduções culturais – natureza e mitos, cultivos e extrativismos, suor e mais-valia, sucessão e posse, patrimônio imaterial e bem-estar em Rawls - que se dar pelo usufruto de bens primários: autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos -, escapar-lhes por entre os dedos.

Entrementes, os beneficiários da Lei 11.326/2006 em seus habitats sofrem acossamento por parte de uns poucos inclinados a instituir, cada vez mais, novas prerrogativas em detrimentos dos seus modos de produção, consumo e entretenimento tão degradantes aos potenciais ecológicos e valores culturais. Aliás, ”a pressão da sociedade sobre o indivíduo pode voltar, sob uma nova forma, a ser tão grande quanto nas comunidades bárbaras, e as nações irão se vangloriar, cada vez mais, de suas realizações coletivas em detrimento das individuais”, diz Bertrand Russel.

Convém ressaltar que o sistema capitalista baseia-se em uma ordem, numa ética, em que os atores evoluem e se comportam de acordo com normas que assegurem o fluxo da vida econômica [produz muita riqueza para uns pouquíssimos e muito egoísmo] – apropriação, lucro e acumulação de rendas e riquezas – e a reprodução do capital. E, também, danos sociais [como impunidade e corrupção, por exemplo operação Lava-jato], e danos ecológicos [como perda da biodiversidade, por não cumprir o Código florestal] e patrimoniais [como a pouca riqueza privada de muitos, o alto imposto regressivo e a insegurança jurídica], principalmente, aos beneficiários da Lei 11.326/2006, aos rurícolas e suas famílias, que são abrandados pela hipnótica mídia e ética normativa geradas pelos príncipes, pelos que dão ordens e pelos os que dão conselhos. 

Não obstante esse sistema continua produzindo muita riqueza privada e pública. E mesmo com o PIB mundial em torno de 100 trilhões de dólares o fosso entre pobres e ricos é brutal e crescente; porquanto, é um acinte que essa riqueza gerada continue aumentando a desigualdade em todos os aspectos da vida circular de homens e mulheres em qualquer quadrante terrestre, esteja sobre a prática do ensinamento de Maquiavel – “aquele que promove o poder de um outro perde o seu...”- em Alagoas, Maquiavel impera.
Nesse sentido, não há nenhuma razoabilidade no excesso de bens de uns poucos e na carência de bens de muitos, já observava o filósofo Aristóteles. Entretanto, a concentração de renda e de poder gerou um colonialismo ambiental grave, exercido pelos ricos, entre países e dentro dos países, sobre os pobres. Nunca os problemas ambientais foram tão graves – o homem assume-se como “um fazedor de desertos” [Euclides da Cunha: Os Sertões]  as dimensões são globais. Nunca a liquidação das culturas tradicionais foi tão perversa e global.

Portanto, continua prevalecendo, o projeto e a prática senhorial sobre os recursos naturais e os tributos, indo de encontro aos interesses da maioria das nações, dos rurícolas, dos beneficiários da Lei 11.326/2006 e suas famílias e, como resultado: os insustentáveis estilos de vida desses beneficiários e dessa geração comprometem os das futuras gerações. http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2015/09/vulnerabilidade-social-cai-mas-ainda-e-alta-no-norte-e-no-nordeste-diz-ipea.html

De modo que, o enfrentamento desses conflitos pelos beneficiários da Lei 11.326/2006, pelos familiares e pelas comunidades, enfim, pelos brasileiros em um contexto local e mundial em transformação, é o de provocar uma alteração social equitativa nos benefícios e encargos da cooperação social resguardada por uma governança baseada nos princípios da Administração pública e na multidimensão do Desenvolvimento sustentável. É o de afirmar os valores democráticos [liberdade, igualdade e fraternidade], e a eles se ajustar sem negar-lhes a riqueza de elementos de suas tradições, e assim, elevar o bem-estar pelo usufruto dos bens primários em Rawls [autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos], pensando e agindo como cidadãos iguais e livres.




[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável, membro da Academia Brasileira de Extensão Rural/ABER, professor da UNEAL, extensionista da EMATER-AL/Carhp, diretor do SINDAGRO, articulista da Tribuna Independente, Maceió/AL - publicado na Tribuna Independente.                                                                   Blog:   sabecomquemestafalando.blogspot.com

domingo, 13 de março de 2016

MAQUIAVÉLICO!

                     Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

“Aquele que promove o poder de um outro perde o seu ...” !

Será que depois de votar em qualquer candidato, aos agricultores e extrativistas familiares, entre outros [aos beneficiários da Lei 11.326], resta-lhes contentar-se com a mídia governamental à respeito de sua relevância para a mesa farta de uns poucos escolhidos, e com a exuberância da sua penitência a um dos seus sonhos de consumo, longínquo e para pouquíssimo, seu bem-estar pelo usufruto de bens primários – autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos, propostos por Rawls?

É verdade que, o baixo capital humano desses beneficiários – escolaridade e conhecimento – prejudica a participação política na elaboração, na fiscalização e na correção das políticas públicas distributivas, redistributivas e reguladoras de saúde pública, de crédito rural, de pesquisa agropecuária e extensão rural, de seguridade social, de educação entre outras. Assim como influencia negativamente no ativismo dos associados para promover a democracia direta na cooperativa, sindicato e associação.
                      
 E a enfrentar outros agravantes: as dificuldades para o acesso ao mercado interno [principalmente o de compra governamental] e ao mercado externo dos seus produtos in natura, artesanais e industrializados. Pois, o governo federal precisa garantir que o Sistema Harmonizado de mercadorias da Organização Mundial do Comércio/OMC – o Acordo sobre Agricultura [baseado nos critérios: apoio interno, acesso a mercados, subsídios à exportação] – não excluam esses beneficiários da Lei 11.326com ofertas inelásticas de seus produtos e serviços ao mercado interno e externo – um mercado desafiador.

E mais, o mundo do consumo que exige sua presença, principalmente transferindo sua mais-valia, sua pouca renda para os industriais, os comerciantes, os financistas e para o Estado em troca, em geral, de produtos e serviços de baixa qualidade. 

E entre esses tantos motivos: a baixa produtividade da terra e da mão de obra, e o descumprimento às leis ambientais, trabalhistas e ao Estatuto da Criança e do Adolescente/ECA, os agricultores e os extrativistas familiares rivalizam-se com o trabalho não remunerado das mulheres, das crianças e dos adolescentes; com a procura pelo emprego na cidade pelos familiares com baixíssima escolaridade; e com a pouca inovação e baixa capacidade para gerenciar a unidade produtiva e social, a precariedade em seus lares é real.
                        
Aliás, apesar de vital para os agricultores e extrativistas familiares e para a sociedade, o serviço de pesquisa e extensão rural oficial por sua capilaridade, por seu quadro de servidores capacitados, inclusive com mestres e doutores; pela sua capacidade de reinventar-se ao longo desses mais de 60 anos de serviços prestados à promoção do bem-estar pelo usufruto de bens primários em Rawls, está na mira de governantes que exercitam Maquiavel; daí o desmonte brutal do serviço público em desfavor daqueles que mais pagam tributos e mais precisam desse serviço executado pelo Estado, é fato – Estudo do IPEA confirma: “as pessoas que recebem até dois salários mínimos despendem 53,9% do que ganham pagando tributos e as que recebem mais de 30 salários mínimos, 29%”. E entre elas, os agricultores e os extrativistas familiares entre outros – http://www.jb.com.br/economia/noticias/2015/08/01/aumento-da-tributacao-direta-o-caminho-para-um-brasil-menos-desigual/

Entrementes, é a Emater/AL e a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola/EBDA, por exemplo, casos recentes desse desmonte. Aliás, além de abusivo, o governo ao manter a ineficiência do serviço estatal de pesquisa agropecuária e extensão rural, principalmente nos estados nortistas e nordestinos, torna-o um dos responsáveis pela penúria social vivida pelos agricultores e extrativistas familiares; e é a causa do desmonte. E essa penúria é potencializada, porque o voto, não é um exercício da cidadania, mas, um bem negociável, uma mercadoria.
                                                                 
E em tempo de Lava-Jato e de gesto principesco do governante, chegou a hora: que todos [crianças, jovens e adultos] pratiquem os princípios da Administração Pública: legalidade, moralidade, impessoalidade, publicização e eficiência, rumo ao bem-estar pelo usufruto dos bens primários propostos por Rawls – autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos.

Eleitores, a eleição para vereadores e prefeitos poderá ser um marco para alavancar o estado da arte para a prosperidade; para o estado de direito; e para o bem-estar estar em Rawls.

Se posicione. Exercite sua liberdade individual, sua cidadania, ou vai continuar com Maquiavel: “aquele que promove o poder de um outro perde o seu ...” !





Mestre em Desenvolvimento Sustentável, membro da Academia Brasileira de Extensão Rural/ABER, professor da UNEAL, extensionista [engenheiro agrônomo] da EMATER-AL/Carhp, diretor do SINDAGRO                                                                   Blog:   sabecomquemestafalando.blogspot.com


                   

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Bem-estar, Tô À TOA

Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1] 

 Nesse sentido, é vital para prosperar na vida privada e gozar de bem-estar, o usufruto dos bens primários em Rawls [autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos] como cidadãos livres e iguais, que controlam, preservam, usam e garantem a riqueza pública [os recursos naturais e os tributos] também para gerações futuras – Ressalta-se que, 79,02% da população brasileira ganha até 03 salários mínimos, paga 53,79% de tributos indiretos. Confirmado, quem ganha menos, paga mais tributos; está à toa  -http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/08/brasileiros-com-renda-menor-pagam-53-dos-impostos-no-pais-diz-ibpt.html.

Muitos estudiosos continuam alertando que: “Todo indivíduo nasce com um legítimo direito a uma certa forma de propriedade ou seu equivalente” defendia Thomas Paine já em 1795. E, o brasileiro Eduardo Suplicy [ex-senador/PT] é autor da Lei nº 10.835/2004, que diz: Artigo 1o – É instituída, a partir de 2005, a renda básica de cidadania, que se constituirá no direito de todos os brasileiros residentes no País e estrangeiros residentes há pelo menos 05 (cinco) anos no Brasil, não importando sua condição socioeconômica, receberem, anualmente, um benefício monetário. Essa Lei garante o usufruto de todo o brasileiro a um quinhão da importante riqueza pública, tributo, direto em sua conta bancária – para alavancar sua mobilidade social. O vexame é que 12 anos depois de sancionada pelo governo Lula, o Estado não oferece os benefícios propostos; ademais, a lei caduca, tanto pela ineficiência da máquina pública [poderes: executivo, legislativo e judiciário] como pela apatia da sociedade em promover suas liberdades fundamentais; e não por falta de dinheiro – o brasileiro pagou em 2015 mais de R$ 2 trilhões em tributos indiretos, mais de R$ 1,2 trilhão em tributos diretos; e a corrupção em geral leva cerca de outro trilhão de real.

Aliás, a máquina pública é apropriada pelas exuberantes relações de compadrio [do sabe com quem está falando]; por isso, a avareza, a luxúria, a soberba, a submissão predominam nessas complexas relações, ante a pluralidade de interesses da sociedade e da singularidade da associação de iguais que é o Estado. E alguns servidores públicos [eleitos e concursados da alta magistratura] e outros personagens se apropriam dos recursos públicos usando o poder, são chefes – chefe é “aquele que controla as ações dos outros para atingir as próprias metas, sem o consentimento desses outros” [Bernardes citando Buckley] –; o vídeo detalha a apropriação dos recursos públicos pelos parlamentareshttps://www.youtube.com/watch?v=zZuQAipBAK8.

Não obstante, essa apropriação evidencia que o bem-estar pelo usufruto dos bens primários em Rawls está  pra lá de neca de pitibiriba para grande maioria da população brasileira, dos rurícolas, dos beneficiários da Lei 11.326/2006, e dos jovens rurais, que privados das liberdades fundamentais não monitoram, nem avaliam a eficácia do processo de desenvolvimento sustentável, local e global: ora face à baixa escolaridade. Entrementes, é flagrante em Alagoas, o descaso do governo com a educação – pela baixa aprendizagem das crianças com suas ridículas notas, e também ridículas notas no IDEB] – http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2014/09/alagoas-apresenta-o-pior-ideb-pela-segunda-vez-consecutiva.html e com a formação de profissionais pela Universidade Estadual de Alagoas/UNEAL – pelas razoáveis notas no índice Geral de Cursos/IGC das universidades brasileiras. Ah, a UNEAL não tem duodécimo em lei, sobrevive em função do humor dos governantes. Que despautério!

Está também pra lá de neca de pitibiriba, o bem-estar pelo usufruto dos bens primários em Rawls pela baixa e isolada oportunidade econômica [PIB e renda em viés de baixa, tributo e dólar em viés de alta resultando em desemprego e em mal-estar]; bem como, devido ao Estado [ao governo] repressivo, que interfere na vida plural da sociedade aniquilando a liberdade individual e a cidadania como comprometimento social, principalmente, no Norte e no Nordeste – “Semiárido: seca volta a provocar êxodo; alagoanos migram para outras regiões do país” [Gazeta de Alagoas, 06/01/2016]. E nesse caos, é que se forjam líderes capazes de usar a autoridade em funções públicas “para controlar ou influenciar o comportamento de outros para a promoção de  metas coletivas, com base em alguma forma constatável de consentimento destes outros” [Bernardes citando Buckley]. Mas, onde estão os líderes?

O Banco Mundial e a Cruz Vermelha fizeram um estudo para avaliar a prosperidade nos países e concluíram: no Brasil, os recursos naturais são responsáveis por 18%, nos Estados Unidos e na Europa 2%, cada um; os bens de capital, respondem por 14%, 13% e 17%; o capital humano e a eficiência de governo somado atingem 68%, 85% e 90%, respectivamente. No Brasil, o usufruto dos bens naturais é alto, mal usado e sujeito à grilagem [a quem serve o Cadastro Ambiental Rural?]; é baixo o usufruto dos bens de capital e do capital humano pelos 3,9 milhões de beneficiários da Lei 11.326. Em Alagoas, o secular uso da enxada ainda simboliza a inovação para o agricultor familiar, de modo que, o alto uso dos bens naturais e a baixa utilização dos bens de capital, somado á baixíssima qualidade do capital humano das 110 mil famílias de beneficiários da Lei 11.326, e seus filhos os mais atingidos, por exemplo, a nota do IDEB em 2013, no ensino fundamental foi de 3,1 e a do ensino médio: 2,6 – um despautério, pois, “Alagoas é o Estado do Nordeste com maior vulnerabilidade social” [Gazeta de Alagoas, 02/09/2015]. 

Nesse país, a competente ineficiência de governo [poderes: legislativo, executivo e judiciário] assegura através de uma hipnótica mídia que os serviços de educação, saúde pública, arrecadação, fiscalização, de pesquisa agrícola e extensão rural; a segurança jurídica e a vida privada estão qualitativamente de bom tamanho.
         
Portanto, a austeridade, ou melhor, a ineficiência de governo, é notória, principalmente, no que diz respeito ao baixo exercício dos brasileiros, dos alagoanos e de suas representações pelos assuntos públicos, pelos Princípios da Administração pública [legalidade, publicização, moralidade, impessoalidade e eficiência], que, resultam, por exemplo, em Alagoas decretos que beneficiam usineiros e deixam déficit milionário [o Decreto 23.111 e o Decreto 23.115 – D.O.E. 24/10/2012], uma forma de apropriação da riqueza pública - tributos - de todos os alagoanos, incluídos os 110 mil beneficiários da Lei 11.326 – literalmente abandonados em seu bem-estar pelo governo: federal, estadual e municipal. Uma apropriação que continua no atual governo, por isso, a austeridade. 

Um outro assunto público em baixa é a penosidade social e econômica da maioria da população. Penosidade essa que é reforçada pelos dados expostos no ranking de competitividade, do Centro de Liderança Pública/CLP, onde o estado de Alagoas ficou mal colocado na maioria dos 10 pilares pesquisados entre seus pares: 27º em segurança pública e educação; 26º em potencial de mercado; 25º em sustentabilidade social e capital humano; 22º em inovação; 21º em infraestrutura; 20º em solidez fiscal e sustentabilidade ambiental e 17º em eficiência da máquina pública, por exemplo, com nota variando de 0 a 100: em educação e segurança pública, nota zero; em inovação, nota 6; e em capital humano, nota 3: que tal ver esse ranking - http://www.rankingdecompetitividade.org.br./

Além disso, a prosperidade dos brasileiros e dos 110 mil alagoanos beneficiários da Lei 11.326, invariavelmente, necessitam de ambientes e arranjos institucionais, formais ou não, que operem politicas públicas [distributivas, redistributivas, reguladoras e constitucionais] efetivas; por exemplo, um big data como porta para a prosperidade e ao bem-estar em Rawls, e um serviço de pesquisa agrícola e extensão rural eficiente – e a Emater/Alagoas está fora dessa condição. A Emater/AL tem um quadro técnico insuficiente [e concurso público nem miragem é, e a contratação de bolsistas é uma opção precária e cara para a sociedade]; e nesse sentido, com a demissão de técnicos especialistas, mestres e doutores em agricultura, até a sucessão familiar no campo está comprometida – governo Renan Filho demite 270 empregados públicos da Carhp [leia-se: Emater, Epeal, Comag, Sergasa, Codeal, Eturb, Edrn, Cohab] – que desvario!


Como prosperar em bem-estar em Rawls, se o controle e o uso dos bens naturais e dos tributos estão sob a guarda dos ‘príncipes’; se o Estado, enquanto uma associação de iguais, não tem um Projeto de Desenvolvimento Sustentável. Em Alagoas, eleito governador: “Renan Filho prega união e convoca nova emancipação de Alagoas pelo fim da miséria” [Tribuna do Sertão, 22/12/2014]. Indaga-se, como emancipar os miseráveis sem um Projeto de Desenvolvimento?

Então, para problematizar o bem-estar desses brasileiros, se faz necessário em qualquer atividade e função desempenhadas por essas categorias no processo de Desenvolvimento Sustentável, a relevância do bem-estar com todos. E, que a vida plural da sociedade e a vida singular do Estado emulem essa problematização nos ambientes e nos arranjos institucionais, aprimorem a governabilidade e a governança para solucionar os agravos ao bem-estar pelo difícil usufruto dos bens primários: autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos – pois, está à toa não dá.

Decerto que, é vital que os brasileiros, os 110 mil alagoanos beneficiários da Lei 11.326, e os jovens rurais, desobstruam as relações que prejudicam o desempenho de suas capacidades básicas e de fazer escolhas, rumo à plenitude do estado de direito, do bem-estar e do estado da arte – Avante como cidadãos livres e iguais!



[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável, membro da Academia Brasileira de Extensão Rural/ABER, professor da UNEAL, extensionista [engenheiro agrônomo] da EMATER-AL/Carhp, diretor do SINDAGRO, articulista da Tribuna Independente, Maceió/AL - artigo publicado na Tribuna Independente.                                                                   Blog:   sabecomquemestafalando.blogspot.com 

domingo, 6 de dezembro de 2015

Em busca do ESTADO da ARTE

Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

.                                             “O homem desacomodado não é mais do que um pobre animal, nu e dividido”, diz o Rei Lear [SHAKESPEARE].
    
   Dito isso, afirmo, ainda assim, é exuberante o processo evolutivo dos homens e das mulheres, pois, têm usado a comunicação como ferramenta para perpetuação da espécie como de aproximação entre si e terceiros para atingir o estado da arte – o convívio social. Desse modo, eles inventam e reinventam todos os dias as relações sociais reconhecendo nelas os conflitos, os diálogos e a confiabilidade das alianças, que acabam em alguns casos se tornando marcas distintivas – é assim que a Extensão Rural também se reproduz. A história da Extensão Rural, sua cultura e sua identidade, nos últimos 60 anos, tem tido o reconhecimento da sociedade, dos governos, dos organismos não governamentais, da academia, dos rurícolas, e especialmente dos beneficiários da Lei 11.326/2006, suas famílias e suas organizações.

   É verdade. Contudo, via de regra, o serviço de Extensão Rural [o serviço de educação não formal, de caráter continuado - Lei 12.188] está em dificuldade, pelo pouco investimento, muitas demissões e poucas admissões, por chamadas públicas que não levam em consideração às demandas das unidades produtiva e social, da Anater que caduca sem sair do papel..., ainda assim, o extensionista, mulher e homem, está em júbilo, pois, nestes 60 anos, além de discutir, manter, inovar e/ou difundir os sistemas produtivos e sociais, ainda estimula a participação dessas categorias no processo decisório: municipal, estadual e federal, para afirmar e garantir a reprodução de sua lógica familiar – terra, água, trabalho e família, sob a complexa sustentabilidade e suas dimensões; e assegurar-lhe o acesso, o usufruto e o controle dos recursos naturais e dos impostos, sobretudo, na gestão dos assuntos públicos. É motivo de regozijo para o extensionista, que se dedica diuturnamente à busca ao bem-estar pelo usufruto dos bens primários – autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos, segundo Rawls – daqueles a quem destinam seu esforço.
              
   Desse modo, o serviço de Extensão Rural deve orientar seus objetivos para a distribuição da renda e da riqueza privada e pública [repartição dos tributos, encargos e benefícios] mais justa para melhorar as atuais condições de vida dos rurícolas, a maioria com renda de até 2 salários; ao uso, conservação e preservação dos recursos naturais [diversos biomas]; e ao exercício das liberdades reais, da cidadania igual dos beneficiários da Lei 11.326/2006, do rurícola e suas organizações, ao corrigir as imperfeições do processo capitalista, da montante à jusante da produção agrícola, garantir-lhes tipos de desenvolvimento sustentável que respeitem as formas e estilos de vida, em resposta à sua capacidade de discernir, aceitar, trocar, adotar, manter e indagar as relações consigo, com os outros e com o mundo – com o comprometimento social.

   Há um sentimento de pertencimento, um senso de justiça que se cristaliza na possibilidade de servir, construir, relacionar-se aos demais, em especial com aqueles que precisam da liberdade individual e da cidadania para melhorar suas posições sociais. Sobretudo, há uma característica vigorosa na relação extensionista/beneficiário da Lei 11.326/2006: a intensa relação de confiança – assim, a marca distintiva da Extensão Rural, mesmo com as especificidades regionais, é rigorosamente o EXTENSIONISTA – o sacerdócio de dezenas de milhares de mulheres e homens pelo respeito que constroem nas comunidades em que trabalham e divertem-se; e pelo autorrespeito animam o serviço de Extensão Rural [25 mil pessoas]. Essa marca distintiva é sustentada também pelo relacionamento com outros milhares agentes sociais e econômicos.
                         
   Decerto que, o homem e a mulher por sua capacidade de libertar-se, por sua história, por sua inquietação moral; e por aperfeiçoar-se ao longo da vida, eles, no particular e no universal, contemporizam-se para encontrarem-se na história; e ao escrevê-la revivem; vivem o dia a dia e garantem sua continuidade. De modo que, essa atuação cheia de significados [sacrifícios, realizações e prazeres], a esse aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a ser; e aprender a viver junto, “onde a compreensão é a só tempo meio e fim da comunicação” (MORIN) para enfrentar as incertezas e para promover o bem-estar em Rawls – autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos  para compartilhar o estado da arte.

   Em tempo: O XII CONFASER ao debater o estado da arte da Extensão Rural, o direito do trabalhador [na admissão e na demissão], o papel do movimento sindical, por exemplo, colocou em evidência a necessidade de líderes capazes de usar a autoridade para "influenciar o comportamento de outros para a promoção de metas coletivas, com base em alguma forma constatável de consentimento destes outros" (BERNARDES citando BUCKLEY) para buscar o estado da arte - Bento Gonçalves/RS, novembro de 2015.
                         
   Desejo vida longa, à mulher e ao homem Extensionista – salve 06 de dezembro.

   E Boas Festas!!!
     





[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável, membro da Academia Brasileira de Extensão Rural/ABER, professor da UNEAL, extensionista da EMATER-AL/Carhp, diretor do SINDAGRO                                                                 Blog:   sabecomquemestafalando.blogspot.com