Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]
O homem e suas instituições políticas extrativistas, usam o controle
social com base na troca ou no poder, e sem restrição ao exercício arbitrário,
e as instituições econômicas extrativistas com muita riqueza e renda privadas
se apropriam da máquina estatal para exercem uma vigorosa ditadura para o
conforto de suas vidas, quer oriundos da natureza, quer produzidos
artificialmente; usam seus julgamentos de valor, que baseados em suas posições
privilegiadas e suas relações de compadrio engendram seus desejos e demandas,
como direito secular; uma cultura senhorial, ora chefe[2], ora condutor[3] que usa
o consumo como ferramenta para enfraquecer ou aniquilar outrem. Por conseguinte, “o
maior mal perpetrado é o mal cometido por Ninguém, isto é, por um ser humano
que se recusa a ser pessoa”, observa Arendt.
Sucede, que tal fato alavanca o êxodo dos jovens rurais e enfraquece a
sucessão familiar, tanto na atividade agropecuária como outras; inclusive de
modo grave, perde-se o bônus demográfico ainda em alta. Essa precária situação
compromete o sucesso do empreendedor e do contratado, que empobrecem, os
primeiros, porque não acumulam a renda do capital e o segundo, porque mal
acumulam a renda do trabalho – longe do estado de satisfações. Essas pessoas,
segundo o Conceito Estatístico do Décimo, estão entre os 50% da base da
distribuição de renda na pirâmide social.
O empreendedorismo continua praticamente ausente para a grande maioria dos
3,9 milhões de agricultores familiares com renda de até 0,5 salário mínimo e de
outros milhões de indivíduos em atividades não agrícolas, que não conseguem
acumular, nem poupar, só repor alguns bens de capital. Eles geram pouca
riqueza, embora realizem um trabalho duro e desconfortável; não
criam valor para a sociedade. Para Piketty
riqueza – é “o valor total, a preços de mercado, de tudo que os
residentes e o governo de um país possuem num determinado momento e que possa
ser comprado e vendido em algum mercado”, e ilustra Bastiat – riqueza, "consiste
em serviços reais, em satisfações reais, em coisas úteis" - quem cria
valor é o consumidor.
Logo, para que um recurso possa ser considerado um bem econômico – “Em
primeiro lugar, a imensa maioria das coisas, na forma como se encontram em seu
estado natural, não nos permite satisfazer nossas necessidades. Por mais que
toda a matéria já exista e esteja disponível na natureza, ela não nos foi dada
de uma forma que nos permita satisfazermos nossas necessidades. A matéria tem
de ser trabalhada e transformada por meio do trabalho e de investimentos” – “Em
segundo lugar, a incapacidade dos objetos em seu estado natural em satisfazer
diretamente nossas necessidades advém do fato de que nem sequer conhecemos
todas as suas combinações e usos possíveis. A tecnologia, que é a arte de
combinar e ordenar a matéria para que ela gere o resultado desejado, também não
nos vem dada; antes, ela deve ser descoberta por meio da investigação e da
experimentação, duas atividades que, por sua vez, requerem o uso de outros bens
econômicos”, argui Carl Menger.
Isso posto, os empreendedores e investidores, ”stakeholders” e consumidores
pensam, agem e solucionam como líderes[4] os conflitos de visão de
mundo e de interesses, com base em seus juízos de valor, regram-se por norma de
conduta justa, Estado de Direito e governo limitado; logo decidem sobre: visão
de futuro, ideia do negócio e proposta de valor; e promovem suas preferências
temporais, individual e coletiva, ora poupa, ora consume, salvaguardadas pela
multiplicação e uso de bens e serviços, convenientes, funcionais e confiáveis
prosperam para o bem viver em instituições políticas e econômicas inclusivas.
[1] Mestre em Desenvolvimento
Sustentável e prpfessor da UNEAL
[2] O chefe coordena suas metas e normas baseado na troca, para o
"controle ou influência tendo por base recursos materiais e recompensas na
forma de remuneração pelo recebimento de algum tipo de contribuição" (BERNARDES).
[3] O condutor impõe metas e normas ao grupo, usa o poder como "controle ou influência sobre as ações dos outros no intuito de atingir as próprias metas, sem o consentimento destes outros, contra a vontade deles ou sem o seu conhecimento ou compreensão" (BERNARDES).
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