sábado, 21 de julho de 2012

Uma Mulher, um homem, UM VOTO


Marcos Antonio Dantas de Oliveira

É o dono-cooperado, ativista e praticante do estatuto da cooperativa, o agente transformador  e garantidor de justiça social. Aliás, é também vital a vigilância do dono-cooperado sobre o controle dos recursos e serviços naturais e dos tributos para o êxito da prática cooperativista – “Governo Téo perdoa mais R$ 1,5 bilhão de usineiros” (Extra, 11 a 17 de jul. 2008): um descaso com o tributo de todos. 

Como assegurar o usufruto dos bens primários, com a ridícula renda mensal familiar [família numerosa] de R$ 300, caso dos cooperados da Cooprel? (Tribuna  Cooperativa,06/jul/2012)? 

Por isso: “Alagoas tem a maior taxa de miséria do País” - um insulto aos alagoanos [O Jornal, jul. 2010]. 

Assim, continuam as dificuldades de acesso e uso aos recursos naturais, às oportunidades econômicas, às liberdades de expressão, de consciência, de pensamento, de direito à propriedade [inclusive acesso à terra, principalmente aos jovens], aos serviços sociais, ao serviço de pesquisa agropecuária e extensão rural – para aqueles com renda de até dois salários mínimos [e na Classe E - segundo a Fecomércio]; entre eles, estão os nordestinos, os alagoanos, os povos e as comunidades tradicionais, agricultores familiares, trabalhadores de aluguel [crianças, adolescentes, mulheres, jovens, velhos], os mais atingidos em seu estado de direito, pelo alto número de analfabetos, por exemplo. Essas categorias estão com vida caótica pela pouca riqueza privada e pelo pouco acesso e uso da riqueza pública; a maioria vive em insegurança jurídica.

Aliás, essas dificuldades têm origem nos processos de exploração, expropriação, apropriação e acumulação da riqueza privada, da riqueza pública e de outras prerrogativas pelos ‘donos dos meios de produção e da natureza’; que ora, consideram os recursos naturais como eventos substituíveis e, usam a grande reserva da mão de obra disponível como estratégia para assegurar-lhes grandes lucros.

Sem sofisma. Os contratos sociais devem ser inclusivos por usar critérios de oportunidades: social e econômica e, por critérios de diferenças; pois, a brutal distribuição desigual dos bens primários – liberdade, renda, riqueza, prerrogativas, inteligência, felicidade, democracia... – só é tolerável se essa desigualdade contribuir para melhorar à condição de vida dessas categorias. O Estado e a iniciativa privada devem colocar em suas agendas, ações públicas que promovam e garantam vida digna aos menos favorecidos - justiça social.

Então, o associativismo e a cooperativa também são ferramentas para enfrentar essa penúria. E a Carta Magna assegura no artigo 5º [XVII: é plena a liberdade de associação... , e XVIII: a criação de associações [...] de cooperativas independem de autorização...]. Assim, os direitos e deveres individuais e coletivos dessas categorias e suas famílias são autênticos para mitigar e ou combater às desigualdades regionais e sociais e à degradação da natureza. É usando a Carta que podem e devem protagonizar maneiras eficazes para enfrentar sua penúria social e patrimonial; e resguardar à natureza e seu patrimônio imaterial.

É imprescindível ao cooperado, citadino, rurícola: índio, agricultor, pescador e extrativista familiares à cidadania igual, à dialética, à liberdade individual, à prática cooperativista como estratégias para viabilizar melhorias das condições de suas vidas indignas passa pelo exercício da democracia direta [aquela que deveria praticada pelos donos-cooperados nas assembleias, enquanto instância máxima de deliberações]. 

E solidários reconheçam-se no outro ao compartilhar as relações culturais; e encantem-se com a ajuda mútua, com a cooperativa, com o associativismo e com a democracia direta para empoderar-se [pensar, dialogar e agir]  nos princípios rochdaleanos.

É necessária uma práxis que seja capaz de refundar os espaços públicos e democráticos de suas estruturas sociais e de poder, que reflitam e criem condições para planejar, executar, avaliar, controlar e corrigir os atuais processos que drenam os recursos patrimoniais, econômicos, sociais e ecológicos de todos, para uma minoria privilegiada; e sim, assegure à todos sem condicionalidades, os bens primários; e, sobretudo, transformem, mantenham e valorizem os rituais e os ritos [prosaicos e poéticos] de seus estilos de vida.

E a máxima rochdaleana: um homem, uma mulher, um voto, como princípio democrático [democrático aquele que se constrange em exercer o poder sobre seus iguais] continua atual e pode fazer a diferença em todas eleições, por que, "aquele que promove o poder de um outro perde o seu" (Maquiavel, 1998).

Publicado pela Tribuna Independente, Maceió – Alagoas, 2012

11 comentários:

  1. Um texto da hora. Toninho

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  2. Muito bom. Claúdio.

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  3. Essa citação de Maquiavel resume a atuação dos cooperados. Maurício

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  4. Me incomoda essa apatia. César

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  5. Li também o artigo anterior, oportunos. Vanessa

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  6. Gostei do que li. Lúcia

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  7. "Aquele que promove o poder de um outro perde o seu" (Maquiavel, 1998). Merece uma reflexão. Artur

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  8. Essa apatia atinge todos, nos diversos setores. Roberto

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  9. Bom texto e bons comentários. Paulo

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  10. O cooperado como ativista e praticante tem sentido para o êxito da cooperativa. Carlos

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