terça-feira, 31 de março de 2026

Em vez de chefe ou ditador, o líder

Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

O homem e suas instituições políticas extrativistas, usam o controle social com base na troca ou no poder, e sem restrição ao exercício arbitrário, e as instituições econômicas extrativistas com muita riqueza e renda privadas se apropriam da máquina estatal para exercem uma vigorosa ditadura para o conforto de suas vidas, quer oriundos da natureza, quer produzidos artificialmente; usam seus julgamentos de valor, que baseados em suas posições privilegiadas e suas relações de compadrio engendram seus desejos e demandas, como direito secular; uma cultura senhorial, ora chefe[2], ora condutor[3] que usa o consumo como ferramenta para enfraquecer ou aniquilar outrem. Por conseguinte, “o maior mal perpetrado é o mal cometido por Ninguém, isto é, por um ser humano que se recusa a ser pessoa”, observa Arendt.

Sucede, que tal fato alavanca o êxodo dos jovens rurais e enfraquece a sucessão familiar, tanto na atividade agropecuária como outras; inclusive de modo grave, perde-se o bônus demográfico ainda em alta. Essa precária situação compromete o sucesso do empreendedor e do contratado, que empobrecem, os primeiros, porque não acumulam a renda do capital e o segundo, porque mal acumulam a renda do trabalho – longe do estado de satisfações. Essas pessoas, segundo o Conceito Estatístico do Décimo, estão entre os 50% da base da distribuição de renda na pirâmide social. 

O empreendedorismo continua praticamente ausente para a grande maioria dos 3,9 milhões de agricultores familiares com renda de até 0,5 salário mínimo e de outros milhões de indivíduos em atividades não agrícolas, que não conseguem acumular, nem poupar, só repor alguns bens de capital. Eles geram pouca riqueza, embora realizem um trabalho duro e desconfortável; não criam valor para a sociedade. Para Piketty riqueza – é “o valor total, a preços de mercado, de tudo que os residentes e o governo de um país possuem num determinado momento e que possa ser comprado e vendido em algum mercado”, e ilustra Bastiat – riqueza, "consiste em serviços reais, em satisfações reais, em coisas úteis" - quem cria valor é o consumidor. 

Logo, para que um recurso possa ser considerado um bem econômico – “Em primeiro lugar, a imensa maioria das coisas, na forma como se encontram em seu estado natural, não nos permite satisfazer nossas necessidades. Por mais que toda a matéria já exista e esteja disponível na natureza, ela não nos foi dada de uma forma que nos permita satisfazermos nossas necessidades. A matéria tem de ser trabalhada e transformada por meio do trabalho e de investimentos” – “Em segundo lugar, a incapacidade dos objetos em seu estado natural em satisfazer diretamente nossas necessidades advém do fato de que nem sequer conhecemos todas as suas combinações e usos possíveis. A tecnologia, que é a arte de combinar e ordenar a matéria para que ela gere o resultado desejado, também não nos vem dada; antes, ela deve ser descoberta por meio da investigação e da experimentação, duas atividades que, por sua vez, requerem o uso de outros bens econômicos”, argui Carl Menger. 

Isso posto, os empreendedores e investidores, ”stakeholders” e consumidores pensam, agem e solucionam como líderes[4] os conflitos de visão de mundo e de interesses, com base em seus juízos de valor, regram-se por norma de conduta justa, Estado de Direito e governo limitado; logo decidem sobre: visão de futuro, ideia do negócio e proposta de valor; e promovem suas preferências temporais, individual e coletiva, ora poupa, ora consume, salvaguardadas pela multiplicação e uso de bens e serviços, convenientes, funcionais e confiáveis prosperam para o bem viver em instituições políticas e econômicas inclusivas.



[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável e prpfessor da UNEAL

 

[2] O chefe coordena suas metas e normas baseado na troca, para o "controle ou influência tendo por base recursos materiais e recompensas na forma de remuneração pelo recebimento de algum tipo de contribuição" (BERNARDES).

[3] O condutor impõe metas e normas ao grupo, usa o poder como "controle ou influência sobre as ações dos outros no intuito de atingir as próprias metas, sem o consentimento destes outros, contra a vontade deles ou sem o seu conhecimento ou compreensão" (BERNARDES).

[4] Líder – aquele que usa a autoridade, que é o “controle ou influência sobre o comportamento de outros para a promoção de metas coletivas, com base em alguma forma verificável de consentimento destes outros em razão de estarem informados dessa situação” (BERNARDES).

 

 

 

 

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