terça-feira, 30 de junho de 2026

É-nos oportuno a prática da ética

Marcos Antonio Dantas de Oliveira[1]

”Num mundo já ocupado, se sua família não possui meios de alimentá-lo ou se a sociedade não tem necessidade de seu trabalho, esse homem, repito, não tem o menor direito de reclamar uma porção qualquer de alimento: está em demasia na terra. No grande banquete da natureza, não há lugar para ele. A natureza lhe ordena que se vá e ela mesma não tardará a colocar essa ordem em execução...“, observavam Malthus, 1798, e Ehrich: "Precisamos diminuir a população do mundo, ou vamos chegar ao colapso da população global. Não é possível ter sustentabilidade com aumento da população". Mas “o mais grave perigo que hoje ameaça a civilização é a intervenção do Estado”, ecoa Ortega y Gasset.

Por certo, essas previsões alarmantes foram superadas, a primeira pela alta magnitude e relevância da revolução industrial com o uso de inovações que provocaram transformações, que impulsionaram à produtividade de todos os fatores, as relações de trabalho com avanços nos direitos trabalhistas e políticos e os meios de transporte, comunicações e escolaridade; e alavancaram a expectativa de vida.

Logo, as previsões catastróficas de Malthus, no século XVIII, e de Ehrich, no século XX, foram frustradas pelas soluções: uso de inovações na produção agrícola, industrialização, transporte e comércio que aumentaram à produtividade de todos os fatores, a reposição de bens de capital e o lucro pela preservação e uso dos recursos, processos e valores; e no livre mercado, o consumo de bens e serviços funcionais, convenientes e confiáveis, gerou prosperidade e bem-estar,

Como bem disse o construtor da revolução verde e prêmio Nobel da Paz, o Agrônomo Ernest Norman Borlaug –– essas soluções diminuíram a ameaça catastrófica da fome mundial. Agora, o problema é de distribuição – https://www.youtube.com/watch?v=1GRpP8iJMC0

No Brasil de 1975, a produção de grãos era de 40 milhões de toneladas de grãos, era um importador de alimentos; Para 2025/26, a safra de grãos está estimada em 358,6 milhões de toneladas.

Os geradores de riqueza como pagadores de impostos e consumidores de bens e serviços, principalmente, agricultores familiares (e representações) analfabetos e descapitalizados, ora pelo apático exercício ético (obediência ao não obrigatório) e político nos espaços públicos e privados precarizam seu modo de vida: social, econômico e ecológico. E nesse mundo globalizado, mesmo com a onipresente e acessível interação computador-internet-dispositivo móvel de banda larga, via de regra, os indivíduos têm dificuldades de acesso às TICs, segurança jurídica e pública e serviços de saúde, educação e outros; tampouco têm acesso aos bens de capital, resultando em produtividade e renda baixas, que não os permite prosperarem e usufruírem de bem viver.

E em êxodo, os jovens interrompem, em geral, a sucessão familiar – O Brasil perde o bônus demográfico. Logo, os idosos continuam em viés de alta na atividade agrícola. Em caos, o serviço estatal de extensão rural, pesquisa agrícola e abastecimento é ineficiente e caro, pelo baixo número de agricultores atendidos; e a pouca fiscalização do CREA repercute na atividade agropecuária e nas contratações de engenheiros e outros.

E afirma Bastiat: “se cada homem tem o direito de defender – até mesmo pela força – sua pessoa, sua liberdade e sua propriedade, então os demais homens têm o direito de se concertarem, de se entenderem e de organizarem uma força comum para proteger constantemente esse direito”.

"Segue-se que nenhuma das instituições numerosas e demasiadamente admiradas que, nas repúblicas antigas, obstruíam a liberdade individual seja admissível nos tempos modernos" (Henri-Benjamin Constant). E que invariavelmente, protagonizem e organizem a lei, a instituição inclusiva, política e econômica, o governo limitado e o livre mercado, para a prosperidade e o bem viver.

 

 



[1] Mestre em Desenvolvimento Sustentável e professor da UNEAL

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