segunda-feira, 12 de junho de 2017

Se o NARCISO não deixa!

Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

Como prosperar em bem-estar pelo usufruto dos bens primários propostos por Rawls [autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos], se o controle e o uso dos bens naturais e dos tributos estão sob a guarda do ‘príncipe’? Se o Estado, enquanto uma associação de iguais, não tem um projeto de Desenvolvimento Sustentável? Se o “Estado não vai cobrar por uso da água do Canal do Sertão” [Tribuna Independente, 20-21/08/16]? Indaga-se: por que não debater e decidir esses temas audiências públicas?
           
O brasileiro prospera se controlar e usar os bens naturais e os tributos para gerarem riqueza privada e riqueza pública para usufruto de todos. O Banco Mundial fez um estudo para avaliar a prosperidade nos países e concluiu: no Brasil, os bens naturais são responsáveis por 18%, nos Estados Unidos e na Europa 2%, cada um; os bens de capital, respondem por 14%, 13% e 17%; o capital humano e a eficiência de governo somado atingem 68%, 85% e 90%, respectivamente. No Brasil, o usufruto dos bens naturais é alto, mal usado e sujeito à grilagem [Senado segue Câmara e aprova MPs 756 e 758, que reduzem áreas protegidas na Amazônia]; é baixo, o usufruto dos bens de capital e do capital humano pelos 3,9 milhões de beneficiários da Lei 11.326; e a ineficiência de governo assegura midiaticamente que os serviços de educação, saúde e segurança públicas, arrecadação, fiscalização estão qualitativamente de bom tamanho e uso no Brasil; por outro lado, a notória apatia da população que nega a imaginação, o ativismo e a práxis própria dos espaços privados e públicos para esses assuntos públicos interfere na vida plural da sociedade, aniquilando a liberdade individual e a cidadania como comprometimento social – o caso Lava-Jato - http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/06/1892132-senado-ignora-decisao-do-stf-de-afastar-aecio-neves-do-mandato.shtml.

Dito isso, o assunto público é referência para alavancar e assegurar-lhe o bem-estar pelo usufruto dos bens primários propostos por Rawls [autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos]. A prosperidade como porta de entrada ao bem-estar em Rawls dos brasileiros, dos 4,36 milhões de beneficiários da Lei 11.326 [dentre eles, os 110 mil alagoanos], invariavelmente, necessitam de ambientes e arranjos institucionais, formais ou não, para operar políticas públicas efetivas; por exemplo: o serviço de pesquisa agrícola e extensão rural, que em muitos estados são ineficientes, inclusive por falta e/ou insuficiência de quadro técnico [concurso público nem miragem é] – Alagoas é um deles – O Estado ficou na última colocação no ranking de competitividade, de 2016, do Centro de Liderança Pública/CLP, e detalhando os 10 pilares, com nota variando de 0 a 100, ficou na 27º em segurança pública, educação e potencial de mercado com nota zero; sustentabilidade social, 3,9; capital humano, 12; inovação, 7,7; infraestrutura, 50,4; solidez fiscal, 21,6; sustentabilidade ambiental, 37,4; eficiência da máquina pública, 24,6 e nota geral de 15,9, enquanto em 2015 foi de 23,4, pioramos - http://www.rankingdecompetitividade.org.br./

E já escrevia Rousseau, 1762: “o ato que institui o governo não é, de forma alguma, um contrato, mas uma lei, que os depositários do Poder Executivo não são os senhores do povo, mas seus funcionários, os quais pode ele designar ou destituir quando lhe agradar, que não se trata para eles de contratar, mas de obedecer e que ao se encarregarem das funções que o Estado lhes impõe nada mais fazem do que cumprir seu dever de cidadãos sem ter, de modo algum, o direito de questionar as condições” - http://g1.globo.com/politica/noticia/procuradores-da-lava-jato-criticam-decisao-do-tse-de-absolver-chapa-dilma-temer.ghtml.

É a vida plural da sociedade que emula nos ambientes e nos arranjos institucionais o aprimoramento da governabilidade e da governança para solucionar os agravos ao bem-estar pelo difícil usufruto dos bens primários propostos por Rawls, inclusive às futuras gerações - https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-brasil/2017/06/12/brasil-registra-aumento-de-trabalho-infantil-entre-criancas-de-5-a-9-anos.htm

Então, para problematizar o bem-estar é necessário que qualquer atividade e função desempenhadas no processo de desenvolvimento sustentável pelos agentes sociais, econômicos e governamentais resultem no bem-estar com todos; é vital que os brasileiros [mulheres, jovens e crianças] desobstruam as relações que corroem o desempenho de suas capacidades básicas e de fazer escolhas, dia a dia, devem mitigar, superar ou erradicar a onipresença da ética de compadrio; o extrativismo das instituições privadas e estatais; o fiasco das políticas públicas de educação, saúde e segurança públicas, emprego e renda, de proteção à criança; o narcisismo na comunicação pública – O NARCISO empobrece cada vez mais o brasileiro, o nordestino, o alagoano, o agricultor familiar, a criança!




[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável [engenheiro agrônomo], professor da Universidade Estadual de Alagoas/UNEAL, membro da Academia Brasileira de Extensão Rural/ABER, diretor do Sindagro              Blog:   sabecomquemestafalando.blogspot.com 


10 comentários:

  1. Antenado com sua leitura sobre o que acontece nos ambientes públicos e a vida dos agricultores familiares. Toninho

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  2. Oportuno os links, eles reforçam a gravidade das condições de vida das populações que vivem na pobreza, e o link sobre o trabalho infantil agrava ainda mias essa condição de vida. Oto

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  3. E com as eleições chegando, vamos dar um basta nesses narcisos. Tonho

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  4. Como a ética do compadrio está tão evidente nos corruptos pegos na Lava-Jato. Vamos acordar! Jason

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  5. E como as audiências públicas estão tao vazias, cadê as pessoas e suas representações nesses espaços.

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  6. Vamos acordar dessa apatia, as eleições estão chegando. Eunice

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  7. Concordo com você, chega dessa apatia. Alexandre

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  8. Essa ética de compadrio afunda cada vez mais esses políticos. Precisamos fiscalizá-los. Margarete

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  9. Um título sugestivo para reflexão. Jonas

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